Vítor Alberto Klein's Blog

17/08/2011

General: Amorim é história negra da diplomacia brasileira

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 12:10

Quarta, 17 de agosto de 2011, 09h14 Atualizada às 09h57

Por Claudio Leal e Eliano Jorge

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5300189-EI6578,00-General+Amorim+e+historia+negra+da+diplomacia+brasileira.html

Depois da publicação de um artigo com críticas ao ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, no site da Academia Brasileira de Defesa, o General-de-Exército reformado Luiz Gonzaga Schroeder Lessa relata ter recebido mensagens de apoio de militares da ativa e da reserva, solidários com a tese de que o demitido “já vai tarde”.

Ex-presidente do Clube Militar, o general esclarece, em entrevista a Terra Magazine, a motivação do duro retrato de Jobim, criticado em sua “psicótica necessidade de se fantasiar de militar”.

O ex-ministro da Defesa foi substituído no cargo por causa de declarações polêmicas à revista “piauí”, desagradáveis para as colegas de ministério Ideli Salvatti (“fraquinha”) e Gleisi Hoffmann (“nem conhece Brasília”). Após a queda de Jobim, o ex-chanceler Celso Amorim assumiu a Defesa. E já desagrada ao general reformado, por seus atos no ministério das Relações Exteriores do governo Lula:

– Na minha opinião, causa (apreensão). Porque o passado do ministro Amorim, na área diplomática, foi um passado triste para a diplomacia brasileira. É uma história negra da diplomacia brasileira (…) Além do mais, na época do ministro Amorim, ele deixou passar um ato que eu considero um crime de lesa-pátria. Ele deixou ser aprovada na ONU (Organização das Nações Unidas) a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, que afronta a soberania brasileira.

Lessa avalia que Nelson Jobim tentou “usurpar” o comando supremo das Forças Armadas, atribuído constitucionalmente ao presidente da República. Dilma, analisa o general, reverteu essa tentativa, demitindo-o.

– Desde o primeiro momento, ela está tendo uma postura de comandante. O que os militares desejam é isso. Postura de comandante. Pela Constituição, quem é o comandante das Forças Armadas é o presidente da República ou a presidente da República. Ela tem exercido esta função com muita competência e não tem aberto mão dela como o Lula fazia (…) O Jobim, mais de uma vez, quis quase que usurpar essa função. Não é dele!

Além de enfatizar que “fala por si mesmo”, e não por militares das três armas, Luiz Gonzaga Schroeder Lessa prefere não listar casos de humilhação contra oficiais, que teriam sido praticados pelo ex-ministro. Na contra-corrente, contesta as análises de que Jobim conquistou aceitação militar e acalmou as Forças Armadas nos últimos anos.

– Eu me surpreendo e até me preocupo de ver um grande número de companheiros e camaradas, da ativa e da reserva, me mandando mensagens sobre esse senhor. Isso mostra que, supostamente, ele não tinha essa aceitação que a imprensa fala. Todos nós sabemos disso. Ninguém gosta de ver um ministro bazofiando, só falando bazófia e mais nada.

Na manhã desta quarta-feira (17), o ministro da Defesa, Celso Amorim, por meio de sua assessoria, avisou que não vai comentar as críticas.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – O que motivou seu artigo? A área militar estava ressentida com o ex-ministro Nelson Jobim?
General Luiz Gonzaga Schroeder Lessa – É preciso ficar bem claro que esse artigo é unicamente de minha autoria. Eu não quero, com esse artigo, dizer que estou falando pelo Exército, a minha origem, nem pela Marinha e nem pela Aeronáutica. Falo por mim mesmo. Tenho acompanhado, ao longo dos últimos anos, a trajetória do ex-ministro. E o que eu tenho visto é sempre um sinal de manifestações grandes de prepotência, de desprezo pelos camaradas que serviram com ele, pelas promessas feitas e não realizadas. Enfim, pela grande lacuna que ele deixa no ministério da Defesa em função daquilo que dele se esperava.

Como ex-presidente do Clube Militar, o senhor ouviu relatos de oficiais das Forças Armadas que se sentiram melindrados pelo tratamento dado por Jobim?
Isso não precisa. Você veja, converse com outras pessoas que tiveram contato com ele, e vai sentir a forma, eu não diria cavalheiresca, porque a gente não precisa disso nas Forças Armadas… A gente precisa é de camaradagem e de lealdade. Nisso aí, vejo a coisa mal no relacionamento. Fiz esse artigo de minha própria iniciativa, ninguém me pediu pra fazer nada. Quando eu era presidente do Clube, sempre escrevi, tive muitos escritos publicados pela imprensa, mas o que quero lhe dizer é o seguinte: me surpreendo com a quantidade de mensagens que eu tenho recebido de apoio e solidaridade. O que, até, me preocupa…

Por quê?
Porque mostra a grande lacuna que esse senhor deixou nas Forças Armadas. Em vez de ser um fator de união, ele produziu grandes dissensões dentro dos integrantes das Forças Armadas. A obra material é muito importante, mas a obra pessoal é aquela que congrega, que une todos em direção a um só objetivo. Sinto, pelas mensagens que eu tenho recebido da ativa e da reserva, de todos os postos, essa insatisfação grande com o ministro que se foi. Por isso que eu disse: “Já vai tarde!”.

