Vítor Alberto Klein's Blog

04/05/2012

Os dólares estão aqui e o mundo aposta no Brasil

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 11:16

Economia | 07/03/2012 08:00

Por Fabiane Stefano, de EXAME

Fonte:  http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1011/noticias/os-dolares-estao-aqui?page=1&slug_name=os-dolares-estao-aqui

O Brasil que brigava para receber capital ficou no passado. O país está prestes a se tornar o terceiro maior polo de atração de investimento estrangeiro do mundo e sua economia nunca foi tão internacionalizada. Por que esta é uma ótima notícia.

São Paulo – Se a história econômica mundial fosse contada em fábulas, a do Brasil poderia ser descrita assim: era uma vez um país vasto, rico em recursos naturais e com uma população grande e trabalhadora. Tinha tudo para dar certo, mas erros sucessivos, visões de curto prazo e bruxarias econômicas da pior espécie acabaram por jogá-lo num período de trevas e privações.

Tudo era tão ruim e tão complicado que poucos, no resto do mundo, acreditavam que aquele lugar teria um destino feliz. Mas chegou uma época em que parte dos encantos malignos se quebrou.

O país corrigiu vários de seus erros, tirou ensinamentos daqueles dias tenebrosos e entrou no admirado grupo dos emergentes. Os estrangeiros voltaram a se encantar, enxergando no horizonte uma nova era de prosperidade. Fim.

A vida real, claro, é bem mais complexa do que as histórias infantis. O Brasil continua a ser um paraíso para burocratas e políticos corruptos. Suga com enorme avidez o contribuinte e devolve serviços básicos de péssima qualidade e uma infraestrutura capenga. Insiste em manter — e criar — regras complexas e anacrônicas.

É o lado vilão de um país que, aos olhos do mundo, cada vez mais toma a feição de herói. Ambos são reais e se sobrepõem. Mas o lado bom do Brasil parece ter força suficiente, neste momento do mundo, para convencer investidores internacionais de que aqui há, sim, um terreno fértil para anos de crescimento, com a estabilidade necessária.

Nunca atraímos tanto capital produtivo. Foram 220 bilhões de dólares no período que vai de 2005 a 2011. “E serão pelo menos mais 250 bilhões até 2016”, diz Luis Afonso Fernandes Lima, economista-chefe da Telefônica e presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais.

No ano passado, o Brasil alcançou o quarto lugar no ranking dos países que mais recebem investimento produtivo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Reino Unido. Entraram 67 bilhões de dólares. Desse total, 90% foram direcionados a novos projetos ou à expansão de capacidade de produção — apenas uma fração foi usada na aquisição de empresas.

Segundo projeções do banco de investimento Credit Suisse, até 2014 o Brasil deverá galgar um inédito terceiro lugar no ranking de investimentos, desbancando o Reino Unido. O novo patamar seria conquistado simultaneamente com a ascensão ao posto de quinta economia do mundo.

“O Brasil vive o melhor momento de captação de investimento estrangeiro de sua história”, diz Marcelo Kayath, sócio local do Credit Suisse. “Há mais dinheiro do que bons projetos no país.”

Do ponto de vista histórico, o Brasil, assim como quase todos os países em desenvolvimento, sempre sofreu uma crônica falta de capital, um nó que estrangulava o crescimento da economia. Isso passou. Podemos até tropeçar novamente nos nossos muitos defeitos.

Mas, até onde a vista alcança, não deixaremos de crescer por falta de dinheiro estrangeiro. Os bons ventos no front dos investimentos, porém, tornam mais complexa a gestão da economia. A constância do fluxo contribui para tornar o real valorizado, com consequências duras para parte da indústria local.

Nos últimos dias, com a cotação do dólar novamente em queda, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, voltou a brandir um arsenal de medidas para combater a guerra cambial.

Aventou-se até que o investimento direto poderia ser taxado, um evidente tiro no pé que terminou desmentido pelo ministro. Trata-se de reações, quando não inteiramente equivocadas, no mínimo inúteis ao se considerar a perspectiva de aumento da entrada de divisas.

