Vítor Alberto Klein's Blog

04/04/2011

Uma discussão, na Escola da Complexidade…

Filed under: Variedades — vitoralbertoklein @ 21:37

Convido a todos a visitarem a Escola. Os assuntos tratados são MUITO interessantes.  Há excelentes pesquisadores, professores e profissionais ligados ao assunto.

Considero-me um neófito, um aprendiz neste tema, maaaasssss…… gosto de discutí-lo.


link:  http://complexidade.ning.com/profile/VitorAlbertoKlein

Transcrevo abaixo uma interessante discussão:

Comentário de Vítor Alberto Klein em 29 janeiro 2010 às 12:04

Olá a Todos !
Gostaria de colocar uma questão um pouco “sensível” ao grupo.
Dentro deste contexto a que estamos nos propondo, de pesquisar e analisar a Realidade sob um prisma “complexo” e integrado, não apenas junto às Organizações e Instituições, mas às relações globais e sociais como um todo, de que maneira devemos considerar as ações de organismos como: CIA, Bilderberg Group, Trilateral Comission e etc ?
Ou nada disso interfere na maneira como devemos “fazer a leitura” da complexidade ?

Comentário de Jose Julio Martins Torres em 29 janeiro 2010 às 18:48

A idéia da Complexidade é que “tudo está tecido junto” (Com + Plexus).
Não é uma questão somente de pertinência ou não a um determinado organismo especificmente, e sim que os atos e fatos de qualquer organismo afetam a todos nós, bem como os nossos atos e fatos afetam cada um deles.
Claro que tudo é uma questão de grau… Aí entra a Lógica Fuzzy, uma das componentes da Ciência da Complexidade.
Por isso o poeta inglês John Donne dizia:
“Não pergunte por quem os sinos dobram… Eles dobram por ti.”

Comentário de Vítor Alberto Klein em 30 janeiro 2010 às 9:26

Olá Júlio.
Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelos excelentes artigos e posts de sua autoria nesta comunidade, a respeito de Fractais, Complexidade e etc.
Sem dúvida, “os sinos dobram por todos nós”.
Creio que até o milênio passado existia uma certa aura de mistério e de “assunto velado” em relação a temas que não surgem nas mídias e que, a princípio, “não interferem” no cotidiano de todos nós.
Eu encaro a Realidade como uma “cebola”, não no sentido dela nos fazer chorar, rsrsrsrs (se bem que às vezes até nos faça), mas no sentido das diversas camadas, superfícies que a compõem.
Vamos retirando a primeira, a segunda, a sétima….camada da cebola, chegando aos poucos ao seu miolo, ao seu núcleo.
Entendo que a Complexidade seja algo que se processe neste sentido também.
Podemos fazer uma leitura de cenário até a sétima camada, por exemplo, mas existirão outras camadas ainda a serem “desveladas”. E a cada nível, a complexidade vai se tornando maior e mais abrangente.
No meu entender, interpretar a complexidade envolve a leitura de vários aspectos: sociais, políticos, econômicos, culturais, ideológicos, religiosos, psicológicos e etc.
Em termos de Organizações ou Instituições ocorre da mesma forma. A cada dia o mundo está mais globalizado e interconectado, daí a razão da complexidade estar se tornando cada vez maior também.
Creio que outros conceitos acabem interagindo, tipo: Teoria Geral dos Sistemas, Pensamento Sistêmico e por aí vamos….
A grosso modo, atuo como consultor em Gestão, Qualidade, Diagnósticos e Melhorias nas Organizações, e, além da especialização necessária, verifico que uma multidisciplinaridade se torna a cada dia mais necessária, por isso meu interesse por este assunto, além do fato de ter sido sempre fascinado por ele.
Mas acredito piamente também, que a solução de muitos problemas se encontre na “simplicidade”, e por mais que possa parecer até um paradigma para muitos, creio que a complexidade possa nos auxiliar neste sentido.

Comentário de Jose Julio Martins Torres em 30 janeiro 2010 às 11:21

Olá, Vítor.
Excelente seu comentário.
A Complexidade não vem se contrapor à Simplicidade e nem tentar eliminá-la. Eu diria até que a essência da Complexidade é a Simplicidade. Cada uma está contida na outra. A simplicidade é a semente ou a parte mais interna da “Cebola”.
Gostei da idéia da “Cebola”…
Mas a “Cebola” da Complexidade é mais complexa…
As camadas são como ondas que se interpenetram.
Cada camada se manifesta como Partícula e como Onda. E como Onda, se expande para dentro e para fora, preenchendo todos os espaços de possibilidades.
É como uma onda sonora… Que não é uma Senóide, como nos ensinaram. Senóide é apenas uma representação simplista num eixo cartesiano (apenas duas dimensões).
Uma onda sonora realmente se expande en todos os sentidos e em todas as direções. Uma onda sonora que sai de mim, vai para o espaço externo a mim expandindo-se ao infinito… Mas, ao mesmo tempo, esta mesma onda entra em mim também, ela reverbera em cada célula que compõe o meu corpo.
Assim, cada camada da “Cebola” da Complexidade abarca a complexidade da “Cebola” toda e vai também para o infinito.
Na realidade, a Complexidade é um Fractal de “Cebolas” – veja o Logo da minha página nesta Escola.

Comentário de Vítor Alberto Klein em 30 janeiro 2010 às 11:38

Perfeito Júlio. Excelente sua explicação.
Vejo que estou diante de um Holista e quiçá, Místico.
Devorei os livros de Fritjof Capra: O Tao da Física, O Ponto de Mutação (não li os mais recentes).
Participei de grupos de “Rebirthing” – Renascimento, há alguns anos atrás e a experiência foi simplesmente INUSITADA. A Bio-Dança trata-se de outra técnica “sem adjetivos”.
Creio que tudo seja Energia e esta se encontra, principalmente, em nós mesmos (aliás, permeia TUDO). Somos “Usinas Atômicas” ambulantes, rsrsrsrsrsrs
Para liberarmos esta Energia, precisamos ir trabalhando as cascas (camadas) da nossa cebola.
No meu entender só podemos compreender a complexidade, as dimensões envolvidas em nosso Universo, somente a partir destes “trabalhos internos”, não há outra maneira.

Comentário de Jose Julio Martins Torres em 30 janeiro 2010 às 12:53

Olá, Vítor.

Excelente.

A coisa tem que vir de dentro… Até porque o todo (Universo) está dentro também…

Eu sou graduado em Economia e tenho Mestrado em Informática – Engenharia de Software pela PUC/RJ. Há uns 10 anos conheci a Complexidade… Então fiz formação em Dinâmica de Grupos; Formação em Biodança; Formação em Dinâmica Energética do Psiquismo (DEP); Especialização em Educação Biocêntrica; e agora estou fazendo um Doutorado em Educação, no qual vou trabalhar A Transformação do Discurso e da Prática Pedagógica a partir de uma Visão Fractal de Educação.

Recomendo os livros da Margaret Wheatley e do Eckhart Tolle.

Comentário de Vítor Alberto Klein em 30 janeiro 2010 às 13:16

Muito bom Júlio.
Grande sucesso na Jornada. Eu creio que a mudança deva se iniciar pela base mesmo, ou seja, pela Educação.
De Eckart Tolle já li “O Poder do Agora”. Excelente livro !!!!!!!!
A Margaret Wheatley só ouvi falar dela. Não li nenhuma obra.

Comentário de Darlan Roman em 30 janeiro 2010 às 14:36

Excelente discussão! No momento estou desenvolvendo um trabalho sobre complexidade em sistemas produtivos e gostaria de deixar minha contribuição, com base no complexo Edgar Morin:
A complexidade pode ser entendida em dois momentos. Num primeiro instante, a complexidade é um tecido (complexus: o que é tecido junto) de constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas. Num segundo momento, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem nosso mundo fenomênico Complexidade é uma palavra que permite exprimir o incomôdo e a confusão. É a incapacidade para definir de modo simples, para nomear de modo claro, para ordenar as idéias. É complexo o que não pode se resumir numa palavra-chave, o que não pode ser reduzido a uma lei nem a uma idéia simples.
Apesar de seu caráter quantitativo, devido a extrema quantidade de interações e de interferências entre um número muito grande de unidades, a complexidade não compreende apenas quantidades de unidade e interações que desafiam as possibilidades de cálculo. A complexidade compreende também incertezas, indeterminações, fenômenos aleatórios. Em certo sentido sempre tem relação com o acaso
Em meio às incertezas e aleatoriedades há um paradigma simplificador, que permite compreender o problema da complexidade Assim, o paradigma simplificador põe ordem no universo, expulsa dele a desordem. A ordem se reduz a uma lei, a um princípio ou modelo. “A simplicidade vê o uno, ou o múltiplo, mas não consegue ver que o uno pode ser ao mesmo tempo múltiplo. Ou o princípio da simplicidade separa o que está ligado (disjunção), ou unifica o que é diverso (redução)” (MORIN, 2007, p. 59).
O pensamento complexo não descarta, de maneira alguma, a existência de modelos, ferramentas ou construção de cenários. No entanto, sob a ótica da complexidade, estes são considerados insuficientes, pelo simples fato de que não é possível programar a descoberta, o conhecimento ou mesmo a ação. “A complexidade necessita de uma estratégia” (MORIN, 2007, p. 83). Segmentos programados com sequencias em que o aleatório não intervenha são úteis e muitas vezes indispensáveis. Em situação normal a pilotagem automática é possível, mas, ao primeiro sinal de anormalidade, a estratégia se impõe.
Como falado antriormente, há abordagens que complementam o olhar complexo, desde a teoria do caos até a TGS do Bertalanffy. O importante parece mesmo ser a mudança da forma com se faz ciência. Deixaremos o pensamento cartesiano reducionista perder sua hegêmonia, e, sem desconsiderar o dissecamento, passemos a energar o todo e suas enigmáticas relações complexas!

Comentário de Vítor Alberto Klein em 1 fevereiro 2010 às 9:49

Olá Darlan,
Excelentes suas contribuições, com base em conceitos e teorias que permeiam esta discussão.
Sabemos que existem 2 tipos de sistemas: os fechados e os abertos.
Em sistemas fechados a complexidade é extremamente menor, pois suas variáveis e os agentes (elementos) que interagem são mais digamos assim, controláveis ou previsíveis.
Contudo, quando nos referimos a sistemas abertos, a coisa muda muito de figura.
No entanto, pelo conceito fractal, devemos entender que o mesmo também está presente em sistemas fechados, sendo que, no meu entender, suas interações são muito menores, ou melhor, suas similaridades são bem menos atuantes.
Hoje eu estive pensando em algo. Será que num sistema integrado devemos entender também que o mesmo seja desfragmentado ?
Com certeza que não ! Este aspecto é extremamente válido para as Organizações. As mesmas possuem vários sistemas integrados, contudo enormemente fragmentados. Assistimos isso todos os dias.
Tomando o exemplo da cebola que comentei com o Júlio, neste caso, e fazendo o caminho inverso, ou seja, começando pelo miolo/núcleo, observamos os sub-sistemas relativamente integrados, contudo, no momento em que vão se expandindo, ou seja, interagindo de dentro para fora, verificamos a cada nível, a ocorrência da fragmentação organizacional.
Um exemplo. Estamos num sub-sistema de Compras. Este se encontra integrado em suas múltiplas funções e atividades e portanto, totalmente controlável e gerenciável. Contudo quando o mesmo interage com os demais sub-sistemas, verificamos a fragmentação.
Apesar da existência dos chamados sistemas ERP’s (que integram todos os módulos / funções da Organização), o mesmo não ocorre quando falamos em processos, gestão, estratégias, comportamentos e etc., o que denota a fragmentação existente.
E as áreas organizacionais, a fim de suprirem estas deficiências, vão a cada dia incorporando novas ferramentas, novas tecnologias, novos conceitos, novos modelos, aumentando ainda mais a fragmentação já existente.
Ou seja, tentanto diminuir a complexidade, a cada dia a aumentam ainda mais.
Já existem, por exemplo, ferramentas sofisticadas de projeção e leitura de cenários, principalmente em MKT, CRM e etc, mas a sua utilização ainda é difícil, e sinceramente, não sei se consideram as variáveis, elementos e os agentes apropriados.

