Vítor Alberto Klein's Blog

25/04/2011

O despreparo leva à evasão

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 10:10

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Por Pedro Pereira

Fonte: http://www.amanha.com.br/gestao-internas/50-gestao-1/1749-o-despreparo-leva-a-evasao

Quase 21% dos alunos que ingressam no ensino superior acabam abandonando o curso. motivo: grande parte deles simplesmente não consegue acompanhar as matérias dadas em aula.

O Brasil passou tanto tempo lutando para ampliar o acesso da população ao ensino superior que, quando finalmente conseguiu, deparou-se com um problema novo: os altos índices de evasão. Somente em 2009, conforme os dados mais recentes do Censo da Educação Superior, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), quase 900 mil estudantes abandonaram seus cursos no Brasil – o equivalente a 20,9% do total matriculado nas universidades. E a principal razão das desistências tem pouca ou nenhuma relação com o ensino superior em si. Trata-se, simplesmente, da dificuldade – imensa, às vezes insuperável – que os alunos encontram para acompanhar as aulas logo depois de serem admitidos.

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A cada ano, 10,5% dos estudantes matriculados nas universidades públicas abandonam seus cursos, segundo o MEC. O índice cresce para 24,5% quando se analisam somente as instituições privadas. Vem daí, aliás, a tese de que o preço das mensalidades é o grande desencadeador da evasão. Não é. O bolso conta, é claro, mas sua influência é menor do que a falta de preparo para acompanhar as aulas. “Quando o aluno chega na universidade, há uma quebra de realidade muito grande. Ele acaba se sentindo um idiota e sai”, explica Oscar Hipólito, especialista em educação pelo Instituto Lobo, de São Paulo.

Em outras palavras, o grande causador de evasão nas universidades brasileiras está nas escolas de ensino médio – onde os estudantes convivem com estruturas precárias, professores despreparados e aulas de qualidade duvidosa. E isso explica por que o Brasil, apesar de todos os avanços, não consegue se igualar a seus vizinhos na busca da universalização da educação superior. Hipólito, do Instituto Lobo, diz que o país deveria ter até 30% da população de 18 a 24 anos nas universidades, em 2010. “Mas não chegamos nem a 15%, enquanto vizinhos como a Bolívia têm índice maior que 40%”, compara ele.

Historicamente, as universidades públicas e privadas sempre ofereceram cursos de nivelamento para alunos admitidos naquelas faculdades que exigem destreza em física, matemática e química, por exemplo. Mas algumas já começam a pensar em cursos desse tipo para todas as disciplinas – até como forma de facilitar a adaptação ao ritmo da educação superior. “Isso acontece principalmente com os estudantes oriundos da rede pública”, explica Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, como é conhecido o sindicato dos mantenedores de universidades privadas do Estado de São Paulo. Pelos cálculos dele, 40% dos alunos desistem porque não conseguem aprender o que o professor diz. “As classes C e D começaram a ingressar mais nas universidades, nos últimos anos, mas a dificuldade advinda da formação curricular básica muitas vezes impede que eles acompanhem as aulas”, observa Capelato.

O bolso também conta

O Brasil tem feito grandes esforços para incluir os estudantes das classes C e D nas universidades. Em parte, esse esforço passa pelo lançamento do ProUni, que subsidia mensalidades nas instituições particulares, Entretanto, a realidade mostra que ainda são poucos os jovens que conseguem conciliar as aulas com a necessidade de buscar um sustento – o que contribui para ampliar os índices de evasão entre os que têm renda menor. Nas universidades públicas, por exemplo, grande parte dos cursos é oferecida em turno integral, o que reduz significativamente a possibilidade de o aluno estudar e trabalhar. A psicóloga e coach de carreira Claudia Carraro chama a atenção para o fato de que frequentar as aulas também implica vários custos extras “Mesmo quem não paga mensalidades se depara com gastos em outras coisas, como moradia, alimentação, transporte, livros e materiais em geral”, argumenta.

Já nas universidades particulares, a dificuldade financeira, na maioria dos casos, está relacionada diretamente ao pagamento das mensalidades. “É um comprometimento grande com o custeio indireto, como material, transporte e alimentação, podendo chegar a 40% da renda. Assim, qualquer problema familiar ou profissional pode acabar inviabilizando [os estudos]”, explica Rodrigo Capelato, do Semesp. Nesse sentido, os programas de financiamento estudantil podem até ajudar, mas ainda estão longe de resolver o problema da evasão. “É necessário que se crie um sistema de financiamento para ser pago em 20 ou 30 anos e com juros menores, prevendo algum tipo de retorno para o Estado. O atual prazo médio, que é de oito anos, é insuficiente”, alerta Oscar Hipólito, do Instituto Lobo.

Até mesmo a burocracia necessária para se ter acesso ao financiamento compromete a capacidade de se continuar estudando. “Muitas vezes, o aluno fica esperando um longo tempo e, no final, o financiamento não é liberado”, aponta Leticia Bechara, coordenadora de vestibular da Trevisan Escola de Negócios, de São Paulo.

” As classes C e D começaram a ingressar mais nas universidades, mas a dificuldade advinda da formação curricular básica muitas vezes impede que eles acompanhem as aulas. ”  (Rodrigo Capelato – Diretor executivo do Semesp).

Ela lembra que a escolha equivocada do curso também contribui para o alto índice de desistência entre os universitários. A carência de informações sobre as atividades de cada profissão faz com que muitos deles percam o estímulo de continuar. Muitas vezes, isso acontece já nos últimos períodos do curso, quando eles finalmente têm, através do estágio, um contato real com o mercado – e percebem que não se enquadram naquela profissão. “Você pergunta para adolescentes em uma sala de aula quem quer ser vendedor e nenhum levanta a mão. Mas o mercado que mais oferece vagas, hoje, é o comércio”, diz Letícia. “Eles desconsideram a hipótese de estudar marketing, por exemplo, porque não veem brilho na profissão. Acabam esquecendo de ver as oportunidades.”

Em tempos de redes sociais on-line, com ferramentas tecnológicas tornando-se obsoletas a cada seis meses, há ainda outro fator de estímulo para a evasão: a falta de atualização das grades curriculares. Enquanto alguns alunos têm dificuldade de acompanhar as aulas, outros já chegam dominando as matérias dadas. “A universidade não identifica o que o aluno já sabe para, a partir disso, trabalhar novos conceitos. Obriga-o a repetir tudo o que já aprendeu e essa rotina se torna muito chata. Então ele desiste e vai para o mercado”, critica Hipólito.

O problema oposto

Apesar de o quadro atual ser preocupante, os especialistas acreditam em uma reversão gradual nos próximos anos. Uma das razões é a crescente procura pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cada vez mais utilizado como critério de seleção pelas universidades. “No último exame, mais de metade dos inscritos haviam concluído o ensino médio há mais de um ano”, relata Letícia. Para ela, isso é indicativo de que muitas pessoas já haviam ultrapassado o período tradicional de prestar vestibular e reconsideraram a possibilidade de cursar o ensino superior em um momento de maior maturidade.

Para encaminhar uma solução definitiva, será necessário não só um aprimoramento da qualidade do ensino médio mas também uma flexibilização do ensino superior. “Muitas desistências seriam evitadas se os estudantes pudessem ser transferidos de um curso para outro, por exemplo”, sugere Capelato. De preferência, com um bom preparo prévio.

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