Talvez a face mais visível da transformação em curso diga respeito ao peso das multinacionais na economia. “Nos últimos 15 anos, o Brasil se globalizou violentamente”, diz o economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central. Franco acompanha a inserção do capital estrangeiro há duas décadas.

Ele estima que o peso das multinacionais (isso inclui empresas com pelo menos 20% de capital estrangeiro) no PIB passou de 17%, em 1995, para 52% em 2010. O dado contraria uma tese de que o Brasil estaria pouco integrado à economia global. Isso é verdade quando se observa a modesta participação brasileira de pouco mais de 1% no comércio mundial. Mas, pela lente do investimento, surpreendemos.

No ano passado, o país respondeu por quase 5% do 1,5 trilhão de dólares alocados por multinacionais ao redor do mundo. O percentual é quase o dobro da participação do Brasil no PIB global, hoje da ordem de 3%. A mudança é também qualitativa.

“Receber investimento externo é ótimo porque torna o país e o setor privado mais competitivos”, diz o economista Karl Sauvant, especialista em investimento direto da Universidade Columbia, em Nova York. À medida que aumentam sua participação no PIB, as empresas estrangeiras trazem tecnologia e impõem seus padrões de eficiência e de gestão ao mercado.

Um exemplo: a rentabilidade do patrimônio líquido, um indicador de excelência empresarial, é em média 24% superior no grupo das empresas estrangeiras se comparada ao total das 500 maiores companhias do país analisadas na edição Melhores e Maiores, de EXAME.

O fato é que o Brasil, se não chega a ser uma China, está se tornando um daqueles lugares obrigatórios num mundo onde o trem europeu parou e a locomotiva americana ainda não anda a toda a velocidade. “Se uma companhia planeja atuar globalmente e contar com um mercado interno parrudo, o Brasil é o lugar”, diz Seong Bae Kim, presidente da operação local da coreana Hyundai, montadora que está investindo 600 milhões de dólares em uma nova fábrica no país.

Uma pesquisa de EXAME com 123 das maiores empresas multinacionais instaladas aqui mostra que mais da metade delas espera crescer no Brasil a uma média anual entre 5% e 20% nos próximos anos. Outras 24% preveem uma expansão superior.

Para mais da metade delas, a subsidiária brasileira está entre as três maiores e mais rentáveis do mundo. Leia, nas páginas a seguir, as principais tendências desse novo momento da economia brasileira.

Quem já está aqui quer mais

Visto de fora, o Brasil pode parecer um mar de oportunidades em comparação com boa parte do mundo rico ­­— especialmente a Europa, às voltas com nova recessão. Olhando daqui de dentro, as oportunidades existem, sim, mas são finitas. A economia brasileira deve crescer de 3% a 4% em 2012 e nos próximos anos.

Não temos um PIB chinês em expansão de 9% ao ano. Tampouco somos 1,3 bilhão de consumidores. Diante do fato de que o mercado brasileiro vai muito bem, mas tem seus limites, uma conclusão é óbvia: quem se impõe primeiro leva vantagem. É por isso que as grandes multinacionais que já operam no Brasil estão investindo para se defender das novas concorrentes que chegam.

O setor que melhor representa essa fase é o automotivo, que vive o maior ciclo de investimentos de todos os tempos: 22 bilhões de dólares até 2015. Onze novos fabricantes anunciaram planos de produzir no Brasil. Estima-se que em 2019 o mercado brasileiro será o terceiro consumidor de carros do mundo, com vendas anuais de 6 milhões de unidades ­— atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Os fornecedores têm de acompanhar o ritmo. “Precisamos nos preparar para o futuro”, diz Jean-Philippe Ollier, presidente da francesa Michelin para a América Latina. A empresa, instalada no Brasil há 30 anos, planeja investir 1 bilhão de dólares para expandir 30% a produção das duas fábricas de pneus que mantém no estado do Rio de Janeiro. Mesmo quem chegou recentemente já partiu para a ampliação.