Comentário de Sérgio Luís Boeira em 1 fevereiro 2010 às 10:40

Olá, Vítor
Isso que você comenta, ou seja, a relação entre integração e fragmentação na organizações, é muito apropriado ao pensamento complexo. Vc diz: “tentando diminuir a complexidade, a cada dia a aumentam ainda mais”. Aí é que entra a estratégia do pensamento complexo, ou seja, na observação dos efeitos colaterais da busca de uma ordem racionalizadora, na compreensão de que tais efeitos podem ser contraprodutivos, na busca de adequação da ordem com a desordem visando uma reordenação constante, uma auto-eco-organização das organizações, uma compreensão dos problemas gerenciais que isso implica, tanto internamente às organizações, quanto entre as organizações e entre estas e seus ecossistemas…etc etc etc.
A relação entre sistemas abertos e fechados é também complexa, já que estes últimos fazem parte daqueles, e de certa forma, se tomarmos em consideração a física quântica, também os sistemas fechados são abertos…
O que há entre as partículas? O que há entre as ondas de luz que elas formam quando aceleradas? O fenômeno da complexidade, que permeia todos os sistemas, sejam abertos ou fechados, relativizando a ambos, fazendo com que os diagnósticos bipolarizadores, dicotômicos, se tornem apenas abstrações sem enraizamento na realidade…

Comentário de Sérgio Luís Boeira em 1 fevereiro 2010 às 11:34

Pessoal,
volto aqui para acrescentar o seguinte: estamos vendo ultimamente o quanto as enchentes e delizamentos de terra representam em termos de desordem na sociedade brasileira. Podemos imaginar o que uma política pública complexa deveria fazer, numa situação como esta? Além dos discursos de especialistas, teríamos que abrir os sistemas fechados que eles representam, ou seja, teríamos que mostrar que os seus discursos são parcialmente adequados e parcialmente inadequados à realidade. São parcialmente adequados à medida que apontam a complexidade e parcialmente inadequados à medida que a ignoram ou bloqueiam a ação efetiva. Os especialistas levam muitas horas fragmentando seus diagnósticos para depois repetir o que os ambientalistas mais consistentes têm dito há cerca de 30 anos, ou seja, que para enfrentar as enchentes e deslizamentos não bastam boas intenções nem especialistas em geologia, ou urbanismo, ou meteologia, etc. Caberia considerar, de forma sistêmica e complexa, todas as formas (sistemas) plausíveis de retenção das águas pluviais. Exemplos:
1- Sistemas como os piscinões (a prefeitura de S. Paulo ficou de construir 140, faltam 90);
2- Sistemas comos reservatórios menores de retenção e aproveitamento das águas das chuvas (em escolas, casas, prédios), que geram economia, que geram empregos e renda, e que eliminam parte da racionalização burra do desperdício instituído sob a forma tecnocrática (centralização do abastecimento, com tratamento químico de água que em grande medida é desperdiçada, usada em vasos sanitários, etc);
3- Sistemas de canalização e desvio do excedente (nivel de transbordamento) das águas de riachos a montante dos pontos críticos; uso de arborização combinada com sistemas artificiais;
4- Ampliação dos programas (sistemas) de educação ambiental para todas as idades, acabando com o mito de que “educação ambiental é coisa de criança”;
5- Desobstrução dos sistemas de bueiros, esgotos, além de dragagem sistemática do leito de rios;
6- Multas pesadas para quem jogar lixo nas áreas públicas urbanas;
7- Criação de novos sistemas de cobertura de casas e prédios, com uso crescente de gramados especiais (há experiências exitosas neste sentido), visando não só retenção de água da chuva, mas também amenizar o calor e embelezar a residências…
8- Reordenação dos sistemas urbanos, com fiscalização efetiva de áreas de risco, etc;
etc etc etc
Isso significa, numa palavra, busca da auto-eco-organização das organizações e das cidades.

Comentário de Jose Julio Martins Torres em 1 fevereiro 2010 às 11:41

Como bem lembrou o Sérgio, os Sistemas Fechados também são Abertos.
Na realidade não existem sistemas fechados. Segundo Prigogine, Prêmio Nobel de Química de 1977, grande estudioso da Termodinâmica, grande colaborador da Teoria do Caos com a seu Trabalho sobre Estruturas Dissipativas e Neguentropia (pelo qual ganhou o Nobel), todos os sistemas são abertos. Ele coloca os sistemas em relação à sua distência do Equilíbrio: a) Sistemas em Equilíbrio (são sistemas mortos ou já morrendo – no Equilíbrio, fisicamente falando, o resultado da soma das forças é zero, é morte.); b) Sistemas Perto do Equilíbrio (sistemas que não geram inovação, estão na mesmice, fazendo o “feijão com arroz” do dia-a-dia – muitas de nossas organizações mecanicistas encontram-se nessa situação – não geram neguentropia, a entropia é sempre crescente e caminham também, mais lentamente, para a morte); c) Sistemas Distantes do Equilíbrio (na faixa do Limiar do Caos – nem tanta ordem que trave o sistema, nem tanta desordem que o desintegre – é no Limiar do Caos que os sistemas mais geram Informação e Conhecimento – desenvolvem interações neguentrópicas); e d) Sistemas além do Limiar do Caos (Nesse caso os sistemas vão para a morte por desintegração, não por paralização).
Na realidade uma Organização toda é um Sistema. Claro, como é Fractal, contém outros sistemas, que contêm outros sistemas… e fazem parte de outros sistemas mais amplos, que fazem parte de outros sismemas mais amplos…
Falar em sistemas integrados é Pleonasmo. Integração é uma característica dos sistemas. Se não for integrado não é sistema.
O problema é que a nossa visão dicotômica cartesiana faz a gente pensar as coisas separadamente e depois fala-se em “integrar os sistemas”.
Um outro problema é que as pessoas confundem Complexidade com Complicação. Sugiro a leitura do texto do Humberto Mariotti “Complexidad não é Complicação“.
Quando o Vítor fala em organizações “tentando diminuir a Complexidade…”, na realidade elas estão achando que é Complicado, por que não entendem o Complexo, e tentam diminuir a Complicação. Como confundem uma com a outra, acabem Diminuindo a Complexidade (Reduzindo as conexões, destruindo o “tecido junto”) e, aí, fica mais complicado ainda.
Simples não é o contrário de Complexo, e sim de Múltiplo. E o simples e o múltiplos são também Complexo. E podem ser complicados, também.
Como não conseguem trabalhar com a complexidade, mesmo do simples, transformam o Simples que era Complexo, agora, em um Múltiplo Complicado.
Indo mais fundo ainda…
Segundo Ralph Stacey (STACEY, Ralph D. Complex responsive process in organization: learning and knowledge creation. London: Routledge, 2002), não se trata se Sistema, e sim de Processo.

Comentário de Jose Julio Martins Torres em 1 fevereiro 2010 às 11:51

Excelente lembrança, Sérgio.
Lembro uma reportagem que passou semana passada sobre o Processo do Japão para evitar os transbordamentos dos rios lá. Mostrando, inclusive, que nas ruas não existem Latas de Lixo e mesmo assim não se encontra nem mesmo um papel no chão. Conseqüentemente os bueiros não vivem entupidos, como aqui.
No fundo, no fundo, é uma questão de Educação.
E Educação é Complexa. Ou é “auto-eco-organizada”, como o Sérgio diz, ou não é Educação.

Comentário de Vítor Alberto Klein em 1 fevereiro 2010 às 16:56

Olá Júlio e Sérgio,
Muito pertinentes os paralelos traçados com as questões ambientais / meteorológicas e de infra-estrutura das grandes cidades. Também acredito que o caminho seja por aí, caso contrário os governantes e as autoridades públicas estarão sempre correndo feito “cães atrás dos próprios rabos”.
Certamente, com o advento da Física Quântica e da Teoria dos Fractais, muitos de nossos conceitos (senão quase todos) terão que ser revistos, reformulados e repensados.
Quando me refiro a sistemas fechados, considero principalmente os sistemas mecânicos, elétricos, hidráulicos, computacionais (placa de circuito integrado) e etc., mas mesmo assim estão sujeitos a fatores externos (uma boa descarga eletromagnética por parte do Sol sobre a Terra que o diga) e basta isto ocorrer para que toda a estrutura de comunicação e informação do planeta pare.
Sabemos que muitos sistemas são ditos, “controlados e previsíveis” a partir apenas, de determinadas condições de temperatura e pressão. Caso estas condições não venham a ser mais atendidas, o sistema entra em colapso, em caos.
O “aquecimento global” trata-se de um bom exemplo disso, seja ele causado pelas ações humanas, seja causado por ciclos naturais da Terra ou do próprio Sol, não importa, ele está aí, não mais batendo à nossa porta, ele já entrou e se sentou à mesa. E ele está nos perguntando: o que vocês farão comigo ? De que forma vocês irão lidar comigo ?
Acontece ainda que, como vocês disseram, as autoridades não mudaram ainda as suas perspectivas, não quebraram seus paradigmas e não querem largar de maneira alguma a visão mecanicista e cartesiana de mundo. Para o “Poder Instituído” (“establishment”) isso se trata de algo MUITO “dolorido” e impactante, portanto, irão continuar até quando der.
Sugiro que busquem no YouTube um vídeo chamado “A História das Coisas”, muito interessante caso já não tenham visto.
O nosso atual modelo de civilização está agonizante, está nas últimas….
A geração “Y” é totalmente descomprometida, descolada. Possui vários aspectos positivos, contudo outros são totalmente antagônicos ao nosso atual modelo. E aí, de que forma lidaremos com isso ? Ou melhor, de que forma essa geração lidará com isso ?
A Humanidade sempre foi confrontada por desafios, por bruscas mudanças, e sempre encontrou soluções, e creio que não será diferente agora.
No entanto, como todos sabemos, o grau de complexidade, de multiplicidade e de “complicação” ATUAIS, são inéditos junto à história humana. Jamais o sistema econômico-financeiro foi tão interdependente (basta um espirro em Tokyo para fazer as Bolsas de São Paulo e Nova Iorque despencarem e o dólar subir), e jamais também o modelo de consumo e as relações sociais foram tão dependentes umas às outras.
Como bem citou o Júlio: “não me perguntem por quem os sinos dobram. Eles dobram por todos nós !”
Existem correntes que estão já adotando o conceito de “survivalismo”, originado do termo em inglês “survival” (sobrevivência). Estas correntes discutem as ações em caso de catástrofes e caos das mais diversas ordens.
Todos sabemos que existem grupos e organizações preparadas para múltiplos cenários, contudo, esse planejamento, ao invés de ser integrado, não, atendem apenas aos interesses de seus membros / integrantes, o que não deixa de ser “natural”. Basta perguntarmos aos Mórmons, por exemplo, o que eles pensam a respeito disso. Da mesma forma ao Serviço de Inteligência do Vaticano, à CIA e etc. Nossa, a coisa vai longe……E dizer que isto não faz parte do pensamento complexo, é negarmos a busca do miolo da cebola, rsrsrsrsrsrs
Certamente, que deveremos estabelecer limites às nossas pesquisas e análises, mas aproveitei o gancho para me prolongar um pouco mais no que eu considero também aspectos impactantes ao conceito de complexidade e pensamento complexo. E antes de tudo, devemos separar o que são “teorias conspiratórias” (loucuras e psicoses das mais diversas ordens) dos fatos e evidências, que por si só, são por demais comprovadas, não por veiculações nas mídias (muita coisa não é divulgada, por diversas razões), mas a partir de outras fontes que possamos considerar seguras, neutras e confiáveis.
Pergunta: por que não sai nada nas mídias (no Fantástico) a respeito dos “crop circles” (aqueles círculos/desenhos) que já apareceram em várias partes do mundo, principalmente na Inglaterra e inclusive aqui no Brasil ? São montagens ? É tudo mentira / ficção ? Já que o Fantástico faz também um jornalismo investigativo, por que ao menos não investigam sobre isso também ? Boa pergunta…..
Tratarmos de complexidade, implica para mim, uma visão (uma leitura) caleidoscópica, holográfica, caso contrário não estaremos considerando todos os elementos que estão envolvidos e as múltiplas nuances que existem, não nos esquecendo que a Realidade se apresenta a cada um de maneira distinta. Eu posso ter uma visão míope, fragmentada, viciada e distorcida a respeito de determinado fato ou evento, não é verdade ? Como colher e considerar todos os elementos que são passíveis de análise e reflexão ? Sem conjecturas, mas de maneira efetiva, assertiva, integrada e fractal ?
Me desculpem se eventualmente fujo do foco, mas da mesma forma que um “brainstorming”, devemos fazer uma leitura aparentemente desconectada, a fim de interpretar e compreender a complexidade envolvida.

