Vítor Alberto Klein's Blog

23/10/2011

Os ingênuos de Wall Street

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 15:35

Por Rodolfo Araújo  —  16/10/2011

Fonte:   http://www.naopossoevitar.com.br/

Acompanho intrigado as recentes manifestações anticapitalismo anti-imperialismo, cujo símbolo maior é a ocupação de Wall Street, ícone do regime econômico dominante. Em virtude de seus princípios e objetivos, fico até comovido com a inocência dos participantes, a infantilidade das manifestações e a incoerência dos argumentos.

Como lembrou Clemente Nóbrega em sua lúcida coluna Ocupar Wall Street? Claro, por que não? Pensando bem, por que sim?, o capitalismo é o resultado esperado da vida em comunidade. Desde que deixamos de ser nômades caçadores/coletores e estabelecemos as primeiras civilizações, a troca de bens e serviços faz parte dos alicerces da sociedade.

Neanderthal
– Vocês precisam de um iPad mais rápido…

O desenvolvimento das técnicas que otimizaram a agricultura, a pecuária e a pesca, aumentou a produção de alimentos – o que proporcionou a sobra de outro valioso recurso: o tempo.

Além de dar início ao comércio dentro e fora das comunidades, este incipiente progresso levou ao desenvolvimento das artes, da engenharia, da astronomia e, last but not least, das finanças.

Diversas simulações em computador já mostraram que o surgimento do capitalismo é um caminho natural comum a várias espécies, independentemente da sua complexidade, como conta Eric Beinhocker em Origin of Wealth: Evolution, Complexity, and the Radical Remaking of Economics.

Os exemplos são abundantes na natureza: abelhas e formigas organizam-se em rígidas hierarquias hereditárias – e nem por isso as operárias fazem motim na colmeia ou no formigueiro. Bandos e manadas de mamíferos trabalham por seus machos alfa – e nem por isso fazem greve, embora em quase todos os casos haja fome e abusos.

Mesmo que os mais puristas torçam o nariz, a acumulação e concentração de riqueza e/ou poder é quase inevitável com o avanço de sociedades mais complexas.

* * * * * * * * * *

A ainda recente derrocada de sistemas alternativos – como o socialismo e o comunismo –  mostra que regimes igualitários falham por não levar em consideração outro elemento instrínseco à natureza humana: a motivação.

Quando o resultado final é fixo e garantido, não há incentivos para fazer mais nem para inovar – e o resultado (previsível) é a estagnação. Tais sistemas não impedem, tampouco, a perigosa acumulação de poder, nem a supostamente indesejável concentração de riquezas. Além disso, são terrenos férteis para a corrupção e outros abusos de autoridade.

WallStreetBull_frente
– Vem na minha que eu te banco!

Mercados mais livres e competitivos, por outro lado, incentivam a criatividade, premiam a ousadia e recompensam o trabalho duro.

Nestes ambientes, a Medicina trouxe drásticas melhorias na expectativa e qualidade de vida. A Ciência iluminou, saneou e abasteceu cidades inteiras e a Administração, por sua vez, tornou tudo isso possível.

Claro que também tivemos a bomba atômica, a poluição e o Restart, mas ninguém está dizendo que o progresso tem apenas uma via.

O fato é que tudo isso tornou-se possível apenas em função do dinheiro. Mas um dinheiro que não existia de fato. Um dinheiro criado a partir de algumas premissas do capitalismo. Um dinheiro vindo de financiamentos e investimentos. Um dinheiro vindo de Wall Street.

* * * * * * * * * *

A grande questão, então, não é o progresso em si – mas a velocidade cada vez maior com que queremos o progresso. Cada vez queremos mais coisas, cada vez queremos coisas melhores. Wall Street está aí para atender a este nosso desejo, à nossa ambição.

O mundo vive hoje um nível de consumismo incompatível com os valores que desejamos abraçar. Fazemos fila na porta da Apple para comprar aparelhos fabricados por trabalho escravo – que combatemos. Batemos palmas para os carros elétricos que precisam de usinas nucleares ou hidrelétricas como Belo Monte – que combatemos.

A incoerência das aspirações sociais e ecológicas frente àquilo que apontamos como a origem de todo o mal é gritante – exceto para os manifestantes. São multidões vestidas de Levi’s, amealhadas pelo Facebook, entretidas por iPods, portando cartazes made in HP, renegando seus próprios símbolos e modos de vida.

Se clamam por melhor regulamentação do mercado financeiro, então o motivo é justo, mas o endereço está errado. Este é um papel do governo, não dos bancos ou bolsas de valores. Políticos e governantes deveriam ser os alvos dos protestos. Ou, ainda, quem escolhe os políticos.

Gordon_Gekko
Greed is good!

O ritmo da atual economia é ditado pela eterna equação oferta x demanda. A primeira atende à segunda, em vez de criá-la. Se o dinheiro rola num nível frenético é porque você quer trocar de carro, comprar outro celular e ir para Miami nas férias. Para fazer compras.

Se a população está endividada até o pescoço é porque ela não se incomoda em pagar 100% de juros num sofá novo. É atribuir ao traficante a responsabilidade pelo seu vício.

Como sugerem Levitt e Dubner em Superfreakonomics, muitos culpam quem fornece bens e serviços considerados prejudiciais, em vez de quem os consome.

Ambição e consumo não são desejos inerentemente perniciosos. Deve-se apenas considerar os efeitos colaterais de seus excessos. Na economia, assim como na medicina, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose.

—-

Por Vítor Alberto Klein

Concordo (em parte) com as explicações e argumentos apresentados pelo autor deste artigo. Mas talvez, em alguns pontos, ele mude de idéia após assistir a este documentário:

http://www.twitvid.com/PY6MM

1 Comentário »

  1. Oi Vítor, obrigado por publicar o meu texto! Prometo ver o vídeo.

    Um abraço, Rodolfo.

    Comentário por Rodolfo Araújo — 24/10/2011 @ 2:17 | Responder


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