Vítor Alberto Klein's Blog

14/05/2012

“Tombini estava mais certo que todos os seus críticos”

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 12:12

Por Cláudia Bredarioli e Elaine Cotta   (redacao@brasileconomico.com.br)
14/05/12 08:13

Fonte:  http://www.brasileconomico.ig.com.br/noticias/tombini-estava-mais-certo-que-todos-os-seus-criticos_116734.html

Antonio Delfim Netto descarta a existência de uma divergência entre o setor bancário e Brasília; para ele, “não há banco que possa enfrentar o governo” e o sistema financeiro é essencial ao crescimento.

Bem antes de o governo anunciar as mudanças nas regras do rendimento da poupança, o ex-ministro e professor Antonio Delfim Netto já vinha defendendo a ideia de que, sem essa alteração, seria impossível ao Brasil evoluir no processo de redução da taxa básica de juros e, consequentemente, nas outras decisões para impulsionar o crescimento econômico.

Em visita à redação do Brasil Econômico, ele destacou que os efeitos dessa medida serão muito maiores do que aparentam imediatamente e irão trazer modificações profundas ao mercado de capitais brasileiro.

Segundo o ex-ministro, isso poderá representar uma revolução nos portfólios de investimentos.

“Todo mundo vai mudar. Todos os fundos vão ter que procurar remuneração no setor privado e vão ter que correr mais risco. Vão ter que ganhar a vida honestamente. É uma medida muito mais profunda do que parece. Essa coisa que parece à toa vai obrigar a reduzir a taxa de administração, a fugir um pouco dos papéis do Tesouro, vai obrigar a ir para debêntures”.

A consequência disso, explica o professor, é que os grandes investidores terão de diversificar suas aplicações, e não mais concentrar o dinheiro apenas em títulos do setor público.

Segundo Delfim, haverá mais verbas destinadas ao setor privado, para onde deve haver um deslocamento de recursos especialmente voltado aos pequenos empreendedores – onde está a possibilidade de desenvolvimento da inovação no Brasil.

“Quando de fato se criar um mercado de capitais, cresce muito a possibilidade de que o pequeno empreendedor chegue a um empresário ou a um banqueiro que queira tomar o risco de desenvolver a inovação. É fundamental providenciar o financiamento para este grupo que está fora do mercado. Os bancos vão ter que procurar o sujeito da Mooca que está produzindo o parafuso quadrado porque é lá que vai estar a possibilidade de lucro.”

Para o ex-ministro, “o Brasil recebeu um vento e soube usar”. Ele é só elogios para o desempenho do Ministério da Fazenda (com destaque para a Secretaria do Tesouro) e do Banco Central (BC).

Isso vale especialmente ao que se refere ao desempenho de Alexandre Tombini, presidente do BC, para sustentar a criação de uma nova convenção para a política econômica brasileira, que agora relativiza o peso da inflação. “Abandonou-se aquele tripé virtuoso de controle fiscal, metas inflacionárias e câmbio flexível”.

Mas é também verdade, conforme Delfim destaca, que o país ainda precisa de alguns ajustes aqui e ali, como na taxa de câmbio – altamente prejudicial ao desempenho da indústria nacional -, nas regras para as áreas tributária e trabalhista e no aprimoramento dos processos políticos.

Exemplo da necessidade de mais transparência está na recém instalada CPI do caso Cachoeira.

“Talvez fosse importante ficar claro para a comissão como é que o povo vai entender essa coisa de essa gente ser tão duvidosa que não é possível deixar entrar mais do que três em uma sala, ou vão formar uma quadrilha!”

O governo tem tomado medidas para incentivar o aumento do crédito por meio da redução dos juros bancários. É possível contar com a contribuição dos bancos privados nesse processo?

No Brasil o sistema bancário está procurando fazer as coisas que ele tem que fazer. Está sendo submetido a um pouco mais de concorrência pelo governo – por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica.

E é asneira dizer que esse pessoal do Banco do Brasil vai emprestar sem cuidado porque o Banco do Brasil obedece às mesmas regras que todos. É um equívoco imaginar que haja uma briga com os bancos.

Acho que houve um desentendimento absurdo. Quem conhece o Portugal (Murilo Portugal, presidente da Febraban, que se encontrou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para pedir facilidades aos bancos em prol do aumento do crédito) sabe que ele é uma pessoa gentilíssima e competente.

Houve uma frase qualquer que foi transformada em uma confusão danada. E, quem conhece os bancos, sabe que os bancos vão fazer o melhor que eles puderem e vão colaborar com o governo.(1)

Afinal, não há banco que possa enfrentar o governo. O governo precisa dos bancos tanto quanto os bancos precisam do governo. Se nós queremos voltar a crescer 4,5% ou 5% ao ano não podemos ter ilusão.