Mas não é curioso que, durante a presença dele no ministério e até na hora da saída, a mídia tenha enfatizado que ele conseguiu, supostamente, unificar as Forças Armadas e acalmá-las?
Não quero entrar nisso, companheiro. Não quero. Quero dizer que ele prometeu muito e fez muito pouco. Entra num aeroporto e viaja… Veja como estão os nossos aeroportos, veja como está a nossa infraestrutura aeroportuária… Isso tudo era promessa dele. Iria construir não sei quantos aeroportos, novas pistas… Onde está isso tudo? Ficou numa promessa vã. Na área militar, uma coisa é muito importante: “Fecha a boca, porque se você falar, tem que cumprir”. O que você falar, cumpra. Nem que seja pouco, mas cumpra. Agora, falar como ele falou, vozes ao vento, baboseiras e mais baboseiras, discursos e mais discursos… Então, não quero entrar em satisfação ou insatisfação. Eu me surpreendo e até me preocupo de ver um grande número de companheiros e camaradas, da ativa e da reserva, me mandando mensagens sobre esse senhor. Isso mostra que, supostamente, ele não tinha essa aceitação que a imprensa fala. Todos nós sabemos disso. Ninguém gosta de ver um ministro bazofiando, só falando bazófia e mais nada. Pra que um ministro precisa vestir farda de general do Exército? Parece que ele tinha uma ideia fixa de que tinha que ser general, tinha que botar uma farda do Exército…

Ao usar a farda militar, ele fere os princípios da criação do ministério da Defesa?
Fere. Fere. Ele não é militar! Ele pode, esporadicamente, botar uma farda militar, quando for acompanhar um exercício… Mas, nem deve, né? Ele não é militar, ele é civil. Sabe quantos anos se leva pra ser um general de Exército? No mínimo, quarenta anos, companheiro. Não é concurso em que se cola aqui um distintivo. É isso que ele fez. Precisa ter méritos, precisa ter trabalho feito na Força pra ser aceito e respeitado como general. Ele inventou isso, outros ministros não inventaram isso. Houve uma época em que até se impetrou uma ação na Justiça contra ele usar o uniforme. A Justiça deu ganho de causa, mas não tem aceitação nas Forças Armadas. É preciso dizer.

A Comissão da Verdade incomodou os militares, o modo como ele conduziu essa questão?
Isso aí continua incomodando, pela posição dúbia. Uma hora diz uma coisa, outra hora diz outra. É uma posição dúbia. Vamos ver o que vem pela frente.

Como tem se portado a presidente Dilma com as Forças Armadas?
A presidente, desde o ínicio, diferentemente do Lula… Lula era até um pau-mandado por ele mesmo (Jobim)… Não quero aqui dizer que sou partidário da presidente. Não votei na presidente. Mas, desde o primeiro momento, ela está tendo uma postura de comandante. O que os militares desejam é isso. Postura de comandante. Pela Constituição, quem é o comandante das Forças Armadas é o presidente da República ou a presidente da República. Ela tem exercido esta função com muita competência e não tem aberto mão dela como o Lula fazia. Lula meio que inventou uma figura entre o presidente e as Forças, que era o ministro da Defesa. O Jobim, mais de uma vez, quis quase que usurpar essa função. Não é dele! A função de comandante das Forças Armadas é do presidente, a menos que uma nova Constituinte mude isso. O presidente traz atrás de si os milhões de votos do povo brasileiro. Ele tem a força dos milhões de votos. O ministro da Defesa é um funcionário demitível a uma canetada como a que Dilma deu nele. Uma canetada e, em cinco minutos, ele não era mais ministro. Por isso que ele não pode ter essa força de querer ser o comandante. Fazer sem dar satisfação para a presidente… Não é verdade com a Dilma. Desde o primeiro momento, ela disse: “Eu sou a comandante das Forças Armadas”.

A indicação de Celso Amorim para a Defesa causa apreensão aos militares?
Olha, não sei se causa, estou dando a minha opinião. Na minha opinião, causa. Porque o passado do ministro Amorim, na área diplomática, foi um passado triste para a diplomacia brasileira. É uma história negra da diplomacia brasileira. Eu diria isso. O que foi feito nos oito anos do Amorim deslustra a diplomacia brasileira, que é uma diplomacia reconhecida no mundo inteiro. Além do mais, na época do ministro Amorim, ele deixou passar um ato que eu considero um crime de lesa-pátria. Ele deixou ser aprovada na ONU (Organização das Nações Unidas) a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, que afronta a soberania brasileira. Isso tem impacto direto nas Forças Armadas. É responsabilidade das Forças Armadas zelar pela soberania do País. Ele aprovou, digo o embaixador sob as suas ordens, na ONU, a Declaração dos povos indígenas. Já estamos cobrando medidas, consequências dessa aprovação. De uma hora para outra, o Brasil pode ter 216 nações, e não uma única nação, que é a brasileira, que nós fizemos com mais de 500 anos de luta. Esse é um crime que não se pode permitir a um ministro das Relações Exteriores. E, como ministro da Defesa, o compromete, sem dúvida alguma.

O senhor pretende retornar à presidência do Clube Militar?
Não, já fui convidado pra isso. Acho que já cumpri minha missão. Fiquei meus quatro anos lá, e não tenho interesse nenhum. Já sofri, em épocas anteriores, insistentes convites. Dei o que eu podia dar em benefício do Clube, não tenho mais interesse. Torço para que o atual presidente e os que vierem sejam muito felizes na presidência.

Por Vítor Alberto Klein

Primeiro, o manifesto do presidente em exercício da Associação dos Delegados de Polícia Federal (divulgada neste blog), agora esta entrevista com um General de Exército…

Algumas coisas andam um “pouco estranhas” ao Sul do Equador….

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