Vítor Alberto Klein's Blog

07/07/2011

Em evento que marca saída de Marina do PV, fundadores criticam rumos do partido

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 19:08

Janaina Garcia – Do UOL Notícias – Em São Paulo

Fonte:  http://noticias.uol.com.br/politica/2011/07/07/em-evento-que-marca-saida-de-marina-do-pv-fundadores-criticam-rumos-do-partido.jhtm

Em um ato público nesta quinta-feira (7) em São Paulo, no qual a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva anunciou sua saída do Partido Verde (PV), dois dos fundadores da legenda criticaram os rumos do partido.

O ex-deputado Fernando Gabeira (RJ) e o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ) criticaram a legenda e defenderam a criação de um novo partido, em data ainda não definida, e a criação de um movimento suprapartidário. Sirkis anunciou sua saída da legenda e Gabeira demonstrou apoio à causa de Marina.

“Os partidos estão hoje muito desgastados e alguns distantes da população. Vamos olhar para os partidos com suas limitações ou pensar em um novo?”, questionou Gabeira, sinalizando uma possível saída do partido futuramente. “De repente o PV se ligou que há milhões e milhões de pessoas que não estavam ligadas a ele.”

Sobre o destino de Marina e dos demais dissidentes do PV ele afirmou que “certamente será um movimento muito mais forte”.

Já Sirkis admitiu que a crise interna na legenda começou neste ano, cerca de cinco meses após a eleição, quando “solicitou ao Zequinha Sarney [da Executiva Nacional do PV] que houvesse mudanças, por exemplo, em relação à nomeação de dirigentes”. “Não faz sentido a nomeação em cerca de 5.000 municípios sair da caneta de uma única pessoa”, disse.

Em nota oficial divulgada hoje, o PV afirmou que “está passando pela primeira grande crise de crescimento” e nega que não haja democracia interna na legenda.

Histórico

A saída de Marina acontece nove meses após o primeiro turno da eleição para a Presidência da República, quando ela saiu politicamente fortalecida ante seus cerca de 20 milhões de votos, e já em meio aos acordos partidários que antecedem a sucessão municipal de 2012.

Há semanas a desfiliação é cogitada, em meio a desgastes internos que se arrastam pelo menos desde março com a cúpula do PV. Em março, reportagem da Folha de S.Paulo antecipava a disposição da ex-senadora em deixar o PV após o presidente do partido, o deputado federal José Luiz Penna (SP), ter liderado uma manobra na Executiva Nacional para prorrogar o próprio mandato.

A reportagem tentou ouvir Penna sobre a saída de Marina, mas a assessoria de imprensa da legenda informou que ele se manifestaria, “talvez”, apenas após o anúncio da colega na capital paulista.

Analistas comentam

Analistas políticos consultados pela reportagem no Rio e em São Paulo acreditam que a saída de Marina do PV é consequência de mudanças na legenda não apenas após o pleito de 2010, mas também nos últimos anos. Para os especialistas, a forma como Marina atuará será decisiva para os resultados da sucessão presidencial em 2014.

Para o cientista político Carlos Melo, do Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa, Marina não conseguiria se viabilizar hoje “em partido algum”. “Porque as estruturas partidárias estão todas viciadas: os partidos têm donos, têm projetos pessoais e grupos articulados com outros interesses e compromissos –e por mais sucesso que um ‘forasteiro’ tenha, esse caciquismo está presente em todos.”

Melo acredita que o mais adequado, após a saída do PV, seria que a ex-senadora e os defensores de suas propostas formassem uma organização própria que abraçasse outras causas sociais, e não apenas a ambiental. A partir dessa base, defende, a participação no pleito municipal do ano que vem seria base importante para a disputa de 2014.

“Infelizmente, a meu ver, a Marina deixou de manifestar o novo –e talvez os 20 milhões de votos que ela recebeu expressassem algo novo em meio a essas estruturas viciadas. E esse ‘novo’ precisa de novo surgir. Nesse momento é importante ela e seus companheiros se expressarem por meio de uma ONG, de toda a rede social que ela montou e que minguou muito da eleição para cá. E seria de bom grado que pudesse organizar minimamente um partido e disputasse, com uma agenda nova, uma grande capital brasileira –o Rio seria a cara dela, ou até mesmo São Paulo”, classificou Melo.

O professor de Ciência Política da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Jairo Nicolau afirma que o PV nacional, que buscou inspiração no PV europeu, encontrou realidade divergente no Brasil “porque aos poucos foi perdendo as pessoas que abraçavam a agenda original do PV”. Para o analista, a legenda se tornou “um partido tradicional; perdeu o charme”.

“Nesse contexto, a Marina acabou ficando em uma sinuca de bico. Como liderança civil, ela deveria fortalecer sua atuação na sociedade em torno do debate dos grandes temas e só então, depois das eleições do ano que vem –pois não haveria tempo hábil para criar uma sigla agora–, pensar um partido próprio”, afirmou Nicolau. “Ela não deveria ficar orientada pela recandidatura. Sua contribuição é muito maior como liderança civil, descolada de um certo oportunismo eventual.”

Por Vítor Alberto Klein

Particularmente, a saída de Marina Silva do PV, tem o mesmo efeito de uma saída de Lula do PT. Vá entender essa política….

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