Comentário de Sérgio Luís Boeira em 1 fevereiro 2010 às 21:10

Julio e Vítor
Gostaria de assinalar que, embora haja abertura nos sistemas fechados, é a tendência ao fechamento que os caracteriza. E sistemas fechados não são apenas os mecânicos, os circuitos integrados de informática, os sistemas não vivos, etc. O sistema nervoso, segundo Humberto Maturana, é um sistema fechado. Segundo suas próprias palavras, “o sistema nervoso é uma rede de neurônios em interação, que gera uma fenomenologia de interações neuronais subserviente à autopoiese do organismo no qual ele está embutido e do qual ele é um componente” (p. 139). Também diz que “a estrutura do sistema nervoso como rede neuronal fechada muda de uma maneira contingente com o curso das interações do organismo e com o curso de sua própria dinâmica de estados” (p. 111). Ou seja, o sistema nervoso se afirma estruturalmente diante do que não o integra, como condição de sua existência. Isto está no livro “A Ontologia da Realidade”, editado pela UFMG e organizado por Cristina Magro, Miriam Graciano e Nelson Vaz.
Digo isso porque me parece ser uma forma de começar a compreender, no âmbito das organizações (sejam públicas ou particulares), o principio do “organocentrismo”. As organizações têm uma tendência ao fechamento, a uma espécie de “individualismo organizacional”, que serve de base para sua estruturação e autonomia, mas que também bloqueia a percepção das possibilidades de interação com outras organizações e com o meio ambiente natural. O “sistema nervoso” de uma organização é o olhar da coalizão dominante nela, do sistema de idéias impregnado em sua noosfera. Quando um sujeito adota uma idéia, ela, a idéia, também adota o sujeito. As idéias, quanto mais fortes, mais autônomas e dominadoras são dos sujeitos que as veiculam. Quando acreditamos numa idéia, inicia-se no mesmo instante um processo paradoxal, pelo qual nós podemos vir a tornarmo-nos prisioneiros de nossas próprias idéias. Gareth Morgan, em “As Imagens da Organização”, tem um capítulo inteiro sobre isso (capítulo 7: Explorando a caverna de Platão: as organizações vistas como prisões psíquicas).
As organizações a meu ver são muito mais compreensíveis como sistemas fechados, intransigentes e sedutores, do que como sistemas abertos, flexíveis. Mais do que os sistemas nervosos dos indivíduos, as organizações tendem a ser fechadas…
É por isso que a transição para uma era ecológica é tão difícil. A biodegradabilidade dos humanos é mais rápida do que muitas idéias forjadas pelas coalizões dominantes no que Karl Popper chamou de “o mundo três”, e que Teilhard de Chardin chamou de “noosfera”, que Jung rotulou de “inconsciente coletivo”, que Wojciechowski denominou de “construções intelectuais” (knowledge construct), que Pierre Auger definiu como “terceiro reino” (apesar das diferenças nas concepções de cada autor). Edgar Morin parte destes autores e também de Jacques Monod para definir a sua noção de noologia, uma ciência da vida dos seres de espírito, uma ciência das idéias. Já em 1956, ao estudar transdisciplinarmente o fenômeno da morte em diversas culturas, Morin havia percebido a força e a relativa autonomia do mundo imaginário/mitológico/ideológico. Mais tarde ele concebeu uma compreensão complexa da noosfera, que se estabelece na relação entre o biofísico, o antropossocial e o imaginário/mitológico/ideológico, em circuito parcialmente aberto, parcialmente fechado, incerto, misterioso.
Portanto, embora seja certo que a globalização dos mercados tem provocado uma interdependência dos Estados, das organizações, das culturas, também é certo que as mudanças noológicas nestas resistem, e têm uma força que não podemos menosprezar. Por exemplo, já sabemos cientificamente que a idéia de raça é ultrapassada cientificamente, que a cor da pele não nos torna significativamente diferentes. No entanto, com o fenômenos das migrações internacionais e intercontinentais, reacendeu-se a xenofobia racial, inclusive alimentando com votos os partido de direita e fomentando também o terrorismo…
A recente crise financeira no centro do sistema capitalista serviu para abrir um flanco na ideologia neoliberal, mas a noosfera, composta também de mitos, de crenças, de práticas, de hábitos, de interesses, tratou de recolocar o sistema financeiro novamente em seu lugar, com pequenas mudanças. Obama hoje está mais parecido com Dom Quixote do que com Sancho Pança…(embora o Sancho Pança dele tenha vencido o Dom Quixote na Conferência de Copenhague…).

Comentário de Vítor Alberto Klein em 2 fevereiro 2010 às 14:26

Olá Sérgio,
Discordo que o sistema nervoso seja um sistema fechado, que me desculpem Maturana e o pessoal da UFMG.
Ele pode ser considerado fechado no que diga respeito às suas funções e às suas múltiplas regulações. Contudo, o corpo humano, e portanto o sistema nervoso, são sistemas abertos, pois interagem com forças, talvez para muitos ainda desconhecidas. Refiro-me à aura, campos energéticos, corpos sutis (mental, psíquico, emocional e etc.), ou seja, uma visão holográfica e holística do SER humano.
80% do corpo é composto por água (líquidos) e portanto sujeito às influências da Lua.
Todo este nosso campo energético está sujeito às ações do ambiente em que vivemos (incluindo as cósmicas e telúricas), e que portanto, nos afetam, inclusive ao nosso sistema nervoso. Quando falamos em sistema nervoso devemos considerar o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico. Cada qual possui funções e relações específicas, sendo que o sistema nervoso periférico trata-se do canal psíquico do ser humano.
Façamos um exercício, pois teoria sem a prática é a mesma coisa que a música sem a dança, rsrsrsrsrs
– No dia em que estiveres sentindo alguma dor no corpo, tipo, uma dor de estomago, de fígado, qqer. espécie de dor, faça o seguinte: esfregue rapidamente e vigorosamente as duas mãos, como se estivesse as esquentando. Em seguida coloque a palma esquerda voltada por sobre o local da dor (cerca de uns 15 cm) e fique com a palma da mão direita virada para cima, suspensa, como que captando algo do ar….Relaxe, faça inspirações profundas e fique por cerca de uns 5 minutos fazendo esta aplicação. Logicamente, se o problema persistir, tome as ações necessárias: tome um remédio, consulte um médico e etc.
Após estas constatações, se tornará muito difícil acreditarmos ainda que o sistema nervoso seja um sistema fechado.
Quanto ao sistema financeiro, acredito que ele possua sim, mecanismos de “auto-regulação” (por parte dos entes envolvidos – governos, bancos, instituições financeiras, grupos econômicos e etc.), ainda mais agora, contudo esta “auto-regulação” é falha, e isso irá ser demonstrado, mais cedo ou mais tarde…….pois as reais causas continuam existindo. Esta história de crise no mercado imobiliário americano ter sido o causador da crise global, é no mínimo, conversa para boi dormir. Indo para o lado da questão dos derivativos, talvez estejamos chegando mais próximos das reais causas, mas acho que o “furo da bala” está mais embaixo ainda. O tratamento alopático adotado pelos governos de vários países (injeções de trilhões de USD) irá deixar o paciente com menos sintomas e dores, e mais sobrevida. A homeopatia talvez fosse a solução ideal, pois atacaria as causas, e não agiria apenas sobre seus efeitos.
Os únicos eco-sistemas em que acredito que possam ser efetivos e eficientes em sua auto-regulação são os naturais: o corpo humano, o planeta (GAIA), a Natureza, o Cosmos, enfim. “Infelizmente” isto não se aplica aos sistemas econômicos, sociais, políticos, culturais e etc.
Vamos lançar uma questão:
Temos à nossa frente um quebra-cabeças composto por 2.000 peças, que após montado trará a imagem retangular de uma imensa floresta, isso mesmo, uma floresta. Portanto, cada peça possui apenas tons de verde, verde-amarelado, verde claro, verde escuro…. enfim, as infinitas nuances de cores de tom verde que vemos quando estamos diante de uma grande floresta.
Qual será o método ou a metodologia que deveremos utilizar para iniciar a montagem deste quebra-cabeças ?
O mais plausível seria começarmos pelas arestas, ou seja, tomarmos todas as peças cujo um dos lados seja uma reta (haverão 4 cantoneiras, portanto com 2 retas) e assim formaremos, inicialmente, como que a “moldura” da imagem, para depois prosseguir, a partir de associações, complementações, similaridades……. Utilizando este método estaremos iniciando pelos limites, ou seja, por onde a imagem está delimitada.
Portanto, eu pergunto o seguinte: seria também este o método a utilizarmos no pensamento complexo ?
Devemos começar a pesquisar primeiro pelos limites que possamos estabelecer ou identificar ?
Outra questão muito comum é:
Reunamos um grupo de pessoas. Peguemos um flip-chart (com uma folha em branco) e no centro desta folha desenhemos um ponto preto.
Perguntemos ao grupo de pessoas o que cada um vê.
A maioria dirá: eu vejo um ponto preto no centro de uma folha branca !
A questão é: quem dirá, eu vejo uma folha em branco com um ponto preto ao centro ???
A questão é toda de perspectiva. Podemos partir do particular ao todo ou do todo ao particular.
Aquele conceito da física quântica que diz que “os elétrons mudam de posição de acordo com o observador”, ou seja, de acordo com a perspectiva, é bem pertinente ao estudo do complexo.
Recomendo a leitura de um excelente livro chamado “A Verdade de Cada Um”. Ele é editado pela AMORC.
Site: www.amorc.org.br

Creio que possa ser adquirido pela Internet. Caso contrário basta ir a algum organismo afiliado da AMORC. Existem dezenas espalhados pelo Brasil.
Creio que vocês irão gostar de lê-lo.
PS: Como lhes disse não faço parte do meio acadêmico e científico e estou aqui para aprender e trocar idéias com vocês. Meu campo de atuação é Consultoria Empresarial (principalmente no segmento privado), mas como dito também, este assunto me fascina e muito me interessa, pois possui aplicação prática em meus interesses profissionais.
Se eventualmente eu disser alguma bobagem, me perdoem e me corrijam, ok ?

Comentário de Antônio Carlos Soares Martins em 2 fevereiro 2010 às 15:35

Olá pessoal,
Eu sempre achei que o termo “sistema fechado” na teoria de Maturana induz a equívocos. Como já bem disse José Júlio, citando Prigogine, “Na realidade não existem sistemas fechados”. Maturana reconhece que os sistemas vivos são abertos a fluxos de matérias e energias vindos do exterior. Maturana e Varela afirmam em “A árvore do conhecimento” que “os seres vivos e o mundo estão interligados, de modo que não podem ser compreendidos em separado” (2005, p. 15).
A idéia de “sistema fechado” se refere a um fechamento estrutural no sentido de que o sistema é essencialmente definido pelas relações entre seus componentes. E o autor segue nesses termos para definir o conceito de “autopoiese”.
Essa noção de fechamento estrutural gera confusão porque grandes nomes da Teoria da Complexidade afirmam que um sistema complexo é aberto enquanto Maturana fala de sistema fechado. Ao meu ver, porém, não há incompatibilidade. Os mesmos autores que afirmam que um sistema complexo é aberto reconhecem a auto-organização como um dos elementos-chave da complexidade. Na verdade, a auto-organização não está tão distante do determinismo estrutural (fechamento do sistema) de que fala Maturana. Obviamente, tenho que reconhecer alguns autores atribuem maior importância aos fatores externos que
atura na que enfatiza as relações. Porém, é equivocado dizer que Maturana não reconhece as influências externas.
Não sou especialista em na teoria de Maturana, mas nas leituras que fiz não entendi o “fechamento do sistema” em termos absolutos.

