Vítor Alberto Klein's Blog

05/04/2011

INTERNET: ÁGUAS LIMPAS OU LAMACENTAS ?

Filed under: Atualidades — vitoralbertoklein @ 12:18

Fonte:  http://portaldosanjos.ning.com/profiles/blog/show?id=3406316%3ABlogPost%3A489001&xgs=1&xg_source=msg_share_post

 

Por: não há menção do autor.

 

“Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”.

Drummond


A Internet nos dá uma sensação de poder muito grande, passa a sensação de infinitude, apesar de ser finita, e ao mesmo tempo que parece um mundão, parece um mundinho… Podemos ficar incógnitos e muito conhecidos também.
Como é que algo pode ser um mundão e um mundinho ao mesmo tempo? Como é que alguém pode ter a sensação de ser incógnito e muito conhecido ao mesmo tempo? Como podemos ter a sensação de estarmos navegando num oceano e também de estarmos encalhados num charco?
Em princípio, quando entramos em contato com a Internet temos a sensação de estarmos num mundão. Com o tempo, inúmeras vezes temos oportunidade de perceber que nos encontramos num mundinho… Ela tem o poder de ser grande e pequena ao mesmo tempo.
Já pensou nisso?
Já teve essa sensação, navegando na Internet?
Na minha opinião, esta é a verdadeira virtualidade da Internet!
“Verdadeira virtualidade”…
Isso é um contrasenso, não?! Se é verdadeiro (real), não é virtual!
A meu ver, não há contrasenso. O que acontece, é que estamos acostumados a raciocinar de uma forma linear, lógica.
No tipo de pensamento linear, os opostos são excluídos. O pensamento é baseado na exclusão, ou seja: ou isto ou aquilo. Este, é o tipo de raciocínio que denomino de OU/OU.
Há uma outra forma de raciocinar que é o pensamento paradoxal. Aqui, os opostos convivem simultaneamente e o pensamento é baseado na inclusão, ou seja, isto e aquilo. É o tipo de raciocínio que denomino de E/E. Veja a questão das ondas de energia que podem se comportar como partículas de matéria e vice-versa.
Arrisco-me a dizer que, cada vez mais, no novo século e no novo milênio, o mundo ocidental (pois o oriental já está mais acostumado) terá que raciocinar na modalidade E/E!
O paradigma do raciocínio OU/OU está ruindo, pois não corresponde à realidade, sempre…
O universo é paradoxal.
Pense nisso…
Universo… mundão… mundinho… Internet.
A Internet é realmente um mundão, porque é muito rica, muito fértil em termos de conteúdo e opções para navegação. Através dela, conseguimos entrar em contato com pessoas de outros países, ver imagens de cidades em tempo real, consultar bibliotecas, visitar museus, ver as condições do tempo, fazer compras, participar de leilões, conseguir emprego, ouvir música, assistir filmes, enviar flores, presentes, fazer reservas de vôo e hotéis, pagar contas, encomendar jantares, fazer reuniões, discutir assuntos de trabalho, jogar conversa fora, ler notícias, acompanhar o dia de um internauta e até praticar delitos!
É também possível namorar, fazer amizade, ‘transar virtualmente’, jogar, estudar, fazer campanhas, encontrar pessoas perdidas, protestar, contar piadas, consultar profissionais nas mais diversas áreas, enfim, é quase impossível listar tudo que é possível fazer na Internet!
Não é um mundão?
Porém… parece um mundinho bem pequerrucho quando entramos num chat e encontramos sempre as mesmas pessoas. Ou então quando assinamos uma lista de discussão e novamente encontramos pessoas com quem já ‘topamos’ em outro lugar, num chat ou num outro grupo de discussão completamente diferente.
Estranho… muito estranho…
Nessas ocasiões, parece que a Internet é a extensão do nosso grupo de trabalho, da escola, do nosso círculo de amizades, da vizinhança, dos lugares que costumamos freqüentar! É realmente um mundinho bem familiar!
Que fenômeno seria este?
Tenho comigo que isto acontece porque na Internet, as pessoas também se agrupam de acordo com suas preferências, interesses, afinidades. As regras naturais do mundo real também acabam ocorrendo no mundo virtual. Não podia ser diferente, pois são pessoas que estão se comunicando e não apenas máquinas conectadas umas às outras!
Todavia, inúmeras pessoas não percebem isso e se comportam como se estivessem realmente num mundo virtual, num mundo de possibilidades, de fantasia, apenas.
Escondem-se atrás de um aparente anonimato e muitas vezes cometem delitos ou deliberadamente expressam-se de forma diferente do que realmente são. Agem com se na Internet tudo fosse possível!
De certa forma, isto é verdade…
Elucubrações à parte, acho mesmo que a Internet é repleta de paradoxos.
Precisamos reformular nossas cabeças e nossa linguagem para conseguirmos entendê-la. Muitos falam nos perigos da Internet…
A meu ver, um dos maiores perigos está na sensação de poder que sentimos ao vermos as distâncias encurtadas como num passe de mágica, “num simples clicar de mouse”! Muitas vezes temos a sensação de que podemos abraçar o globo terrestre, ou quem sabe brincar de jogar bola com ele, como naquela cena do filme “O Ditador”, de Charles Chaplin! O perigo está na sensação de poder que sentimos ao clicar o mouse e estarmos quase que instantaneamente em qualquer lugar, falando com qualquer pessoa, a qualquer hora!
Na Internet não existe barreira de tempo e de espaço. (Algo a ver com a física quântica, com a parapsicologia?).
Fuso horário? O que é isso?!? Não importa! O mundo e as pessoas estão a nosso dispor 24 horas por dia, 365 dias por ano!
Creia, haverá sempre algum conhecido ou algum anônimo navegando na Internet!

