Vítor Alberto Klein's Blog

04/04/2011

Valores Humanos e o consumo – entrevista com Raissa Cavalcanti ao Jornal A TARDE – Salvador-BA

Filed under: Desenv. Humano — vitoralbertoklein @ 13:17

Conteúdo original publicado por Cristina Gaspar – Sócia-consultora da Sferas CONSULTORIA  –  www.sferas.com.br

 

Pensar e falar sobre SUSTENTABILIDADE e RESPONSABILIDADE SOCIAL e não incluir o tema VALORES HUMANOS é criar um hiato na construção de um novo modelo de comportamento social. Para pôr em prática uma mudança do comportamento social, faz-se necessária uma renovação da compreensão do homem numa visão holística e não apenas intelectualmente. É primordial que haja uma transformação interior, ou seja, no Âmago do Ser, pois só assim haverá de fato uma manifestação coletiva e consciente de suas ações.

O BLOGSFERAS em apoio ao Instituto Anima de Sophia, divulga entrevista com Raíssa Cavalcanti, psicóloga e presidente do instituto, sobre Valores Humanos Fundamentais. O conteúdo a seguir foi tema de sua palestra na II Jornada Junguiana da Psique, realizada recentemente em Salvador-Ba.

Jornal A Tarde (JAT)- Sua conferência teve como tema “a perda da alma no mundo moderno e a necessidade de recuperação para o processo de individuação”. Gostaria que, em dois tempos, explicasse como se dá essa perda e como isso flui na Individualização.

RAISSA CAVALCANTI (RC): Carl Jung|  (1875-1961) definiu a alma como um complexo funcional que age como uma personalidade mediadora entre o Self e o Ego. Quando o individuo se deixa orientar mais pelos valores racionais e objetivos, que são os valores do ego cuja motivação principal é a manutenção da estabilidade e da segurança, ele perde a conexão com a alma com a fonte interna de intuição, criatividade, imaginação e emoção. Com a perda da alma, se perde a possibilidade de ligação com o Self, ou esta ligação fica dificultada. Assim. a vida fica reduzida a luta pela sobrevivência, banalizada e destituida de sentido e finalidade. E tudo isso é um obstáculo ao processo de individualização, visto como a realização da alma, através da sua ação criativa no mundo, a serviço do Self.

 

(JAT) – O chamado mundo secular e consumista fez desaparecerem as  mitologias, muitas vezes expressas em contos de fada. Como a senhora analisa o problema do ponto de vista da formação psicológica do  Individuo?

RC – O mito através de seus símbolos revela a existência de uma realidade superior, confere, assim, um significado espiritual presente, além da aparente desordem e faita de sentido da vida. O conhecimento do mito ajuda o homem a ampliar a sua identidade psíquica protegendo–o do sentimento de vazio e de alienação e o leva a correção de falsos valores e a adotar valores humanos perenes que são espirituais. Quando se perde o contato com os símbolos e arquétipos presentes nos mitos e contos de fadas, se perde a ligação com a realidade transcendente, fonte de  alimento para a alma. Toda produção cultural que mostra uma realidade espiritual, além da material é importante, porque relembra o homem da sua responsabilidade quanto ao seu próprio destino e evolução.

 

(JAT) – Qual Importância da psicologia Jung em um mundo destituído de sentido e regido por  fundamentalismo Inconseqüentes. De que forma ele avançou em relação a Freud.

RC –  A importância de Jung em relação a Freud foi ampliar a visão de homem e do mundo, ao mostrar que existe uma individualidade espiritual profunda na existência humana, e que há a evolução da alma individual e da humanidade como uma totalidade. Com essa visão, Jung ajudou a entender a produção cultural, artística e religiosa, onde o sentido transcendente aparece representado sob as mais diversas formas.

 

(JAT) – Vivemos em um período marcado pela violência –  Fale um pouco de seu conceito de psicologia sagrada e de que forma ela pode atuar para minorar a angústia humana?

RC – A Psicologia sagrada enfatiza a necessidade da recuperação da visão sagrada da vida, em oposição a visão profana. Esta visão não depende da adesão a nenhum credo ou religião. A percepção da vida como sagrada reintroduz o conceito do sagrado na relação cotidiana do homem com a natureza, com  o outro e consigo mesmo. Coloca a evolução da alma como centro do processo humano, fazendo o homem assumir a responsabilidade em corrigir as relações destrutivas com o outro.

 

(JAT) – Jung afirma que sombra é a parte do nosso ser que reprimimos socialmente porque nos envergonha, qual seria a sombra social contemporânea?

RC – A sombra social contemporânea é a violência, a miséria, o racismo, o fanatismo, a relação predatória com o seu semelhante e todos os “ismos” negativos que o homem gerou como conseqüência da perda dos Valores humanos e espirituais que guiam o homem para uma relação mais correta e ética com o outro.

 

(JAT) –  Cresce a onda de jovens da classe média enveredando pelo crime. A responsabilidade disso deve ser atribuída a quem?

RC – Quando uma sociedade perde os valores humanos espirituais fundamentais, ela perde o seu “ethos” e passa a se reger pelos valores materialistas, o “ter” é reforçado em lugar do “ser”. Dessa forma, o indivíduo se confunde e mede o crescimento e valor pessoal com aquilo que pode consumir.

A sociedade como um todo cria a permissão para que se alcance o ter, a qualquer preço, não importando os meios.

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