Comentário de Jose Julio Martins Torres em 2 fevereiro 2010 às 16:08

Olá, todos.
Eu acho inclusive que o termo auto-organização, usado por muitos autores, é indevido.
O que existe é auto-estruturação.
O que se transforma continuamente em qualquer sistema é a Estrutura.
A Organização continua a mesma.
Segundo o próprio Maturana, a Organização é o Determinante de Definição, é o que dá Identidade ao sistema (relações entre os componentes que definem o Sistema). Já a Estrutura é o Determinante Operacional (maneira como os componentes interconectados interagem sem que mude a organização).
Isso está de acordo, também, com a idéia de Estruturas Dissipativas de Prigogine.
Grafite é Carbono Puro. Diamante é Carbono Puro. A Organização é o Carbono. A diferença de um para o outro é a maneira como os átomos de Carbono interagem. Cada um tem uma estrutura diferente. Grafite: Estrutura com 6 átomos de carbono formando um exágono perfeito, uma película deslizante da espessura de um átomo (por isso é um librificante sólido). Diamante: Estrutura com 4 átomos de Carbono formando um tetraedro perfeito, a estrutura mais dura que pode existir.

Comentário de Vítor Alberto Klein em 4 fevereiro 2010 às 10:22

Olá,
Também creio ser uma auto-estruturação.
Vejamos. O que vem a estabelecer a estrutura ?
Na minha opinião são a Missão, os Valores e a Cultura Organizacional.
A organização / instituição possui suas políticas, normas, procedimentos, processos, sistemas, enfim, a gama de elementos que, somados, ou melhor, agregados, possibilitam a organização alcançar os objetivos propostos, através das diretrizes e estratégias estabelecidas.
A Cultura Organizacional irá determinar se a organização será Inovadora, Conservadora ou Estática (ou seja, que aja apenas sob demanda – estas estão fadadas a desaparecerem – no meio público creio que ainda existam e estas não desaparecem pois não possuem concorrência).
Novas tecnologias, novos conceitos, novos modelos, conduzem as organizações a novos patamares de gestão, operacionais e etc., em constante busca da Excelência.
A organização trata-se de uma entidade viva, atenta às suas relações com o Ambiente, com o Mercado, com a Legislação, com a concorrência, com os clientes e consumidores, com os avanços da Ciência e da Tecnologia, aonde, através de seu Capital Humano, irá se adequando e ajustando aos novos cenários, preparando-se aos novos desafios e se auto-estruturando.
Qual a visão que temos quando passamos em frente a uma organização num domingo à tarde e onde não haja operações ? Estão ali apenas o pessoal da vigilância, alguns sistemas de segurança e controle estão ativados, talvez alguém da manutenção, no entanto, tudo o mais está em stand-by: os sistemas, as políticas, as normas, os maquinários, os insumos, os procedimentos, os colaboradores em suas casas descansando, aguardando pela 2ª feira a fim de que se reinicie o ciclo. Como o ciclo é reiniciado ? Quem gira a chave ? Neste momento a organização está inativa ou, através de idéias, reflexões, alguns de seus colaboradores a estejam “repensando”, algum diretor estabelecendo um novo plano, as suas marcas não estejam sendo divulgadas e consolidadas, os seus fornecedores e clientes não estejam a visualizando, interagindo fractalmente ?

Comentário de Vítor Alberto Klein em 4 fevereiro 2010 às 10:51

PS: Quando me referi a Instituições Públicas, não estou generalizando. Existem Instituições Públicas modelos de referência em Gestão. Ex: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e tantas outras.
A partir do Programa de Modernização da “Máquina Pública”, Programas de Qualidade, grandes avanços foram alcançados.
Talvez faltem ainda, no entanto, mecanismos mais modernos e seguros de controle, integração, fiscalização e monitoramento.

Comentário de Sérgio Luís Boeira em 4 fevereiro 2010 às 13:41

Pessoal
Infelizmente ocorreu alguma falha e o texto que escrevi ontem a vocês não foi postado (perdeu-se). Mas tudo bem. Importante é o debate aberto.
Sobre sistemas fechados e abertos: não seria nada “complexo” a meu ver estabelecer uma linha divisória, dicotômica, como se houvesse duas “substâncias” ou “essências”. É claro que se trata de ênfase, de princípios de fechamento e de abertura, que por conveniência levam ao uso dos termos “sistemas fechados” e “s. abertos”.
A meu ver, o princípio de fechamento é predominante, se considerarmos a história, se não dissociarmos as naturais das humanas. Se, pelo contrário, considerarmos a física quântica distante da história e aplicarmos seus conceitos às organizações, cometemos diversas impropriedades conceituais. Começamos a “quebrar paradigmas”, etc. Ninguém “quebra paradigmas”, a não ser que desconheça o que está falando.
Os dois autores que mais aprofundaram a discussão sobre paradigmas são, pela ordem, Thomas Kuhn e Edgar Morin. Na minha página aqui na Escola da Complexidade vocês encontrarão um artigo intitulado Paradigma e Disciplina nas Perspectivas de Kuhn e Morin, que escrevi em parceria com um doutorando da UFSC.
Sobre a relação da física quântica com a física dos sólidos ou macrofísica, com as ciências humanas, com a filosofia e com as artes, recomendo ver um texto de Basarab Nicolescu, intitulado Manifesto da Transdisciplinaridade, que se tornou um clássico desta temática.
Bassarab_Nicolescu_-_La_Transdisciplinariedad_Manifiesto[1].pdf

Comentário de Vítor Alberto Klein em 5 fevereiro 2010 às 10:45

Olá,
Na minha opinião não podemos generalizar os biotipos organizacionais.
Existem organizações com os mais distintos e diversos perfis. Não podemos comparar uma Microsoft, por exemplo, com uma empresa familiar de cultura rígida cuja sede fique no interior de algum estado.
As organizações tendem a ser fechadas no sentido de possuir a sua própria cultura, as suas próprias normas e regras, o “espírito” de seus empreendedores, no entanto, elas são abertas quando em contato com seu ambiente (governo, fornecedores, stakeholders, clientes, consumidores e etc.) e é exatamente esta conexão que a mantêm “viva”.
Além do fato de que as próprias certificações empresariais existentes (ISO 9000, 14000, PBQP e etc.) e modelos de gestão (Six Sigma, Lean Manufacturing…)estabelecerem normas e critérios que a cada dia tornam as organizações mais transparentes e “padronizadas”, pois a adoção destes modelos de gestão nivelam suas operações, controles, garantias, atendimento aos requisitos e etc., sendo que os grandes diferenciais competitivos acabem sendo as estratégias, o Capital Humano, o nível de Excelência e a rápida resposta ao mercado.
Como podemos considerar que uma organização trata-se de um sistema fechado, se a cada dia esta interrelação  se  encontra  mais  abrangente  e vinculante ?

Comentário de Darlan Roman em 5 fevereiro 2010 às 10:54

Olá Vitor,
A abordagem de Niklas Luhmann comenta sobre os sistemas operacionalmente fechados. Ou seja, o sistema se fecha em suas operações justamente para obter a diferenciação em relação ao seu meio. O sistema se abre, no entanto, para lidar as irritações oriundas deste meio.
A abordagem clássica da administração considerava as empresas como sistemas fechados, em parte, claro, devido as características de seu tempo. Já há algum tempo, e isso é verificado fortemente na abordagem contingencialista, as empresas são, invariavelmente, vistas como sistemas abertos, e não poderia ser diferente.

Comentário de Sérgio Luís Boeira em 5 fevereiro 2010 às 14:17

Darlan e Vítor
É verdade que a interdependência e a interação, propiciada pelas tecnologias de informação e por meios de transporte, têm provocado uma série de adaptações contingenciais nas e entre as organizações, de todos os tipos, especialmente aquelas que se vinculam ao mercado dito “.com”. Mas todas as organizações ocupam a chamada macrofísica, a física dos sólidos, e além disso têm culturas e história que são forjadas sob conflitos humanos e na interação com os sistemas naturais. A física quântica não pode ignorar a física dos sólidos, como se fosse coisa do passado. É óbvio que a física quântica introduz um outro nível de realidade, mas nem por isso abole o nível macrofísico.
Quando andamos por uma calçada movimentada, sempre desviamos dos corpos que vêm na nossa direção, ainda que saibamos que um choque entre pessoas ou objetos não significa uma fusão de suas partículas, de suas realidades quânticas.
É claro que nossas identidades estão fortemente vinculadas à física não-quântica. Assim também acontece com as culturas das organizações. Por mais que se introduza tecnologia avançada, virtual, a cultura continua prisioneira dos tempos sociais (seria melhor dizer auto-eco-organizacionais), mais do que aos tempos virtuais, eletrônicos. Alías, há um choque de tempos que está causando enorme mal-estar, já que os ritmos humanos (biofísicos) estão sendo organizados segundo os parâmetros dos ritmos artificiais da tecnociência. Daí as novas doenças da civilização…
Por mais “contingenciais” que sejam as organizações e suas estratégias, as organizações só conseguem afirmar alguma cultura arduamente, a partir das interações humanas, dos êxitos organizacionais, dos exemplos que vêm da cúpula, dos grupos dominantes, das relações informais e das relações formais. No conjunto destas relações, a identidade das organizações representa o princípio do fechamento sistêmico…Só tem identidade cultural a organização que atingiu um determinado padrão organocêntrico, que conseguiu estabelecer relações de confiança com um espectro amplo de stakeholders relevantes dentro do seu setor (da economia, do conjunto institucional, etc). Esta conquista de identidade pressupõe mais o princípio de fechamento do que o princípio de abertura organizacional. A identidade representa um processo de auto-organização, de autodiferenciação estrutural, cultural.
Há várias concepções sobre culturas organizacionais, predominando a interpretação funcionalista sobre outras, como a da diferenciação e da fragmentação, etc. Leciono uma disciplina para mestrandos e doutorandos no PPGA da UNIVALI chamada Cultura, Ética e Mudança nas Organizações.

Comentário de TÉRCIO STHAL em 15 fevereiro 2010 às 12:32

O todo em cada parte,
e cada parte do todo…
Ao admitirmos que o todo possa ser mais do que a soma das partes – princípio da emergência, e menos do que a soma das partes – princípio da imposição, cumpre-nos dizer que o conhecimento de cada parte pode e deve estar direta e inversamente ligado ao conhecimento do todo, assim como o conhecimento do todo, em sua composição, pode e deve estar ligado ao conhecimento de cada parte.
Edgar Morin, sociólogo francês, afirma que “é impossível conhecer o todo sem conhecer as partes, e conhecer as partes sem conhecer o todo”.
Numa organização, por exemplo, quando um grupo discute um determinado assunto surgem novas idéias e sugestões que anteriormente não haviam ocorrido a nenhum dos participantes; ou seja, o todo em construção passa a ser maior do que a soma de cada uma das partes.
Outro exemplo a ser observado é o de uma orquestra; cada músico e instrumento, no conjunto de músicos, instrumentos e de regras a serem seguidas, vai construindo o todo que se quer adaptando intensidade dos sons, intercalação e complementaridade de notações e compassos, o arranjo, os ritmos e interpretações, ou seja, vai restringindo e adequando cada uma das partes à composição de um todo que é, na verdade, inferior à soma delas.
Nesta composição do todo, o ser, o conhecimento, a atitude, o comportamento, a arte, a arte de fazer e, fazendo, fazer-se, cumpre a nós entender que é imprescindível conhecer as partes para a composição do todo, bem como o todo que se tem em cada parte e o todo que se quer a partir de cada uma delas. Mas não podemos nos perder em processos reducionistas.
O modelo transacional e sistêmico precisa estar presente para produzir o conhecimento do todo que se tem, do todo que se quer, de cada parte que se tem, de cada parte que se quer, valores, qualidades, deficiências e impropriedades de cada parte, para que o todo possa ser composto com a finalidade de produzir e reproduzir probabilidades e possibilidades de novas construções.