Precisamos de um sistema bancário rígido e eficiente. O crédito é fundamental. Desenvolvimento é pouco mais do que inovação mais crédito.

Não existe, então, divergência entre o governo e os bancos privados neste momento?

Acho que tem sido maximizada essa divergência do sistema bancário. Eu não tenho nada contra banco. É ridículo fazer uma campanha contra banco porque o sistema financeiro é fundamental para o crescimento.

O que é contra o crescimento é quando o sistema financeiro se apropria do sistema produtivo. Ele cresce tanto em poder econômico e, consequentemente em poder político, que comanda o processo produtivo.(2)

O que aconteceu em 2008 não foi diferente do que o que aconteceu em 1930. Foram as mesmas patifarias.

O Obama (presidente americano Barack Obama) foi recebido por quem tinha produzido essa patifaria e ele preferiu colocar na rua 15 milhões de sujeitos do que por na cadeia 15 banqueiros.(3)

Isso não iria resolver muita coisa, mas seria uma satisfação enorme…

Relativamente o Brasil foi pouco afetado por essa crise?

No Brasil é outro mundo. O sistema bancário é rígido, funciona direito. Isso nem é por virtude. É porque nós quebramos antes e a partir daí nós exercemos um controle muito seguro, muito bom.

Tanto que o nível de confusão que nós tivemos foi muito pequenininho. Foram algumas dezenas de empresas que tinham feito algumas aventuras, mas que não causaram nenhuma perturbação maior.

Além disso, no caso brasileiro, todos pagaram – o que é uma diferença importante. Todos os que se aventuraram nos derivativos pagaram um preço. E era gente grande.

Como o sr. avalia a mudança nas regras da poupança?

O efeito é muito maior do que parece. Essa medida vai mudar todos os portfólios. Na verdade todos os private equities, todos os fundos vão ter que procurar remuneração no setor privado e vão ter que correr mais risco.

Vão ter que ganhar a vida honestamente. É uma medida muito mais profunda do que parece. Essa coisa que parece à toa vai obrigar a reduzir a taxa de administração, a fugir um pouco dos papéis do Tesouro, vai obrigar a ir para debêntures.

Todo mundo vai mudar. É o primeiro passo para criar um mercado secundário de capitais que vai ajudar o BNDES a construir um mercado de capitais no Brasil, porque é claro que só com o BNDES não é possível se estabelecer um mercado de capitais no Brasil.

É preciso uma coisa muito mais ágil, que tome muito mais riscos, que só o setor privado pode fazer.

O sr. percebe alguma resistência do mercado às novas medidas adotadas pelo governo?

O que existe é que lentamente o mercado está absorvendo as mudanças. Quando o Tombini (presidente do Banco Central, Alexandre Tombini) iniciou a adoção das medidas prudenciais, o que se dizia é que aquilo não tinha novidade, que não havia substituto para os juros, que não iria funcionar.

Hoje eles esqueceram tudo aquilo e dizem que funcionou demais e que o BC não soube dar a dimensão correta. Ficou provado que o Tombini estava mais antenado com o Brasil e com o que estava acontecendo no mundo do que todos seus críticos.

A partir daí surgiu uma nova convenção, abandonou-se aquele tripé virtuoso de controle fiscal, metas inflacionárias e câmbio flexível. Não tem mais nada disso. O controle fiscal no Brasil, se compararmos com o resto do mundo, eu tenho vergonha de tanta virtude.

Fico preocupado porque nós não podemos ser tão virtuosos. No que diz respeito a metas inflacionárias, simplesmente houve uma mudança no peso.

Nenhum BC do mundo pode dizer que se preocupa simplesmente com a inflação e dane-se o crescimento. Quem diz isso está mentindo.

Se eu quiser fazer o ajuste em um ano, é provável que isso exija uma taxa de juro mais alta. Mas, se eu alongar o ajuste, eu posso crescer um pouco mais e vou atingir o objetivo num prazo um pouco mais longo. E foi o que o Tombini fez.

Por Vítor Alberto Klein

Ai, ai Sr. Delfim Netto, acabaram de descobrir a pólvora e de inventar a roda….

Fiz algumas associações dos trechos do texto com alguns links elucidativos. Basta verificar o número entre parêntesis no texto e seu link abaixo:

(1)  http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=30484

(2)  http://www.newscientist.com/article/mg21228354.500-revealed–the-capitalist-network-that-runs-the-world.html

(3)  http://www.twitvid.com/PY6MM

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