A coreana Hyundai está presente no mercado brasileiro desde 2005 e se tornou a sexta marca de carros mais vendida no país no ano passado, com 3% do mercado. Para garantir seu espaço, a empresa está construindo uma fábrica de 600 milhões de dólares numa área onde antes havia uma fazenda de cana-de-açúcar em Piracicaba, no interior de São Paulo. “Dentro de cinco anos seremos uma das quatro maiores montadoras do Brasil”, diz Seong Bae Kim, presidente da Hyundai no país.

Na prática, o cacife do Brasil aumentou na cúpula das grandes empresas, que estão dispostas a gastar mais por aqui — mesmo num país que ficou mais caro. “Há dez anos, operar no Brasil era barato, mas não havia crescimento. Agora o custo é mais alto, mas a receita é muito maior”, diz Marcelo Kayath, sócio do banco Credit Suisse.

A mineradora sul-africana Anglo American, que chegou ao Brasil nos anos 70, nunca colocou tanto dinheiro no país. Um plano de 5 bilhões de dólares acabou de ser atualizado para 5,7 bilhões de dólares até 2015. Fica aqui o maior projeto do grupo para exploração de minério de ferro, com produção de 26 milhões de toneladas por ano.

A operação da mina deverá começar em 2013. Mas a Anglo American já discute a possibilidade de triplicar sua capacidade. “Uma equipe de 20 pessoas está debruçada sobre a ampliação do projeto”, diz Paulo Castellari, presidente da unidade de minério de ferro da Anglo American. Por ora, lá, como em outras multinacionais, a ordem é apostar no Brasil.

A chegada das médias

Há nove meses, o executivo espanhol Ramon Remacha deixou Pamplona, na Espanha, para se instalar em Campinas, no interior de São Paulo. Engenheiro civil, ele é hoje o responsável pela área comercial da HM, construtora que chegou ao Brasil no final de 2009. Remacha sabe bem o que é trabalhar num mercado efervescente — e qual é a sensação de vê-lo desaparecer.

Por nove anos, trabalhou no mercado imobiliário espanhol, que viveu uma fase de glória até 2008 para depois mergulhar numa crise fabulosa. Na Espanha de hoje não há mercado para quase ninguém e as dificuldades são especialmen­te grandes para empresas médias, como a HM, com faturamento anual de 400 milhões de dólares.

Quase todas elas dependem de um consumidor local de classe média, hoje vivendo o drama do empobrecimento. “Mesmo os espanhóis com emprego não gastam, pois não sabem o que pode acontecer amanhã”, diz Remacha. “É uma situação totalmente diferente da do Brasil. Em uma semana, vendemos todos os apartamentos de um de nossos prédios.”

A HM chegou ao Brasil por meio de um contrato com outra empresa espanhola. Há dois anos, foi contratada para construir a fábrica de trens da então recém-chegada Caf em Hortolândia, cidade vizinha a Campinas. Em seguida, a HM fechou contratos para obras de expansão de outras duas multinacionais: a siderúrgica britânica ArcelorMittal e a americana Pepsico.

Pouco tempo depois, ficou claro que havia grandes oportunidades no setor residencial e os espanhóis se associaram a uma empresa local de fundações para acelerar sua entrada nesse mercado. Hoje, oito engenheiros espanhóis trabalham nas obras da HM.

Os investimentos da companhia no país já somam 16 milhões de dólares, com resultados acima das expectativas dos espanhóis. Enquanto a margem de lucro na Espanha era de 15%, aqui é de 40%.

O Banco Central, que acompanha a entrada de investimentos no país, registrou em 2011 alta de 45% no valor acumulado de operações que envolveram de 20 milhões a 50 milhões de dólares — a faixa com maior crescimento. O setor de serviços é o que tem recebido o maior número de novas empresas inter­nacionais de pequeno e médio porte.

Além do potencial de mercado, a complexidade do ambiente de negócios tem chamado a atenção das recém-chegadas. A norueguesa SN Power, do setor de energia renovável, tentou por anos entrar no Brasil, mas esbarrava na buro­cracia e no desconhecimento das regras.

