Vítor Alberto Klein's Blog

23/05/2012

Revendo o Brasil

Filed under: Sem categoria — vitoralbertoklein @ 9:17

23/05/12 07:19

Por Rogério Mori – Professor da Fundação Getulio Vargas (FGV/Eesp)

Fonte:  http://www.brasileconomico.ig.com.br/noticias/revendo-o-brasil_117140.html

A economia brasileira nos últimos anos tem sido um destaque em âmbito internacional. Desde a eclosão da crise em fins de 2008, o Brasil tem sido apontado como uma economia de peso e importante, tendo reagido de forma muito positiva durante os momentos mais agudos da crise.

De fato, a economia brasileira reagiu muito bem, lidando de forma adequada em relação aos efeitos mais negativos naquele momento.

A política fiscal, com a redução de impostos, agiu favoravelmente e o Banco Central, apesar da demora em reagir, cortou juros no início de 2009 e ajudou a economia a reverter o quadro recessivo instalado.

De lá para cá temos sido apontados internacionalmente como a nova estrela no cenário econômico global.

Nesse contexto, o Brasil tem vários aspectos positivos: é democrático, não existem amplas barreiras aos fluxos de capitais, as contas públicas estão ajustadas, a dívida pública é relativamente baixa e o crescimento econômico é moderado.

Apesar desses aspectos positivos, o Brasil está muito longe de ser considerado um país rico: nossa renda per capita ainda se situa próxima da média mundial e menos de um terço do que seria adequado para sermos considerados um país rico.

Adicionalmente, os níveis de investimento produtivo ainda se situam em torno de 20% do PIB, bem abaixo do que seria adequado para que a economia brasileira sustentasse um ritmo de crescimento em torno de 5% ao ano sem a formação de gargalos.

Também é importante lembrar que, apesar das taxas de juros terem caído, ainda se situam em patamar elevadíssimo na ponta do empréstimo.

Por fim, é importante ressaltar que a moeda brasileira encontra-se extremamente apreciada em relação às demais moedas, o que tira paulatinamente a competitividade da nossa economia e gera danos graves à estrutura produtiva brasileira.

Esses elementos reforçam que, apesar dos aspectos positivos em relação à nossa economia, os problemas fundamentais permanecem e o crescimento brasileiro mantém-se em patamar relativamente baixo.

Isso significa que nossa renda per capita cresce em ritmo lento e se mostra insuficiente para que o Brasil se torne um país rico de fato nas próximas décadas.

Apesar do bom humor internacional, alguns analistas econômicos internacionais já começaram a dar alertas em relação a esses problemas na economia brasileira.

No curto prazo, os humores não devem mudar, o otimismo com o Brasil não deve durar indefinidamente.

Esse prazo pode ser dilatado ou reduzido em função do cenário econômico internacional: caso as economias desenvolvidas se recuperem, a tendência dos fluxos é de reversão e é bem provável que o bom humor com a economia brasileira se dissipe nesse processo.

Em função disso, o Brasil deveria fazer sua lição de casa neste momento, com o governo controlando mais seus gastos e investindo mais em infraestrutura. Adicionalmente, os investimentos produtivos privados também deveriam ser estimulados.

O governo parece caminhar na direção correta na questão cambial, mas a lentidão do ajuste prorroga a agonia do setor produtivo. Mais agilidade e mais foco deveriam ser a tônica do governo nesse momento de otimismo com o Brasil.

Por Vítor Alberto Klein

Concordo com a maioria dos pontos levantados pelo professor, mas discordo que a nossa dívida pública interna seja baixa.

Talvez seja baixa em termos nominais, em relação ao PIB, mas não em razão aos juros e da “amortização” que são pagos, obviamente em função dos juros praticados no Brasil.

Até 11/05  já foram pagos R$ 370 bilhões em juros/amortizações da dívida, um valor que corresponde a 56% dos gastos federais neste ano, conforme segue:

https://vitoralbertoklein.wordpress.com/2012/05/12/dividometro-divulguem/

http://www.auditoriacidada.org.br/

Na minha modesta opinião fica bastante difícil o governo direcionar recursos para áreas que tanto clamam e necessitam de investimentos, dentro de um quadro desses.

Se a economia brasileira já tivesse alcançado um grau de auto-sustentação (desenvolvimento) que justificasse o acréscimo de quase 150% da dívida interna pública de 2002 a 2010, tudo bem, mas acredito que não se trate deste caso, e o significativo aumento da dívida pública neste período está agora cobrando sua “fatura”.

Sabe aquela estória do cachorro correndo atrás do próprio rabo ?

Como não sou economista, fico sempre tentando compreender os meandros de nossas dívidas (interna e externa). Afinal, se não tentarmos compreender pelo menos este aspecto da macroeconomia, vamos querer entender do quê ?   E Viva a Transparência.

Aqui se encontra o Relatório Final da CPI da Dívida – Maio de 2010:

relatorio-final-versao-autenticada_CPI da Dívida_Maio_2010

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