Vítor Alberto Klein's Blog

29/05/2012

Você quer ser feliz ou ter razão?

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 13:31

29/05/12 07:36

Por Marcelo Nakagawa – Professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper

Fonte:  http://www.brasileconomico.ig.com.br/noticias/voce-quer-ser-feliz-ou-ter-razao_117386.html

 

É. Pode ser. É uma questão recorrente, um lugar-comum da autoajuda. Pode ser o argumento para extravasar, realizar um sonho ou preferir ser uma metamorfose ambulante. Mas o é, pode ser diferente quando alguém que pergunta já é o exemplo de resposta.

Luiza Trajano, empreendedora do Magazine Luiza, lançou esta questão durante sua palestra para ilustrar suas dificuldades e dilemas em liderar uma grande empresa sendo mulher em um país machista, de iniciar o negócio em uma cidade pequena quando tudo gira em torno das grandes ou de investir mais na felicidade dos seus colaboradores quando é racional otimizar custos.

E mesmo que a sua trajetória já seja uma resposta inspiradora, esta questão ainda é um dos seus mantras de gestão. Se a consultoria não resolve seu problema logístico, lá vai ela bater papo com os caminhoneiros. Em meia hora, já tem a solução. É o jeito Luiza de ser feliz.

Mas ela não está sozinha. Pense em Howard Schultz, Luiz Seabra e Ray Kroc e tantos outros que foram em busca da felicidade contrariando a razão vigente. Schultz, Seabra e Kroc encontraram-na em uma minúscula loja que vendia cafés em grãos em Seattle, uma empresa cosmética fundo-de-quintal em São Paulo e uma lanchonete espartana em San Bernardino, respectivamente.

Agora é fácil lembrá-los como os empreendedores da Starbucks, Natura e McDonald’s. Mas, na época, suas decisões implicaram críticas de todos os lados, inclusive daqueles do mesmo lado. Não era racional vender cafés de alta qualidade nos Estados Unidos, país acostumado a tomar “chafé”.

Não era uma boa ideia chamar uma empresa de Natura, que remetia aos hippies, quando todas as marcas de cosméticos no Brasil utilizavam nomes franceses sofisticados. E abrir uma rede de lanchonetes era uma péssima decisão para um senhor doente de 52 anos de idade.

Schultz mostrou o plano de negócio de sua cafeteria para 242 investidores, dos quais 217 não mostraram interesse e ainda afirmaram categoricamente que o negócio não iria dar certo.

Seabra optou pela cosmética terapêutica, uma complexa abordagem de venda que incluía psicologia, filosofia e cosmetologia individualizada quando todos os seus concorrentes optavam pela venda padronizada em massa, seja porta a porta ou nas gôndolas de lojas e supermercados.

E Ray Kroc criou um caro sistema de franquia atrelado a investimentos imobiliários quando seus concorrentes popularizavam alternativas rápidas e baratas.

Pense em outro caso. “Não havia demanda por automóveis – jamais há por um novo artigo. No início, a carruagem sem cavalos foi considerada meramente um conceito excêntrico e muitas pessoas sábias explicavam minuciosamente porque o automóvel jamais passaria de um brinquedo. Nenhum homem de posses jamais pensou nele como uma possibilidade comercial” – explicava Henry Ford.

E, mesmo assim, lançou a carruagem sem cavalos modelo A, B, C até ter sucesso no modelo T. Outra pessoa mais racional já teria se convencido no modelo C ou D de que os especialistas realmente tinham razão.

Os exemplos dos empreendedores são inspiradores, mas e quando nós temos que responder a esta questão? No momento em que Luiza fez esta pergunta, anotei rapidamente no meu celular para não esquecer. E, desde então, isto me incomoda. Não sei se sou parte da pergunta ou da resposta. Só sei que que o slogan da empresa da Luiza já me ajuda e muito: Vem ser feliz!

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