Vítor Alberto Klein's Blog

02/03/2012

O afeto que se encerra

Filed under: Variedades — vitoralbertoklein @ 11:34

Autor: Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br

Fonte:  http://ogerente.com.br/rede/responsabilidade-social/miseria-brasil-tabalho/?utm_source=Rede+O+Gerente&utm_campaign=050ea16e03-Rede_O_Gerente_02_03_2012&utm_medium=email

 

“Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!”
Refrão de “O Hino à Bandeira” de Olavo Bilac e Francisco Braga.

Horácio (65 a 8 a.C.), poeta lírico romano, autor de Sátiras, considerava que a felicidade social consiste no uso comedido dos bens da vida.  Aparece, desde a Renascença, como um dos pilares das virtudes clássicas de equilíbrio e de medida. Cada vez mais, chego à conclusão de que falta ao Brasil esse senso de limite definido por ele. Tivemos uma primeira república, aquela do marechal Deodoro, ganha pelos anti-monarquistas. As intrigas dos conservadores liberais acabou levando o império de D. Pedro II para o “vinagre”. Era um império tão atrasado que o escravagismo acabou num ano e o império no ano seguinte. Essa primeira república termina em 1930. Depois, o ditador Getúlio Vargas governa até 1945 e retorna ao poder pela via democrática em 1951. O chamado período democrático, que teve em Juscelino Kubitschek o seu mais legítimo guardião, desaba com a brutal ditadura militar em 1964. – E essa mesma ditadura se auto devora e sucumbe em 1985. A partir daí, temos uma sucessão de crises econômicas, políticas e sociais que culmina com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, um torneiro-mecânico que só foi comer pão aos 7 anos de idade.  Qualquer cidadão brasileiro sabe que o mundo olhou para Lula muito mais como uma figura exótica do que como um estadista. E não teria sido de outro forma, pois afinal que condição teve esse presidente, tão despreparado, para dirigir um país estruturalmente desorganizado que responde por apenas 0,35% do comércio internacional?  Falou-se até em dar o Prêmio Nobel pela campanha contra a fome. Entretanto, as pessoas mais esclarecidos dessa Botocúndia sabem que o Projeto Fome Zero não passou de um “Emplasto Braz Cubas” de que fala Machado de Assis em “Memórias Póstumas”. O que temos, na realidade, é um país onde 60% da população não tem esgoto. O índice de analfabetismo real chega à casa dos 55%, se considerarmos os analfabetos funcionais. Com frequência, pergunta-se: por que o povo não explode?  –  Ora, não é a miséria que faz o povo explodir. Se fosse a miséria, o Haiti já teria explodido. A miséria faz o povo ficar anestesiado, sem ação. Esse mesmo povo só deseja  normalidade de vida. E o que é  normalidade de vida? Apenas ter o direito de trabalhar e ganhar o suficiente para pagar as contas no fim do mês.  – É, sobretudo, amar e poder ser amado!

Todavia, como no poema de Drummond, “haveremos de amanhecer” e “encontrar a felicidade social no uso comedido dos bens da vida” como nos versos de Horácio.  –  E seremos um país que fica em pé. Em  pé para que todos  possam abraçá-lo de verdade.  Com  todo o afeto!

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