Comentário de Vítor Alberto Klein em 27 fevereiro 2010 às 17:14

Olá Sérgio, desculpe pela demora na resposta.
Vista sob o prisma da cultura, com certeza, a organização trata-se de um sistema “fechado”, com seus valores, princípios, estruturas de poder e decisão e etc.
Sem dúvida que, neste sentido, ela possua autonomia e independência em relação ao meio externo, pois ela se auto-regula e se auto-gere, de acordo com as demandas oriundas do meio externo. Perfeito !
Claro que a sociedade de maneira geral, é composta por inúmeros elementos que possuem sua própria individualidade, sua própria auto-determinação, como: empresas, indivíduos, governo, famílias, escolas e etc.etc. Contudo, tudo isto interage, tudo isto faz parte de um complexo sistema de relações.
Numa grande organização por exemplo. Qual o número de relações e interações (internas e externas) que ocorrem a cada dia ? Milhares, milhares…
Nas relações e interações internas, ok, são os vários relacionamentos entre pessoas, procedimentos, políticas, normas, processos, sistemas, controles, atividades, decisões, enfim, é a organização em ação. Contudo a organização não existe por si só. Ela existe para atender a algum propósito, ou seja, ao mercado, ao cliente, ao consumidor, aos fornecedores, ao governo, às universidades, à sociedade, aos seus funcionários, aos seus diversos stakeholders…
Assim, temos um sistema estruturado e organizado (fechado no que diz respeito aos seus valores e cultura) que é a organização, interagindo com o seu meio.
Vamos considerar uma situação totalmente hipotética e utópica:
– Consideremos que os 800 funcionários de uma empresa (incluindo executivos, diretores e o próprio presidente) façam uma greve. Os mesmos se encontram todos em pé do lado de fora da empresa, olhando para suas instalações, estáticos e aguardando…
Talvez existam alguns terceirizados (vigias, pessoal da limpeza) lá por dentro, mas as operações, logicamente, estão todas paralisadas (para desespero dos acionistas, rsrsrsrsrs).
Lá está a organização: com sua Missão, Princípios e Valores destacados num quadro no hall de entrada, com seus procedimentos, com suas normas, com seus sistemas, com seus equipamentos, com seus processos, com suas instalações, com seu maquinário, com suas matérias-primas, com seus produtos em estoque, etc. etc.
Desta feita, o Conselho de Administração resolve demitir todo mundo, desde o presidente até a recepcionista.
“Suponhamos” que no dia seguinte cheguem 800 novos funcionários para assumirem todas as funções.
Levarão algum tempo até se ambientarem e para fazer com que a coisa se normalize, mas irá ocorrer (com “algum” custo).
Eles absorverão a Missão, os Princípios e os Valores, enfim, a cultura organizacional, começarão a atender aos pedidos, a responder aos mails, a atender aos telefonemas, a produzir, a receber as compras, a despachar as mercadorias, a dar prosseguimento aos planos, às estratégias, enfim, tudo voltará ao normal.
Assim pergunto: a organização é a soma de seus colaboradores ou os colaboradores são a organização ? Ou ambos ?
Logicamente a organização é a soma de seus colaboradores, juntamente com seus Princípios, Valores, Know-how, cultura, instalações, clientes, consumidores, procedimentos, marcas, maquinários, processos, sistemas e etc. E os colaboradores são a organização na medida em que fazem com que ela exista, funcione, opere e interaja com seu meio.
No momento em que a organização estava paralisada, com o pessoal em greve, ela poderia ser considerada um sistema fechado (aliás, bem fechado).
Mas no momento que se utilizou de recursos externos (porque os colaboradores / funcionários são agentes externos, eles são contratados pela organização, não “pertencem” a ela, não fazem parte de seu Balanço ou de seu Patrimônio), aí a organização se tornou efetivamente, um sistema aberto.
O que dá vida à organização não é o capital dos acionistas, não é o maquinário, não são os princípios e valores, nem os sistemas, nem os procedimentos, e sim, as pessoas.
Um corpo humano, da mesma forma, não é um sistema fechado. Se ele não respira, se não recebe a força vital (que vitaliza suas células, seu sangue), ele pode ser um sistema fechado, mas morto.
Não há nada mais valioso que o Capital Humano.
Sem dúvida que as pessoas passam e as organizações ficam, da mesma forma que “ficam os anéis e vão-se os dedos”.
Será que as organizações vão para o céu ou o inferno também ? rsrsrsrsrsrs

Comentário de Darlan Roman em 27 fevereiro 2010 às 17:20

Perfeito Vitor,
No entanto, acho radical demais denominar a organização como sistema fechado, mesmo sob o prisma da cultura. O que acontece é que toda empresa precisa se diferenciar de seu ambiente, estabelecendo normas e padrões próprios. No entanto, esse fechamento implica em abertura, até pra permitir sua sobrevivência.
E quando uma organização poluidora se vê frente a frente com uma nova lei ambiental? Terá que aceitar a “irritação” vinda do meio e se adequar. Essa adequação implica, inclusive, em mudanças culturais. Ora, essa modificação só ocorre pq a empresa é um sistema aberto e influencia e é influenciada pelo entorno.

Comentário de Vítor Alberto Klein em 27 fevereiro 2010 às 17:43

Olá Darlan,
Sim, com certeza. Concordo com suas colocações. Mas também entendi o que o Sérgio quis colocar.
Talvez, quando analisemos a questão da cultura organizacional devamos considerar um conceito de “auto-regulação”, portanto.
É auto-regulada e aberta (com ampla interação com seu entorno).
O planeta Terra, dentro da hipótese GAIA, trata-se de um sistema auto-regulado (ou seja, se auto-equilibra, se auto-gere) e no entanto, trata-se de um sistema aberto.

Comentário de Jose Julio Martins Torres em 27 fevereiro 2010 às 18:03

Segue texto que acho pertinente às nossas conversas:
La Organización como Sistema Abierto y Social
Extraído da Tese de José Navarro Cid “Las Organizaciones como sistemas abiertos alejados Del equilíbrio” – Universidade de Barcelona
Tese completa em http://www.tesisenxarxa.net/TDX-0116102-114349