A solução veio com a contratação do brasileiro Ricardo Martins, ex-executivo da El Paso. Em 2011, a SN comprou no país uma fornecedora de uma empresa de papel norueguesa. Agora, finaliza a aquisição de 40% da Desenvix, um braço do grupo de engenharia Engevix. As duas compras somam 480 milhões de dólares — quatro vezes a receita mundial da SN Power.

Inovação à brasileira

No bairro da Pavuna, em uma das regiões mais pobres da cidade do Rio de Janeiro, está instalado um laboratório de pesquisas de uma das maiores empresas de cosméticos do mundo, a francesa L’Oréal. Ali, 46 pesquisadores brasileiros criaram mais de 50 produtos para cabelos — dez deles vendidos no exterior.

A produtividade dos pesquisadores e, sobretudo, o tamanho do mercado brasileiro chamaram a atenção da matriz da L’Oréal, em Clichy. As estimativas apontam que, em 2013, o Brasil será o segundo maior mercado de cosméticos do mundo, atrás apenas do Japão. E as brasileiras estão entre as consumidoras mais exigentes quando o assunto é cabelo.

“Precisamos, cada vez mais, desenvolver produtos que se encaixem no gosto das brasileiras”, disse a EXAME o francês Laurent Attal, vice-presidente mundial de inovação da L’Oréal. “Nossa prioridade aqui é inovar nesse ramo.” Até 2015, a empresa investirá 70 milhões de dólares na construção de um centro de pesquisas 20 vezes maior que o atual e onde trabalharão 150 pesquisadores.

Escala é uma palavra decisiva quando uma companhia — qualquer que seja ela — tem de escolher onde investir em pesquisa e desenvolvimento. E o Brasil vem, cada vez mais, se tornando uma economia de escala considerável, sobretudo nas áreas de consumo e infraestrutura.

Foi isso que atraiu a americana GE, que em 2013 deve inaugurar, no Rio de Janeiro, um centro de inovação com 300 pesquisadores. Ou a alemã Siemens, que prevê 100 cientistas. A IBM dividirá 150 pesquisadores entre Rio de Janeiro e São Paulo para botar de pé projetos em diferentes áreas, como recursos naturais, dispositivos como bueiros inteligentes e sistemas de previsão meteorológica que já estão sendo exportados para Myanmar, no Sudeste Asiático.

São notícias alentadoras num terreno em que o país não brilha. O Brasil recebeu 22 681 pedidos de patentes em 2010 — ante quase meio milhão nos Estados Unidos. Investimos apenas 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, um terço do esforço japonês. As multinacionais, espera-se, podem ajudar a encurtar essas distâncias.

Mergulho no pré-sal

Em agosto de 2010, o engenheiro Fernando Biato, então executivo da empresa metalúrgica carioca Ebse, foi a Louisiana, nos Estados Unidos, para comprar da americana Shaw a tecnologia de curvar tubos — a Ebse já fazia tubos curvos, mas com uma técnica defasada. Era a terceira vez em pouco tempo que a Shaw era procurada por empresas brasileiras interessadas em suas máquinas — e isso, claro, chamou a atenção de seus executivos.

O que estaria por trás daquela demanda? A resposta estava no plano de investimentos da principal cliente da Ebse, a Petrobras. Se tudo correr bem, a estatal deverá gastar, até 2015, 225 bilhões de dólares em equipamentos, plataformas, refinarias e tecnologias ligadas ao pré-sal.

Em vez de vender a tecnologia, os americanos decidiram vir para o Brasil. Em 2011, a Shaw se associou à Ebse, criando a ES3, que produzirá, no Rio de Janeiro, os chamados spools, a curva dos tubos utilizados nas refinarias. Dez anos antes, os executivos da Shaw sondaram o mercado brasileiro — e não gostaram do que viram.