Anônimo… Aí está outro grande perigo e grande ilusão: o anonimato! O anonimato gera a ilusão de impunidade e a sensação de que tudo é permitido! Em função disso, muitas coisas negativas já ocorreram com internautas que confiaram cegamente nas informações obtidas da pessoa com quem estavam conversando ou se correspondendo. O anonimato gera a ilusão de que é permitido assumir até mesmo outra personalidade, outro status, outra história pessoal!

A Internet é a “terra de ninguém”, sem dono e quase sem leis*.

Muitos a vêem e a utilizam como um gigantesco parque de diversões! Outros, como já foi falado, como um grande bureau de negócios. Alguns pioneiros, como sala de cirurgia. Outros ainda, como sala de aula. É utilizada também para encontrar pessoas, dar auxílio àquelas doentes, promover campanhas para a paz mundial e as mais diversas causas nobres. Há quem a utilize para fazer sexo virtual.

Sexo virtual…

Quando iríamos imaginar que haveria essa forma de se relacionar? Por esses dias li num site, numa sessão para adolescentes, um depoimento de uma guria manifestando sua preocupação em relação à sua mãe. Ela dizia que descobrira que sua mãe tinha ‘um amante virtual’ há cinco anos. Comentava, angustiada, que não entendia os motivos, já que sua mãe e seu pai se davam bem, tinham uma vida boa e etc… Perguntava, então, à psicóloga encarregada da seção, o que deveria fazer.
Parece piada, não?
Não me refiro ao fato da garota perguntar à psicóloga, mas ao fato de sua mãe ter um ‘amante virtual’, claro! Pois é, ‘amante virtual’, veja só!
A forma das pessoas se relacionarem está sofrendo uma revolução brutal, com certeza. Como ficarão os relacionamentos ainda é difícil de prever, penso.
A Internet é usada, ainda, para descarregar impulsos voyeuristas e exibicionistas, manias, taras… Até venda de bebês já foi feita pela Internet!
Como já vimos, há inúmeros e quase que inimagináveis usos. Ela está em constante e frenética mutação. Hoje já podemos até ver o universo, como ele é, via Internet! Que loucura!!! Se quisermos, podemos tocar planetas com as pontas de nossos dedos!
Duvida?
Tá bom, é força de expressão, sim!
Existe um projeto denominado “Hands-in Universe**”, iniciado em 1996, que permite que alunos aprendam astronomia observando ao vivo e em cores as montanhas da Lua, os satélites de Júpiter e os anéis de Saturno. (…) Diferente de um planetário, eles estarão vendo estrelas e planetas de verdade, usando equipamentos profissionais. Este projeto disponibiliza equipamentos astronômicos para alunos de segundo grau observarem objetos celestes. (…)
E assim, nossa “velha” Internet mostra que os limites para sua capacidade de unir pessoas e prestar serviços está bem longe de esgotar-se.
Depois das primeiras fases, em que nossa rede mundial favorita servia de correio eletrônico e vitrine de shopping, agora ela já está dando os seus segundos passos.
Isso tudo não é fascinante, estonteante?
Pense comigo: será que estamos falando mesmo de mundo virtual?
Afinal, foi o mundo virtual que entrou em nossas casas através do micro e da Internet ou foi o mundo real que sutilmente foi se esgueirando, se mesclando e tomando conta do mundo virtual?
Estou com a segunda opção desde que comecei a navegar com mais assiduidade na Internet.
Arrisco a dizer que a Internet é apenas um retrato fiel do chamado mundo real!
Diria, ainda, que é um holograma de nossa sociedade.
Será a Internet um oceano de águas limpas ou um charco lamacento?
Você que utiliza a Internet, o que acha?
Eu diria que é oceano E é um charco ao mesmo tempo. Diria que tem águas puríssimas e muito lodo, concomitantemente!
Paradoxos… paradoxos… e esses são somente alguns dos paradoxos da Internet!
Porto Alegre, algum dia elucubrativo do ano de 1997.
* e ** – “Naquela época” (12 anos atrás) o dito “mundo real ” estava apenas começando a se “infiltrar” no chamado “mundo virtual”. Porisso os meus questionamentos e considerações e a utilização do termo “ARRISCO A DIZER que…”
Há muito tempo que as “suspeitas” passaram a ser “verdade” para mim (e para os internautas em geral, penso)!

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