Desde mediados de los sesenta, las variadas conceptualizaciones del fenômeno organizativo tienen en cuenta esta visión de la organización como sistema (Quijano, 1993), como sistema abierto si precisamos. Para muestra, un botón. Mayntz en 1963 se refiere a las organizaciones como que ‘están en una constante relación de intercambio con su medio social’ (pág. 59, la cursiva es nuestra), enfatizando el que a pesar de su continuo intercambio con el medio, las organizaciones conservan su identidad, aunque para ello necesiten adaptarse a las variaciones del medio ambiente. Comenta, ‘esta propiedad, llamada también ultraestabilidad, utilizando esta expresión tomada de la cibernética, presupone la existencia de aptitudes para aprender y para renovar, de aptitud para la innovación’ (pág. 60).
Pero no sólo es Mayntz. De hecho podemos considerar a los padres de la consideración de la organización como sistema abierto a los investigadores del Tavistock Institute de Londres. Parece ser que fue Fred Emery el introductor del concepto de sistema abierto dentro del citado instituto y ‘el primer científico social que supo apreciar la significación de las ideas de Bertalanffy para la psicología y las ciencias sociales’ (Trist, entrevista con Weisbord, 1989, pág. 158). De manera breve, tanto Emery como Trist, Rice y otros investigadores del citado instituto, consideran a la organización como un sistema que importa información, materia prima, dinero, necesidades del cliente y exporta bienes, servicios e ideas por todo lo cual se reciben pagos. A la vez, para estos autores la organización es un sistema sociotécnico, social y técnico. Con ello se pretende integrar los requerimientos sociales de las personas en el trabajo, junto con los requerimientos tecnológicos exigidos por los flujos de trabajo. Ambos aspectos han ser considerados como interdependientes (recuérdese sus trabajos con la industria del carbón británica a finales de los 40 y durante los 50, y la influencia que tuvieron unos cambios en los sistemas de extracción del carbón en aspectos del sistema social como la producción, el absentismo, etcétera; Trist, 1950; Trist y Bamford, 1951). En definitiva, para la teoría sociotécnica ‘a fin de sobrevivir y desarrollarse, los sistemas deben permanecer abiertos a, e interactuar constructivamente con, sus ambientes’ (Fox, 1995, pág. 92, la cursiva es nuestra).
También debemos citar el trabajo de Scott (1961) quién considera que el enfoque de los sistemas abiertos es el más óptimo para el entendimiento de la organización.
Y seguramente hay otras referencias anteriores no conocidas por nosotros, pero de existencia muy probable dado el desarrollo que tuvo la Teoría General de Teoría General de Sistemas y Dinámica de Sistemas: su aplicación a la Teoría Organizativa Sistemas durante la década de los años 50. Con todo ello, consideramos que es em 1966, con la primera edición de la obra de Katz y Khan ‘Psicología Social de las Organizaciones’, cuando se asienta de manera definitiva esta concepción de la organización como sistema abierto. De este modo, afirmarán: ‘Las organizaciones sociales son notoriamente sistemas abiertos, pues el insumo de energias y la conversión del resultado en insumo energético adicional consisten en transacciones entre la organización y su ambiente’ (1966, pág. 25)
Podemos hacernos una idea más gráfica esta visión de las organizaciones de Katz y Khan como una entidad transformadora de inputs ambientales en outputs que también retornan al medio ambiente de la organización. La organización como generadora de un proceso adquisición de inputs-transformación-retorno de outputs al ambiente. Como un sistema en constante intercambio con su entorno, del que depende sobremanera.
La caracterización de la organización como sistema abierto viene, en parte, favorecida por las limitaciones con las que se ha encontrado una perspectiva de sistema cerrado. En especial, destacaríamos dos:
• Primera, la desconsideración del ambiente como fuente de recursos para la organización.
Como dicen Katz y Khan (1966) ‘el mayor error está en no reconocer totalmente que la organización depende continuamente de los insumos venidos del ambiente y que el influjo entrante de materiales y energía humana no es una constante’ (pág. 35, la cursiva es nuestra). Ello ha conllevado a uma preocupación excesiva por el funcionamiento interno de la organización en la medida en que desde los sistemas cerrados sólo hay una vía para llegar a un resultado final (Bertalanffy, 1940). La organización desde la perspectiva de los sistemas cerrados es perfectamente planificable y explicable a partir de los elementos internos de la misma (la Organización Científica del Trabajo de Frederick Taylor sería un ejemplo paradigmático de esta visión con su búsqueda del one best way) y, como certeramente ha señalado Quijano (1993), esta concepción de la organización no permite, en la práctica, conseguir la ‘racionalidad’ que pretende.
• Y segunda, el tratamiento de las irregularidades surgidas en el funcionamiento del sistema debidas a las influencias ambientales como errores del sistema (Katz y Khan, 1966; Peiró, 1983) o, si se prefiere, como ruido, en terminología de teoría de la información (Shannon y Weaver, 1949), limitando con ello las posibilidades de aprendizaje para la organización.
Frente al tratamiento de la organización como sistema cerrado, Katz y Khan caracterizaron las organizaciones como sistemas abiertos sobre la base de la consideración de los siguientes aspectos:
• Importación de energía del ambiente externo, en forma de recursos materiales, tecnológicos, de capital humano, etcétera. Como dicen Katz y Khan (1966) ‘ninguna estructura social es autosuficiente’ (pág. 29).
• Transformación de la energía o reorganización del input. En el sistema se realiza algún tipo de trabajo.
• Exportación de algún resultado al exterior, tales como productos, servicios, etcétera.
• Los sistemas como ciclos de acontecimientos que se repiten: el producto exportado al ambiente proporciona la fuente de energía suficiente para la repetición del ciclo entrada-transformación-salida.
• Este ciclo, de entrada-transformación-salida, genera entropía negativa, lo que es de vital importancia para el mantenimiento del sistema. Si tomamos en cuenta la nomenclatura prigoginiana, el flujo de entropía (deS) es mayor que la producción de entropía (diS). “Las organizaciones sociales buscarán mejorar la posibilidad de supervivencia y lograr con sus reservas un cómodo margen de funcionamiento” (Katz y Khan, 1966, pág. 31).
Más recientemente, Leifer (1989) ha aplicado la extensión prigoginiana a la segunda ley de una manera más específica. Para este autor, la cantidad total de recursos usados y requeridos por una organización son el resultado de los recursos utilizados en dos procesos: uno, interacciones con el entorno (tales como adquisiciones, ventas, reclutamientos, etcétera) y recursos utilizados en la producción de productos y/o servicios (manufactura, etcétera) y dos, las actividades de la organización referente a mantenimiento y soporte (gestión, I + D, publicidad, etcétera).
Planteado así, para que una organización sobreviva, el término deS ha de ser mayor que el término diS, deS > diS, luego la entropía debida a los intercâmbios organización-ambiente ha de ser mayor que la entropía generada por las actividades organizacionales de mantenimiento y soporte. De este modo se consigue que la entropía venga determinada por el flujo de entropía con el medio, más que por la producción interna de la misma. Flujo de entropía que es positivo según (6). Así la organización consigue mantener una razón favorable de inputs/outputs, determinantes para su supervivencia y desarrollo (Wexley y Yukl, 1977).
• Los inputs del sistema no son sólo de carácter energético, también hay inputs informativos (Miller, 1955, 1965, 1978), que proporcionan señales acerca del ambiente así como de su propio funcionamiento en relación con éste, constituyendo un feedback negativo que conduce a la organización hacia estados estables.
• A pesar del continuo intercambio, la razón de intercambio de energía y las relaciones entre las partes permanece igual; es lo que se conoce como homeostasis (fenómeno muy estudiado en Biología y cuya ejemplificación paradigmática se halla en la regulación corporal de la temperatura). Ashby (1956) hablaba de las variables esenciales del sistema como aquellas que han de mantenerse dentro de ciertos límites a fin de garantizar la supervivencia del propio sistema (por ejemplo, el ya comentado caso de la temperatura, niveles de oxígeno, de glucosa en la sangre, etcétera). Esta homeostasis implica un equilibrio dinámico del sistema, un equilibrio cuasi-estacionario, como diría Kurt Lewin. Se trata, en definitiva, de conservar el carácter del sistema. Así, los sistemas abiertos tenderán a incorporar dentro de sus límites los recursos externos esenciales para su supervivencia.
• Los sistemas abiertos se mueven en la dirección de diferenciación y elaboración, las pautas globales difusas se reemplazan por funciones especializadas, es decir, hay una continua evolución hacia la mayor especialización dentro de la organización (Lawrence y Lorsch, 1969, 1973). Por ejemplo, una diferenciación básica en los sistemas abiertos es la distinción entre subsistemas de producción, encargados de transformar los inputs en outputs, y subsistemas de mantenimiento, encargados del sostenimiento del propio sistema.
• Como contrapartida al proceso de diferenciación, se necesita esfuerzos de integración y coordinación entre partes (Lawrence y Lorsch, 1969, 1973).
• Equifinalidad o propiedad de alcanzar un estado final por diferentes caminos o a partir de condiciones iniciales diferentes. El concepto de equifinalidad, ya propuesto por Bertalanffy en 1940, recoge una característica crítica para diferenciar entre los sistemas abiertos de los sistemas cerrados. Como decía Bertalanffy “los procesos que acontecen en estructuras como de máquina siguen un camino fijo. Así, el estado final cambiará si se alteran las condiciones iniciales o el curso de los procesos. En contraste, puede alcanzarse el mismo estado final, la misma , partiendo de diferentes condiciones iniciales y siguiendo distintos itinerarios en los procesos organísmicos’ (pág. 136-137, la cursiva es nuestra).
No quisiera dar por finalizado este punto sin hacer unos añadidos a la caracterización de Katz y Khan. En primer lugar, los inputs informativos no sólo pueden constituir feedbacks negativos para la organización. Como ya hemos visto, la Dinámica de Sistemas (Forrester, 1961, 1968; Aracil, 1983) y la Cibernética (Wiener, 1948; Ashby, 1956; Maruyama, 1963) nos enseñan que, además de bucles de feedback negativos, que tienden a estabilizar el sistema, también existen bucles de feedback positivos, que tienen a no mantener el equilibrio, sino que transportan al sistema hacia nuevos estados.
Contamos con numerosos ejemplos, en el terreno organizativo, tanto de feedbacks negativos como positivos. Como ejemplos de los primeros, por ejemplo, los mecanismos de socialización tendentes al mantenimiento de las normas existentes, la puesta en marcha de políticas restrictivas en el gasto en periodos de declive, políticas retributivas de incentivación basadas en la consecución de objetivos, etcétera. Como ejemplos de los segundos tenemos, por ejemplo, todos lo que son fenômenos asociados a la propagación de rumores, las estrepitosas caídas bursátiles, el crecimiento desorbitado por el arrastre de un mercado emergente, etcétera.
Segundo, el concepto de homeostasis manejado por Katz y Khan es el clásico: capacidad de mantener al sistema en un estado estable. Pese a que incidan em que este equilibrio es dinámico (“Esto no significa inmovilidad o un verdadero equilíbrio (..)”, pág. 32), su concepción de la homeostasis es que el sistema tiende a mantener “el carácter del mismo, la proporción en los intercambios de energía y las relaciones entre partes” (pág. 32). Es decir, para ellos, y para otros tantos autores, El equilibrio dinámico consiste en ligeras modificaciones alrededor de un punto, de um valor, o de un estado, el cual constituye precisamente la posición de equilibrio (piénsese en lo paradigmático del valor de 37º C. en el caso de la regulación corporal de la temperatura). Recogiendo una idea de Goldstein (1988), los sistemas vivos – las organizaciones lo son – van más allá de este tipo sencillo de homeostasis, siendo la propia organización la variable fundamental que hay que mantener. Y claro está, uma organización puede seguir manteniéndose como tal a pesar de que en ella se den profundos cambios (un ejemplo, los bancos o cajas de ahorros actuales no tienen demasiado que ver con los existentes a mediados de siglo). Volveremos sobre ello en capítulos posteriores.
De otra forma, y remitiendo a la teoría matemática de los atractores que trataremos en el próximo capítulo, esta concepción responde a fenómenos homeostáticos de un sistema cuya dinámica sea descrita por un atractor de punto fijo. Pero hay otros tipos de atractores diferentes a los de punto fijo. Hay atractores de ciclo límite, que describen dinámicas cíclicas, periódicas. Y también hay otro tipo de atractores, los atractores extraños o fractales, que describen dinámicas que no se repiten jamás.
Llevando la apreciación a un plano diferente, por todos es conocido el caso de significativos cambios organizacionales, incluso sociales. En los momentos de revolución o cambio, esta concepción clásica de homeostasis no tiene cabida. Sorokin en 1941 ya hablaba de que el concepto de equilibrio, entendiendo por éste el automantenimiento y regreso a un estado particular, es inconveniente para el análisis de cambios sociales. Y también Turner (1978) ha enfatizado lo inadecuado, por idénticas razones, del concepto de homeostasis. Se precisa de otras nociones. Nociones nuevas de homeostasis que habrán de ser mucho más dinámicas y, posiblemente, que remitan no a mantener el sistema alrededor de un punto, sino a mantenerlo alrededor de un amplio abanico de estados o puntos, los cuales a su vez, podrán dibujar determinadas trayectorias.
Finalmente, hay que hacer referencia a lo que en alguna literatura ha venido siendo considerado como un nuevo principio de la termodinámica (por ejemplo, puede verse una reciente edición a cargo de J. Wagensberg y J. Agustí, 1998, que, bajo el título ‘El progreso. ¿Un concepto acabado o emergente?’, recoge una serie de conferencias sobre la idea de progreso y evolución de diferentes autores de reconocido prestigio como P. Alberch, B. Goodwin, D. Hull, R. Margalef, M. Ruse, M. McKinney además de los dos mencionados editores). Como ya hemos apuntado, los sistemas abiertos son capaces de escapar al devenir de la segunda ley gracias a su importación de entropía negativa. Katz y Khan han hablado de que el ciclo entrada-transformación-salida es generador de entropía negativa. Recientemente, ha habido autores que han enfatizado el papel del flujo de capital (money flow) como una medida de la entropía de los sistemas sociales (Swanson, Bailey y Miller, 1997).
Pero hay más. Los sistemas abiertos no sólo eluden la segunda ley, sino que, además, exhiben transiciones hacia estados de mayor complejidad y de mayor orden y estructuración (Laszlo, 1988; Waldrop, 1992), hecho que ya fue apuntado por Bertalanffy en su ley de evolución biológica (1955) a la que hicimos referencia más atrás. El nuevo principio termodinámico, no reconocido como tal por todos en la física actual, viene a decir que en los sistemas abiertos hay una tendencia natural hacia los incrementos de complejidad, entendiendo por complejidad autonomía com respecto al medio y capacidad de procesamiento de información. Entiéndase bien, tendencia, no una dirección inviolable. El ejemplo paradigmático de esta tendência natural hacia estado más complejos lo constituye el aumento de complejidad orgânica acontecido a lo largo de la evolución biológica. Como atinadamente dice Jorge Wagensberg (1998), entre una bacteria y William Shakespeare algo ha pasado. Este nuevo principio termodinámico introduce un aspecto más relevante para la comprensión del cambio en las organizaciones y en otros sistemas sociales.
A modo de añadido a la consideración de las organizaciones como sistemas abiertos, podemos pensar en ellas como sistemas sociales (recuérdese el enfoque sociotécnico), o socioculturales si se prefiere. Un sistema social es un subtipo dentro de los sistemas abiertos, aunque con características propias y diferenciales. Entre éstas, destacaríamos (Katz y Khan, 1966; Aracil, 1983):
• Las organizaciones no presentan límites físicos o una estructura establecida como en el caso de los sistemas biológicos, en los que podemos encontrar piel, membranas, paredes celulares, etcétera. Floyd H. Allport (1962) aportó una visión de las estructuras sociales como configuradas por los ciclos de acontecimientos más que como partes físicas. En lugar de pensar en estructuras en función de um determinado número de departamentos (la típica figura de un organigrama), se puede pensar en la estructura como un flujo de acontecimientos (procesos de trabajo, flujos de producción, etcétera). Ello es útil si deseamos mantener una visión dinámica del sistema organización, además de enfatizar la importancia de no separar estructura del funcionamiento de la misma. Algo, por otra parte, inherente al concepto de sistema.
• Como cualquier otro sistema abierto, los sistemas sociales requieren de insumos de mantenimiento, además de los de producción. Los insumos de mantenimiento son importaciones energéticas que sostienen al sistema. Los de producción son las importaciones de energía que, al ser transformadas, devienen en resultados productivos del sistema. Pero en el caso de los sistemas sociales, estos insumos de mantenimiento están menos especificados y el problema del mantenimiento es más complejo. Por ejemplo, un organismo vivo requiere de mantener un determinado nivel de temperatura, un determinado nivel de reserva de grasas, de calorías, etcétera. Pero en el caso de los sistemas sociales, la situación es mucho más abierta. Por ejemplo, en la gestión de una organización, hay un amplio abanico de posibilidades de acción. Se puede gestionar de manera autoritária (típico caso de un ejército), de manera controladora (burocracias), o con estilos más democráticos y participativos (utilización de técnicas como la dirección participativa por objetivos, por ejemplo). Y con cualquiera de los diferentes estilos de gestión, se pueden conseguir el propio sostenimiento del sistema. Remarquemos, la situación es mucho más abierta.
• Los sistemas sociales son sistemas inventados, ideados artificialmente, construídos por el hombre. De ahí que Simon (1973) haya hablado de las ciencias de lo artificial. Tan pronto pueden desaparecer, como subsistir a los hombres que las crearon.
• Los lazos que mantienen a las personas vinculadas a los sistemas sociales son más de carácter psicológico y social, que biológicos. Son necesidades como las de pertenencia, de autoestima, de desarrollo personal y profesional, entre otras, las que mantienen a las personas en las organizaciones. Ojo, además de otras como la de una retribución adecuada, de una seguridad relativa, etcétera.
• Los sistemas sociales presentan una mayor variabilidad que otros sistemas abiertos, como los biológicos. Por ejemplo, tienen un mayor gama de objetivos (abanico de productos y servicios muy amplio), pueden a su vez incorporar nuevos objetivos o modificar los existentes (los conocidos fenómenos de desplazamiento, sucesión e incorporación de objetivos) y, presentan un mayor número de mecanismos de control para mantener unido el sistema (todo el aparato burocrático tiene una lectura en clave de control del sistema).
• Un aspecto muy enfatizado por Katz y Khan es la concepción del sistema social como sistema de roles, como concepto que pauta las conductas de los miembros de la organización haciéndoles previsibles. Y con la particularidad que el sistema de roles trasciende a las personas que lo forman, haciéndose posible su continuidad al margen de la continuidad de los miembros. Echando mano del dicho, em los sistemas sociales nadie es imprescindible.
• En el interior de los sistemas sociales se generan fuerzas que determinan su evolución a lo largo del tiempo. De las interacciones entre los componentes del sistema surge el comportamiento dinámico del mismo. Un aspecto de vital importância para comprender la evolución de los sistemas sociales es entender los bucles de realimentación que en él se presentan. Como ya sabemos, mecanismos de realimentación negativos tienden a estabilizar al sistema social, mientras que mecanismos de realimentación positivos tienden a amplificar los efectos y pueden transportar al sistema hacia nuevos estados (ya hemos dado ejemplos de ambos casos). Además, si los bucles de realimentación determinan el desarrollo del sistema social y, como ya hemos dicho más arriba, el funcionamiento del sistema configura su estructura, llegamos a que, las causas de los modos de funcionamiento de los sistemas sociales (sean éstos óptimos o problemáticos) no se encuentran tanto en sucesos previos, como en la estructura misma del sistema.
En este sentido, comienza a existir una fecunda literatura en el tratamiento del cambio de los sistemas sociales como reorganizaciones en las que se modifican los antiguos bucles de realimentación mediante el alejamiento del sistema de su condición de equilibrio actual (por ejemplo, Bigelow, 1982; Nonaka, 1988a; Leifer, 1989; Smith y Gemmill, 1991; Hallinan, 1997). En el capítulo cuarto daremos cuenta más detallada de estos trabajos al caracterizar a las organizaciones como sistemas caóticos.
• Los bucles de realimentación nos brindan, todavía, una sorpresa. Sucede, a veces, que un sistema social no modifica su comportamiento básico cuando se le somete a una determinada acción. Por el contrario, en otros casos, pequeñas acciones producen grandes efectos. El sistema es sensible a pequeñas desviaciones en el valor de un determinado, o determinados, parámetros. Como ya habíamos dicho, y recuperando la expresión, hay puntos en los que la palanca ejerce una mayor presión. Pero aquí, ahora, se viene a enfatizar el carácter catastrófico (esto no lo expresa así Aracil, autor del que extraemos la idea) de algunos valores (nuevamente, el término catastrófico es utilizado aquí en su acepción científica según la Teoría de las Catástrofes elaborada por Thom, 1977 y Zeeman, 1977). En el próximo capítulo desarrollaremos este aspecto, ahora baste decir que los puntos de catástrofes son los puntos en concreto en los que el sistema da un salto hacia un nuevo estado.
• Cabe hacer mención también de algo muy característico de los sistemas sociales y es el habitual conflicto entre políticas a largo plazo y políticas a corto plazo. Como bien señala Aracil (1983), ello condiciona en gran medida la toma de decisiones, en función de un interés temporal más inmediato o más lejano.
• Por fin, los sistemas sociales son sistemas intencionales. Un sistema social puede elegir, decidir sobre qué objetivos perseguir, sobre qué estrategias diseñar, sobre que principios, valores defender, sobre que estructura y diseño organizativo tener, y un largo etcétera. Y también tiene la posibilidad de modificar éstos en cualquier momento. Lo que no quiere decir que ello sea fácil. Los sistemas sociales tienen la propiedad de modificarse a sí mismos de una manera estructural fundamental (Buckley, 1967; Lawrence y Lorsch, 1969). Un sistema social también puede cuestionar los propios principios en los que se ha sustentado hasta ahora. La capacidad de aprendizaje, no se limita a una mera acumulación de experiências que puedan cuestionar el comportamiento habitual de la organización, también se puede llegar a cuestionar las creencias y supuestos compartidos sobre los que ésta se cimienta (Argyris y Schön, 1978; Swieringa y Wierdsma, 1992).
Bien, demos por finalizado en este punto la caracterización de la organización como sistema. Como sistema abierto y social. A modo de resumen, y de recordatorio, recogemos a continuación algunas de las características que hemos ido comentado de la organización como sistema abierto y social, y que hemos considerado como más relevantes.
Tabla 3: La Organización como Sistema Abierto y Social.
01.- Conjunto de individuos y/o grupos interrelacionados, y de cuyas interacciones surge un comportamiento como un todo, como organización en conjunto.
02.- Sistemas, subsistemas, suprasistemas.
03.- Interés por los problemas de relación, de estructura, de interdependencia.
04.- Aparición de emergentes.
05.- Existencia de puntos clave de influencia.
06.- En constante intercambio con su entorno.
07.- Estructura basada en el funcionamiento.
08.- ‘Alimentándose’ de entropía negativa (capaces de escapar al devenir marcado por la segunda ley).
09.- Equifinalidad.
10.- Con mecanismos de retroalimentación (positivos y negativos).
11.- En complejidad creciente (mayor autonomía con respecto al medio).
12.- Sistemas inventados.
13.- Sistemas de roles.
14.- Sistemas intencionales.