Burocracia excessiva para instalar o negócio e dificuldades para entrar na lista de fornecedores da Petrobras tiraram o Brasil do radar da empresa por um longo período. Os entraves brasileiros continuam os mesmos. Mas, agora, as oportunidades parecem superar as dificuldades.

“Se não viéssemos ao Brasil, não participaríamos dessa chuva de investimentos”, diz o americano Remi Bonnecaze, vice-presidente de operações da unidade de tubos da Shaw.

Para muitas empresas estrangeiras, o caminho dos dólares da Petrobras passa por um sócio brasileiro. Por imposição do governo, qualquer contrato de suprimento para a estatal requer um índice mínimo de conteúdo produzido localmente. Compras ou associações são formas óbvias de as multinacionais cortarem caminho.

“As empresas brasileiras do setor nunca foram tão assediadas pelas estrangeiras”, diz Roberto Azevedo, sócio do Modal, banco que gere um fundo para investir em fornecedoras da cadeia de petróleo — a estimativa é que sejam necessários 80 bilhões de dólares para modernizar essas empresas.

O setor recebeu 3,5 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros em 2011, 5% do fluxo total. Mas essa fatia tende a crescer. A cadeia de petróleo e gás deverá responder por 20% do PIB em 2020. E as multinacionais dependem do Brasil tanto quanto o Brasil depende delas.

Ao exigir um mínimo de produção nacional — sem que a tecnologia esteja necessariamente disponível —, a Petrobras assumiu o risco de atrasos e de aumento de custos na exploração do pré-sal. “Sem os americanos, teríamos de aumentar a fábrica e gastar mais para fazer o mesmo”, diz Biato, agora presidente da ES3.

A filial virou matriz

A Stora Enso, FABRICANTE sueco-finlandesa de papel e celulose, é um ícone da economia nórdica. Fundada em 1288, é a sociedade anônima mais antiga do mundo. Passados 724 anos, a Stora Enso está transferindo um centro de decisão para fora da região de origem.

Até o final de 2012, o comando de sua divisão de celulose deixará Helsinque, capital da Finlândia, para se instalar em São Paulo. Com faturamento de 13 bilhões de dólares por ano, o grupo ainda tem 70% dos ativos na Europa, mas vê seu crescimento futuro em outras regiões do mundo.

“O Brasil é o maior produtor global de celulose de eucalipto, e o potencial de crescimento é enorme”, diz o colombiano Juan Carlos Bueno, presidente da divisão de celulose da Stora Enso. Sob seu comando está a produção de 5 milhões de toneladas de celulose em fábricas no Brasil (a Veracel, na Bahia), na Suécia, na Finlândia e no Uruguai.

Além da Stora Enso, a espanhola Isolux, concessionária de serviços públicos, e a francesa Tereos, da área de açúcar e álcool, transferiram recentemente sua sede para o Brasil.

Pode ser o começo de uma nova tendência. O aumento do tamanho e da representatividade da operação local no balanço global atrai o centro de poder. Os negócios ficam importantes demais para ser observados de longe. Em quase metade das 123 empresas estrangeiras ouvidas por EXAME para esta reportagem, as filiais brasileiras estão entre as três de maior faturamento e lucro.

“Tirar a matriz do país de origem e transferi-la para um mercado emergente é sempre uma decisão política difícil”, diz João Nogueira, presidente do conselho de administração da espanhola Isolux. “Mas tínhamos de ir para onde está o futuro.”

Em 2011, a Isolux, operadora de concessões de energia e de rodovias em sete países, transferiu a matriz para São Paulo. A partir de então, as decisões que envolvem mercados como Estados Unidos, Índia e Espanha saem do Brasil. Na decisão, pesou o fato de que metade dos investimentos previstos até 2014, de 5,8 bilhões de dólares, será feita aqui.

Em busca de recursos para executar o plano, a Isolux deve lançar ações na BM&F Bovespa num prazo de até dois anos. “Hoje é mais vantajoso fazer a captação no Brasil do que na Espanha”, diz Nogueira.

Com reportagem de Daniel Barros

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