Vítor Alberto Klein's Blog

24/03/2012

Zona de conforto e consciência crítica

Filed under: Sem categoria — vitoralbertoklein @ 11:31

Por Ubirajara Neiva – Gestor de Educação e Relacionamento na e-Lead Liderança em Educação Corporativa

Fonte:  http://educacaonaempresa.blogspot.com.br/2012/03/zona-de-conforto-e-consciencia-critica.html?goback=.gde_4360339_member_102862545

O título do texto de hoje já traduz bem sua pretensão. Partindo de uma constatação simples, sobre o contexto moderno no mundo do trabalho, quero apontar para a importância de se pensar a educação nas empresas também como formadora de uma consciência crítica, que gera uma ação estratégica e condizente com o que pede o cenário. Antes de explorar melhor o tema, aproveito aqui uma contribuição interessante da literatura sobre educação nos tempos atuais:

” A rapidez da informação e a quantidade de informações apenas parecem autorizar interpretações previamente feitas, isto é, “significações possíveis”, que estão ao dispor e, por isso, são incorporadas tumultuadamente, sem sentido, de forma naturalizada e mecânica no íntimo das mentes e corações, em todo o mundo que tem acesso a essas informações. É neste processo de banalização e de insignificância da realidade que se funda o excesso ou a mais-valia de sentido dos discursos e das imagens que circulam no espaço público. “
 (Ferreira, 2006, p. 24).
A afirmação de Ferreira (2006) vem contextualizar de forma marcante o momento que vivemos, intitulado por muitos teóricos da comunicação como era da superinformação. De fato, existe muito para se conhecer, reter, descartar, aproveitar, reciclar… até os verbos são muitos. Uma das conformações principais que isso traz para a dinâmica da educação em geral, não somente nas empresas, é um comodismo natural. E isso ocorre em todas as esferas: os tidos como aprendedores se acostumam a receber um conteúdo formatado e, sobre ele, acreditam não ter que realizar nenhum esforço de “deglutição” ou transformação; por outro lado, outras fontes dessa cadeia também se acostumam a disponibilizar informações em formatos engessados, por meio de canais também engessados.É a tão falada zona de conforto que se cria no processo educacional. É uma dinâmica fácil, segura, tranquila e previsível. Apesar das suas limitações e tudo o que ela impede que aconteça em termos de produção de conhecimento e geração de sentido, as pessoas acabam preferindo essa monotonia porque não foram expostas aos desafios do conhecimento e criou-se uma resistência a isso. É comum ouvir as pessoas dizerem: “tenho muita coisa para fazer, não teria mesmo tempo para participar dessa atividade”. Além do costume, naturalmente surgem essas desculpas, associadas à zona de conforto que se criou.
Entretanto, não se pode pensar que esse cenário é imutável. Bem ao contrário, com a educação é possível sim quebrar essa zona de conforto e estimular a participação, a transformação e, principalmente, a formação de uma consciência crítica nas pessoas. E quando falo de consciência crítica, não me refiro aqui aos estereótipos do homem da negação, que tudo critica, mas nada acrescenta. Estou falando do indivíduo descrito por Paulo Freire, em obra intitulada Educação e Mudança de 1983. Para ele, opostas às marcas de uma consciência ingênua, estão as marcas do indivíduo crítico como deve ser:
– Ao se deparar com um fato, faz o possível para livrar-se de preconceitos. Não somente na captação, mas também na análise e na resposta;
– Repele posições quietistas. É intensamente inquieto. Torna-se mais crítico quanto mais reconhece em sua quietude a inquietude, e vice-versa.
– Repele toda transferência de responsabilidade e de autoridade e aceita a delegação das mesmas. É indagador, investiga, força, choca. Ama o diálogo, nutre-se dele.
– Face ao novo, não repele o velho por ser velho, nem aceita o novo por ser novo, mas aceita-os na medida em que são válidos.
Esse desenho ideal do indivíduo que entende a necessidade de sua ação consciente e crítica vem de encontro ao que acredito ser também necessário para as empresas. Os processos de treinamento e capacitação, em geral, sempre se preocuparam muito com o cumprimento de cargas horárias, grades de conteúdo e avaliações, mas dificilmente havia ou há um trabalho focado em formar esses indivíduos para um exercício crítico de suas atividades profissionais.
É nítido que se trata de um grande desafio. Primeiro porque, para isso, é preciso que haja um esforço conjunto. Todos são responsáveis e importantes. Além disso, planejar ações educacionais com esse viés requer trabalho pesado, articulação de vários atores e canais, criando ambientes propícios. E ainda temos as barreiras culturais de cada organização que precisam ser vencidas nesse processo.O que acredito ser fundamental é a estratégia educacional. Não é a ação pontual que vai trazer uma mudança de pensamento, atitude e resposta dos colaboradores de uma empresa. Tudo está ligado à estratégia. A criação de espaços e rotinas que proporcionem a discussão sobre o trabalho que é executado, que incentivem a inovação nos processos com vistas a melhorar resultados e outras ações dessa natureza são propostas simples que auxiliam nesse exercício da consciência crítica. Por mais banal que pareça ser, esse questionamento e busca por soluções transformam o processo de aprendizagem, gradativamente. Chegará o momento em que isso será natural e estará presente nas outras ações educacionais.Educação é um processo que só acontece em cadeia, onde todos precisam participar, não somente emitindo ou somente recebendo informações. É essa troca que faz a dinâmica educacional acontecer e gerar mudanças. Vejo como essencial numa empresa que se crie uma zona de aprendizagem, em contraponto à zona de conforto que existe em muitas áreas. Essa zona de aprendizagem deve interessar aos colaboradores por sua condição de ser ambiente de colaboração, experienciação, desenvolvimento, crescimento. Não é fácil quebrar rotinas e costumes enraizados numa cultura organizacional. Despertar consciências críticas vai exigir muito mais do que uma ação educacional. Vai exigir mudança de mentalidade, de planejamento e muito engajamento de todas as esferas da organização.
E você? Já saiu da zona de conforto e caminha para a consciência crítica quanto à sua atuação? O que pode compartilhar aqui para contribuir com a discussão?
Ubirajara Neiva
Gestor de Educação Corporativa
—-
Por Vítor Alberto Klein
Para mim, consciência crítica está diretamente relacionada à questão da Reflexão, ao questionamento das coisas !
Contudo me pergunto:  Será que a consciência crítica é bem-vinda em nossa atual civilização e realidade ?
Sinceramente ?  Eu acredito que não !
Não questione, simplesmente faça.
Não duvide, simplesmente aceite.
Não julgue, simplesmente assuma.
Não critique, simplesmente concorde.
Não pense, simplesmente obedeça….
Precedentes muito perigosos….
Claro está que tudo deve ser comedido, com o uso do velho bom-senso, pois existem aqueles que “viajam na maionese”, bem como os tipo: ” Se hay Gobierno, soy contra…” que “questionam tudo” apenas por questionar, sem nada agregar.

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