Comentário de Vítor Alberto Klein em 9 março 2010 às 19:59

O paradoxo paradigma do complexo, ou, o complexo paradigma do paradoxo ?

Refletindo um pouco sobre a nossa atual realidade, os possíveis cenários futuros e considerando distintos aspectos como:

– avanços tecnológicos alcançados diuturnamente;
– as questões ambientais;
– a perda de valores sociais e familiares básicos;
– a crescente violência urbana e a corrupção política;
– a “explosão” dos grandes centros urbanos;
– os constantes avanços da Ciência;
– o crescimento vertiginoso das Redes Sociais;
– as diversidades culturais entre países e a necessidade da absorção inter-cultural, em razão da globalização;
– a emergência de novos mercados;
– a constituição do G20;
– o PAC brasileiro (que empacou);
– o fortalecimento do mercado interno brasileiro;
– o crescimento da classe média brasileira;
– o “unilateralismo” e ambigüidade da Organização Mundial do Comércio – OMC – Rodada DOHA (dóa a quem doer);
– o “cotidiano” dos conceitos de acessibilidade, de conectividade, de virtualidade, de interatividade e de mobilidade;
– a constante normalização e regulação dos mercados;
– o poder avassalador das mídias (no que há de positivo, e também, de negativo);
– etc.

Me pergunto: estaremos lidando com “ o paradoxo paradigma do complexo, ou, o complexo paradigma do paradoxo ? “
Pois me vem à mente um comercial de um banco (se não me engano) que diz mais ou menos assim:
“ O melhor (empresa, produto/serviço), é o melhor para o Mundo “, em suma, para a sociedade, para os acionistas, para o meio-ambiente e para as pessoas.
A atual “Era do Conhecimento”, bem como a atual também “Era da Incerteza” (diga-se de passagem, a cada dia mais incerta) não pode ceder lugar à Era da Apatia e da Fragmentação.
Empresas / Organizações / Instituições, a Sociedade (Educação, Cultura, Saúde, Segurança, Bem-Estar, Valores, Ética e etc.) e a Governabilidade devem caminhar juntas, rumo ao bem-comum e em prol de todos.
Recorri à Wikipédia para a busca dos seguintes conceitos (paradoxo, paradigma e complexidade) e de outros elementos importantes:

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1) Paradoxo
Um paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é “o oposto do que alguém pensa ser a verdade”. A identificação de um paradoxo baseado em conceitos aparentemente simples e racionais tem, por vezes, auxiliado significativamente o progresso da ciência, filosofia e matemática.

2) Paradigma
Literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas.
Thomas Kuhn, físico americano célebre por suas contribuições à história e filosofia da ciência em especial do processo que leva à evolução do desenvolvimento científico, designou como paradigmáticas as realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.
Em seu livro a Estrutura das Revoluções Científicas apresenta a concepção de que “um paradigma, é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e, inversamente, uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma”,e define “o estudo dos paradigmas como o que prepara basicamente o estudante para ser membro da comunidade científica na qual atuará mais tarde”.
Beto Hoisel, autor de um ensaio ficcional, que aborda como a ciência de 1998 haveria de se encontrar em 2008, chama atenção para o aspecto relativo da definição de paradigma, observando que enquanto uma constelação de pressupostos e crenças, escalas de valores, técnicas e conceitos compartilhados pelos membros de uma determinada comunidade científica num determinado momento histórico, é simultaneamente um conjunto dos procedimentos consagrados, capazes de condenar e excluir indivíduos de suas comunidades de pares. Nos mostra como este pode ser compreendido como um conjunto de vícios de pensamento e bloqueios lógico-metafísicos que obrigam os cientistas de uma determinada época a permanecer confinados ao âmbito do que definiram como seu universo de estudo e seu respectivo espectro de conclusões adredemente admitidas como plausíveis.
Na comunicação 3 de seu livro Anais de um simpósio imaginário, Hoisel destaca ainda que uma outra conseqüência da adoção irrestrita de um paradigma é o estabelecimento de formas específicas de questionar a natureza, limitando e condicionando previamente as respostas que esta nos fornecerá. Um alerta já nos foi dado pelo físico Heisenberg quando mostrou que, nos experimentos científicos o que vemos não é a natureza em si, mas a natureza submetida ao nosso modo peculiar de interrogá-la.

3) Complexo / complexidade
Trata-se de uma visão interdisciplinar acerca dos sistemas complexos adaptativos, do comportamento emergente de muitos sistemas, da complexidade das redes, da teoria do caos, do comportamento dos sistemas distanciados do equilíbrio termodinâmico e das suas faculdades de auto-organização.
Esse movimento científico tem tido uma série de consequências não só tecnológicas mas também filosóficas. O uso do termo complexidade é portanto ainda instável e na literatura de divulgação freqüentemente ocorrem usos espúrios, muito distantes do contexto científico, particularmente em abstrações ao conceito (crucial) de não-linearidade.
A complexidade e suas implicações são as bases do denominado pensamento complexo de Edgar Morin, que vê o mundo como um todo indissociável e propõe uma abordagem multidisciplinar e multirreferenciada para a construção do conhecimento. Contrapõe-se à causalidade por abordar os fenômenos como totalidade orgânica.
Segundo Edgar Morin: “À primeira vista, a complexidade (complexus: o que é tecido em conjunto) é um tecido de constituintes heterogêneos inseparavelmente associados: coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Na segunda abordagem, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem o nosso mundo fenomenal. Mas então a complexidade apresenta-se com os traços inquietantes da confusão, do inextricável, da desordem, da ambigüidade, da incerteza… Daí a necessidade, para o conhecimento, de pôr ordem nos fenômenos ao rejeitar a desordem, de afastar o incerto, isto é, de selecionar os elementos de ordem e de certeza, de retirar a ambigüidade, de clarificar, de distinguir, de hierarquizar… Mas tais operações, necessárias à inteligibilidade, correm o risco de a tornar cega se eliminarem os outros caracteres do complexus; e efetivamente, elas tornam-nos cegos.”
A proposta da complexidade é a abordagem transdisciplinar dos fenômenos, e a mudança de paradigma, abandonando o reducionismo que tem pautado a investigação científica em todos os campos, e dando lugar à criatividade e ao caos.
Sendo transdisciplinar (a complexidade), não é possível uma definição sucinta do termo e suas aplicações. Alguns dos conceitos que compõem o tecido da complexidade:
• auto-organização
• amplificação por flutuações
• artificialeza
• autoconsistência
• autopoiese: capacidade de um sistema de organizar de tal forma que o único produto seja ele mesmo.
• auto-semelhança
• imprecisão
• conectividade
• construtivismo
• correlação
• criticabilidade
• dialógica
• diversidade
• emergência
• fluxo
• imprevisibilidade
• inclusão
• metadimensionalidade
• onijetividade
• paradoxo
• aderência
• potencialidade
• retorno
• ressonância
• rizomas
• virtualidade

Auto-organização, fractalidade e emergência
A noção de emergência está ligada à teoria dos sistemas. Um sistema constitui-se de partes interdependentes entre si, que interagem e transformam-se mutuamente, desse modo o sistema não será definível pela soma de suas partes, mas por uma propriedade que emerge deste seu funcionamento. O estudo em separado de cada parte do sistema não levará ao entendimento do todo, esta lógica se contrapõe ao método cartesiano analítico que postulava justamente ao contrário.
Nesta perspectiva o todo é mais do que a soma das partes. Da organização de um sistema nascem padrões emergentes que podem retroagir sobre as partes. Por outro lado o todo é também menos que a soma das partes uma vez que tais propriedades emergentes possam também inibir determinadas qualidades das partes.

