Vítor Alberto Klein's Blog

16/05/2011

Se pelo menos ensinassem Português

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 12:13

Fonte:  http://jeffersonws.blogspot.com/2011/05/se-pelo-menos-ensinassem-portugues.html

Por Jefferson Santos

Caros amigos, para um país extremamente dependente de investimentos externos, apesar de riqueza abundante, tendo tal situação agravada pela baixíssima capacidade de competirmos globalmente com produtos de algum valor agregado, vemos que a Educação era a esperança dos governantes de esquerda, nos últimos vinte e cinco anos e nada aconteceu e, pelo visto, com o relatado abaixo, tenderá a piorar e muito.

O economista já deu exemplos muito bons que dispensam motivos a mais para se falar. Relembramos que esse será o caminho inverso para se diminuir o apagão de mão-de-obra especializada e redução da desigualdade social.

É o que se tem quando a ideologia prevalece nas questões de Estado e temos uma sociedade, apesar de uma farta capacidade de meios de se comunicar, vive alheia aos assuntos coletivos e de bem-comum.


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Se pelo menos ensinassem Português
CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O Estado de S.Paulo 
Os brasileiros falam de muitos modos. Há alguns programas de rádio no Nordeste que são simplesmente incompreensíveis para os paulistas. Um linguajar gaúcho bem cantado soa difícil em Manaus. Mas, quando se trata de estudar Matemática ou Ciências, todos os alunos brasileiros precisam saber o português, digamos, oficial, a chamada norma culta. Ou, ainda, quando uma companhia de Tecnologia da Informação (TI) lança um novo produto, uma máquina têxtil, por exemplo, o manual estará escrito no português normatizado, o dos dicionários.
Logo, as escolas brasileiras devem ensinar esse português, certo? Não é bem assim – é o que estão dizendo professores e linguistas alinhados na tese de que não há o certo e o errado no uso da língua. Há apenas o adequado e o inadequado. Assim, “nós pega o peixe” não está errado. E se alguém disser que é, sim, errado, estará cometendo “preconceito linguístico”.
Essa tese se encontra no livro Por Uma Vida Melhor, da Coleção Viver, Aprender (Editora Global), que foi adotado, comprado e distribuído pelo Ministério da Educação a milhares de alunos. Daí a polêmica: trata-se de um livro didático, não apenas de uma obra de linguística.
Mas a polêmica está tomando caminhos equivocados. O pessoal favorável a essa tese argumenta com a variedade da língua falada e com a evolução permanente da língua viva, acrescentando algumas zombarias com o que consideram linguajar culto, das elites, mas que não passa de um falar empolado.
Um velho amigo se divertia fazendo frases assim: “ele saiu em desabalada carreira pela via pública”, em vez de “ele foi correr” ou “fazer jogging”.
Brincadeiras. No entanto, um aluno de 15 anos deveria rir dessa brincadeira.
O que o senhor acha, caro leitor? O aluno médio de uma escola pública brasileira perceberá o jogo com aquelas palavras? Entenderá sem esforços que se trata de um modo rococó de dizer algo simples?
Eis o equívoco em que nos estamos metendo. Em vez de tomar como prioridade absoluta o ensino da língua “oficial”, aquela na qual vêm escritos os jornais, os manuais de TI, os livros de Matemática e os de Ciências, abre-se um debate para dizer que as crianças brasileiras podem falar e escrever “os menino pega os peixe”.
É claro que podem. Mas precisam saber que esse não é o correto. E, se não souberem o correto, não poderão ler aquilo que os vai preparar para a vida profissional e para a cidadania.
Vamos falar francamente: uma pessoa que se expressa mal, que conhece poucas palavras e poucas construções, é uma pessoa que pensa mal, que compreende pouco.
Os alunos de Xangai foram muito bem no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) – o teste internacional para jovens do ensino médio, aplicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A prova avalia o conhecimento da língua, Matemática e Ciências. Na imensa China, entre 1,35 bilhão de habitantes, falam-se muitas línguas e muitos dialetos. Mas há uma língua oficial, escrita e falada, na qual os chineses estão alcançando posições de ponta na ciência e na tecnologia. Ensinam a língua intensamente.
Os alunos brasileiros vão mal no Pisa. Apresentam baixíssimo índice de compreensão de textos. Não sabem Português, e esse é um problema social e econômico. A baixa educação simplesmente condena à pobreza.
Dizer aos meninos, em livros didáticos, que “nós pega o peixe” está certo não é apenas um equívoco, é um crime. E discutir essas teses é perda de tempo, energia e dinheiro.
É como se tivessem desistido. Como não se consegue ensinar o Português, então vale o modo errado. E quem pensa diferente é preconceituoso. E então não precisa ensinar mais nada, não é mesmo?
Nossos professores, educadores e linguistas deveriam concentrar seus esforços num tema: como ensinar a língua culta para todos os alunos das escolas públicas e rapidamente. Conseguido isso, depois que nossas notas no Pisa alcançarem os primeiros lugares, então, tudo bem, vamos discutir as variações e os modos populares.

2 Comentários »

  1. O Sardemberg não é da área. Como pode se manifestar radicalmente contra um assunto sobre o qual ele não entende? Se linguistas das maiores universidades do Brasil entendem que as variações regionais do português oral devem ser respeitadas e aceitas, quem é ele para discordar? Pelo menos deveria consultar um especialista na área para dar uma upinião com mais propriedade.

    Comentário por Renato — 18/05/2011 @ 19:19 | Responder

  2. Caro Renato,

    Se ele é especialista ou não, não sei e não importa, mas eu particularmente concordo com ele !
    Variação regional é uma coisa, agora, Português errado é outra !
    Me diz em qual estado se fala ” os menino pega o peixe ” ?
    Isto é uma blasfêmia contra a nossa língua-mãe.

    abs.

    Comentário por vitoralbertoklein — 18/05/2011 @ 21:57 | Responder


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