Vítor Alberto Klein's Blog

22/11/2011

O movimento no porto de Cingapura parece um filme publicitário em alta rotação

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 10:33

Fonte:  http://hrmlogistica.wordpress.com/

 

Num dia chuvoso de outubro, a rapidez com que os contêineres empilhados nas docas eram colocados para dentro dos navios por guindastes manejados por apenas um funcionário impressionava. Em poucas horas, o contêiner que chegou ao porto e teve a documentação processada em 40 segundos foi embarcado, a caminho de um dos 600 portos no mundo com o qual Cingapura mantém rotas regulares. “Meu sócio aqui em Cingapura recebe a mercadoria em seis horas depois que o navio chega ao porto”, contou o empresário Hans Schaeffer, diretor do Investe São Paulo, agência de promoção de investimentos do Estado de São Paulo, que viajou a Cingapura para atrair investimentos para o Estado.

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Porto moderno: mercadoria chega ao importador após seis horas do desembarque

 

Pelos cinco terminais do país, localizado estrategicamente no Oceano Pacífico, entre a Malásia e a Indonésia, passam 20% do movimento de transbordo de contêineres de todo o mundo, que chegam em meganavios e são redistribuídos dali para os diferentes cantos do mundo. Diariamente, saem do local 70 navios. A PSA International, dona do porto, administra ainda outros 27 terminais em 19 países, incluindo a China e  a Índia. No ano passado, a empresa teve um lucro de US$ 1 bilhão. Embora seu capital seja totalmente estatal – como parte do portfólio da Temasek Holdings, um dos dois fundos de investimentos de Cingapura, com recursos de US$ 404 bilhões –, ela é administrada como se fosse privada. E é assim que funciona a economia estatal de Cingapura: uma empresa pública só continua a existir se der lucro e for competitiva no mercado global. O mesmo vale para o aeroporto de Changi, por onde passaram, no ano passado, 42 milhões de passageiros e 1,8 milhão de toneladas de carga, em 5,9 mil voos semanais. Com 370 prêmios de melhor aeroporto do mundo, o Changi tem um braço internacional e está interessado em participar das concessões no Brasil.

Mas o que mais impressiona na cidade-Estado de Cingapura é o notável avanço na renda da população, multiplicada por dez desde os anos 1980 e hoje em US$ 43,8 mil por ano, a quinta mais alta do planeta. Com um território tão pequeno – apenas 710 km2, menos da metade da área ocupada pela cidade de São Paulo –, Cingapura aproveitou a posição estratégica e a experiência dos tempos em que era um protetorado britânico e um importante entreposto para as colônias asiáticas. Foi a partir daí que o país decidiu desenvolver o setor de  estaleiros, com duas grandes empresas, Keppel e Sembcorp Marine. Hoje, a Keppel opera estaleiros em 22 países, dois deles no Brasil, no Rio de Janeiro e Santa Catarina, onde tem US$ 500 milhões em encomendas de clientes como a Petrobras e o Grupo EBX. “A vantagem das empresas de Cingapura é a eficiência na gestão”, diz  Jaya Gopalakrishnan, diretor do Grupo de Américas do International Enterprise Singapore, a agência do governo encarregada de ajudar empresas a se internacionalizar. “Nosso negócio é a logística.”
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Interesse mútuo: durante a reunião do G-20, a presidente Dilma teve encontro com o primeiro-ministro de Cingapura, Lee Loong, para falar sobre  investimentos em portos do Brasil.
Nos últimos dez anos, o capital cingapuriano investido no exterior aumentou quase quatro vezes, e chegou a US$ 270 bilhões em 2009. O embaixador de Cingapura no Brasil, Choo Chiau Beng, que também é CEO do Grupo Keppel, diz que o país asiático tem interesse em investir em áreas como infraestrutura urbana e administração de portos e aeroportos. “Como embaixador, vou ajudar e estimular os investimentos, mas o Brasil tem muita burocracia, muitos níveis de tributação”, disse Beng à DINHEIRO. Nos últimos anos, ao enfrentar o desafio de administrar uma das mais altas densidades populacionais que se conhece, Cingapura desenvolveu tecnologias de planejamento urbano, dessalinização de água, tratamento de esgoto, além de transporte urbano, com integração de metrôs e ônibus. Na principal rua comercial de Cingapura, a Orchard, onde estão as lojas mais sofisticadas das grifes europeias, no fim da tarde ouvem-se mais passarinhos cantando nas enormes árvores do que buzinas de carros. Cingapura resolveu o problema do aumento da frota de veículos ao colocar um preço altíssimo para o direito de se ter um carro.
Atualmente,  uma licença, válida por dez anos, custa o equivalente a R$ 86 mil. A medida funcionou.  Enquanto no Brasil há um carro para cinco habitantes, em Cingapura a frota é de um para oito. Com um PIB de US$ 222,7 bilhões, Cingapura tem uma balança comercial três vezes maior, resultado da política de portos abertos. O que deixa o país vulnerável em momentos como este, de crise nos principais mercados consumidores. Mas o ministro de Comércio e Indústria, S. Iswaran, acredita que podem se abrir novas oportunidades de investimentos, especialmente na Europa. “No momento as empresas europeias estão mais baratas”,  diz Iswaran. Para atualizar seu parque industrial, o país investe em pesquisa e tecnologia. Depois de ter atraído empresas têxteis nos anos 1960 e gradualmente ter mudado o perfil para empresas de maior conteúdo tecnológico, em setores como eletrônica, refino de petróleo e engenharia mecânica, o país quer atrair, agora, empresas de biotecnologia.
Para isso, oferece benefícios a empresas estrangeiras, mas também investe em pesquisa. Nos próximos cinco anos, o orçamento é de US$ 12,5 bilhões, um dos mais altos do mundo na conta per capita. Na esteira desses investimentos, estão sendo atraídos especialistas internacionais. O físico brasileiro Antonio Castro Neto, professor da Universidade de Boston, por exemplo, divide agora seu tempo entre os Estados Unidos e a direção do Centro de Pesquisa do Grafeno, na Universidade Nacional de Cingapura. O grafeno é o material mais fino do universo, com espessura de um átomo, e pode ter uma enorme utilização industrial, desde a produção de tintas até transistores de alta velocidade. “Cingapura terá a oportunidade de registrar as primeiras patentes e garantir o mercado para os novos produtos”, disse Castro Neto à DINHEIRO.

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