Mudança, evolução e realimentação
Um sistema realimentado é necessariamente um sistema dinâmico, já que deve haver uma causalidade implícita. Em um ciclo de retroação, uma saída é capaz de alterar a entrada que a gerou, e, conseqüentemente, a si própria. Se o sistema fosse instantâneo, essa alteração implicaria uma desigualdade. Portanto em uma malha de realimentação deve haver um certo retardo na resposta dinâmica. Esse retardo ocorre devido a uma tendência do sistema de manter o estado atual mesmo com variações bruscas na entrada. Isto é, ele deve possuir uma tendência de resistência a mudanças. O que, por sua vez, significa que deve haver uma memória intrínseca a um sistema que pode sofrer realimentação.

Caos, desordem e incerteza
Os trabalhos de divulgação de Ilya Prigogine talvez sejam as melhores fontes para entender rigorosamente o papel do caos e sua relação com a incerteza. As teorias do caos, popularizadas pelo “efeito borboleta”, (a qual a alusão em que o bater de asas de uma borboleta no pacífico poder causar um tufão em outro lugar distante do planeta é apenas uma alegoria estilística para a interpretação real do fenômeno), estão relacionadas à não-lineariedade e à sensibilidade às condições iniciais.
Assim, relações deterministas, às vezes muito simples, podem gerar, após muitas interações, divergências de trajetórias significativas partindo de condições iniciais muito próximas. Daí se afirmar que há um comportamento caótico, já que não há padrão para determinar no longo prazo (ou após muitas interações) qual o comportamento da trajetória a partir de condições iniciais aproximadas, ainda que para, por exemplo, 40 casas decimais! Porém, surpreendentemente, se do ponto de vista individual há o caos, muitas vezes há um padrão estatístico com relação à distribuição de probabilidade das trajetórias, o que permite alguma inteligibilidade e tratamento científico do caos.

Expoentes do estudo da complexidade:
• Benoit Mandelbrot
• David Bohm
• Edgar Morin
• Edward Lorenz
• Francisco Varela
• Fritjof Capra
• Geoffrey Chew
• Gregory Bateson
• Humberto Mariotti
• Humberto Maturana
• Ilya Prigogine
• Lynn Margulis
• Pedro Demo
• Rupert Sheldrake

———————>>

Portanto, mais do que nunca, as Empresas e Instituições necessitam de profissionais com visão ampla, holográfica, complexa e integrada, que se utilizem dos conceitos do “pensamento sistêmico” e da “teoria da complexidade”, formando “Arquitetos de Soluções & Negócios”, pois estes serão as chaves para os desafios das próximas décadas, em constante atendimento aos anseios de seus clientes, consumidores, acionistas, stakeholders e ecossistema.

Pergunta: traçando um paralelo com as questões por mim colocadas ao início do post (meio difusas), cometi alguma blasfêmia ?

Comentário de Sérgio Luís Boeira em 10 março 2010 às 9:07

Caro Vítor
A meu ver, a complexidade e o paradoxo são inerentes à realidade, quando esta é examinada em um nível mais profundo do que aquele confortável a que as ideologias nos dão acesso. Mas para isso é preciso um pensamento complexo, crítico, que não se limita à ciência, nem à filosofia, nem às tradições, etc, O pensamento complexo requer uma compreensão objetiva (dados quantitativos, objetivos, diretamente constatáveis), uma compreensão subjetiva (que requer empatia, capacidade de autocrítica e de intuição sobre o ponto de vista contrário ao nosso) e a combinação destas duas formas de compreensão.
No meu modo de entender, Thomas Kuhn e Edgar Morin são os epistemólogos mais relevantes do nosso tempo. A rigor, têm compreensões diferentes, mas também convergentes sobre ciência. Escrevi um artigo acadêmico comparando suas perspectivas. Veja em anexo.
PARADIGMA NAS PERSPECTIVAS DE KUH E MORIN.pdf

Comentário de Vítor Alberto Klein em 10 março 2010 às 11:51

Grande amigo Sérgio,
Analisarei o material (artigo) enviado com toda a minha atenção. Te agradeço imensamente !
Mas a minha pergunta continua. Traçando um paralelo entre as minhas colocações iniciais ao texto anterior e com a questão do paradoxo, do paradigma e do complexo, existem inferências ?
Podemos acreditar que exista um “efeito borboleta” associado mesmo em questões tão difusas como aquelas por mim colocadas ?
Na minha modesta opinião, sim !
Pois cada ação, desde as de menor abrangência, até aquelas de abrangência maior, estão direta ou indiretamente relacionadas ou correlacionadas (em níveis às vezes não identificáveis), na ordem explícita e implícita das coisas. Não analisemos as ações individuais (não cheguemos a esse ponto absurdo), mas as ações coletivas, de grupos, de empresas, de instituições, de governos.
Creio que não temos mais espaço (e tempo) para dissociar questões tecnológicas, de questões sociais, de questões ambientais, de questões econômicas, de questões científicas, de questões culturais, enfim, tudo está relacionado (desfragmentado).
Claro que, “ninguém” exigirá que sejamos super-homens e que tenhamos uma visão totalmente holográfica a respeito da realidade (isto é impossível, ou talvez não), mas, na medida em que possamos possuir esta visão e de estabelecer essas relações / correlações, creio que grandes avanços serão alcançados em prol da humanidade.

Comentário de Antônio Sales em 11 março 2010 às 9:39

Olá, Vítor.
Muito interessante sua reflexão. Pelo que entendi de sua pergunta, diria que todos esses fenômenos sociais e ambientais da atualidade estão imbricados, portanto sofrendo influências mútuas, e para lidar melhor com eles temos que compreender e aprender a conviver com o complexo, o paradoxal e o caráter paradigmático envolvido. Ou seja, nos dias de hoje temos que “trabalhar para pensar bem”, como diz Pascal.
Logo, penso que a questão é como fazer isso na organização e em nosso dia-a-dia ou, dizendo melhor, como por em prática o pensamento complexo cuja necessidade o Sérgio destacou tão bem. Um bom início acho que seria entendermos e aplicarmos os operadores cognitivos do pensamento complexo que o Edgar Morin sempre destacou em seu trabalho, em especial o operador chamado “ecologia da ação” que penso ter muito a ver com a sua reflexão. Sugiro-lhe então a leitura deste TEXTO do Humberto Mariotti que faz parte do livro “Pensamento Complexo”, indicado pela nossa Escola.
Espero ter contribuído.

Comentário de Vítor Alberto Klein em 11 março 2010 às 14:46

Olá Antônio, muito obrigado pelo envio do texto. Eu o lerei com calma. Obrigado mesmo.
Como já havia dito antes, sou um aprendiz, um iniciante neste campo de estudo do complexo, mas creio que possa também oferecer algumas contribuições.
Na realidade, ao listar todas aquelas questões por mim apontadas, não segui nenhum método ou raciocínio estruturado, apenas fui colocando aquilo que me vinha à mente. Tratou-se apenas de um exercício, a fim de verificar se haveriam correlações ou não.
Mas voltando à aplicação destes conceitos junto às organizações:
Não sou “expert” em planejamento estratégico ou em estratégia empresarial, contudo acredito que, a metodologia ainda utilizada seja muito restrita, apenas considerando aspectos econômicos, sociais, mercadológicos, financeiros, organizacionais e etc. não levando-se em conta outras “searas”.
Logicamente, cada organização possui a sua metodologia particular e customizada, digamos assim. De acordo com o seu segmento de atuação, ela define quais são as variáveis e os aspectos a serem considerados em seus estudos.
Existe meio que um check-list de pontos que devam ser considerados em qualquer plano que queiramos estabelecer. Bem, em se tratando de um check-list, concluímos que seja portanto, um padrão, onde a linha de pensamento seja meio que induzida, através deste “paradigma”.
Logicamente o “peso” de questões relativas a meio-ambiente ou a questões políticas, são muito maiores para uma organização que atue no segmento de óleo e gás, do que para uma organização de comércio varejista, por exemplo.
Se não me engano foi Einstein que disse: “penso, penso e penso, e não chego a conclusão alguma, mas quando páro de pensar, a solução surge…” Creio ser a questão do famoso “insight”. Trata-se de acionarmos os mecanismos internos e, num determinado momento, a ordem implícita, se manifestar.
Partindo-se do pressuposto lógico de que qualquer organização deva lidar com fatos, com evidências, com dados / informações palpáveis e fidedignas e com projeções fundamentadas, me pergunto: não estaríamos deixando de considerar algo ? Não estariam faltando alguns elementos significativos em nossas análises ? Bem, apenas o resultado dos estudos e das ações tomadas é que poderão nos demonstrar.
Tanto se fala em “Era do Conhecimento”, mas sinceramente, jamais vi a “coisa” mais fragmentada do que nos dias atuais, e com tendência a aumentar.

Comentário de Sérgio Luís Boeira em 11 março 2010 às 21:42

Pessoal
Um dos autores pioneiros no pensamento organizacional sistêmico-crítico-complexo no Brasil é Alberto Guerreiro Ramos. Destaco especialmente sua última obra, intitulada “A Nova Ciência das Organizações: uma reconceituação da riqueza das nações” (209 páginas), editado pela FGV em 1981. Este brasileiro conhecido internacionalmente não pode faltar na lista de referências da Escola da Complexidade. Ele estava muito à frente de seu tempo. Outro pioneiro do pensamento complexo é Jorge Etkin, que escreveu, em parceria com Leonardo Schvarstein, a obra Identidad de las organizaciones: invariância y cambio (316 páginas), e também (individualmente), Gestión de la complejidad en las organizaciones: la estrategia frente a lo imprevisto y lo impensado (393 páginas). Etkin foi um dos pioneiros na América Latina a trabalhar explicitamente com o referencial do paradigma da complexidade nos estudos organizacionais. Um outro autor que a meu ver não pode faltar na lista é internacionalmente conhecido e uma das referências mais constantes nas boas dissertações e teses que tratam de organizações: Gareth Morgan, autor do clássico Imagens da Organização (421 páginas).
Embora haja muitas obras que tratem de “complexidade” nas organizações, utilizando o conceito de “sistemas adaptativos complexos”, nem sempre se trata de algo realmente bom. Pelo contrário, é preciso observar que atualmente o termo “complexidade” virou rótulo da moda, muitos autores querem parecer complexos. Mesmo que escrevam coisas banais ou então apenas reproduzem idéias convencionais com um verniz de “complexidade”. Na bibliografia de administração e também de educação ambiental o termo “complexidade” emplacou, definitivamente. Agora é preciso começar a distinguir o que bom, autêntico, do que é apenas efeito de moda.

Comentário de Darlan Roman em 11 março 2010 às 22:02

Olá Prof. Sérgio,
Durante meu mestrado tive oportunidade de me aprofundar um pouco em relação a obra de Guerreiro Ramos. Até ler seu comentário eu não havia idealizado a obra citada do Guerreiro como um pensador Sistêmico-crítico-complexo. Sistêmico e crítico sim, mas complexo tenho dúvidas. Em relação aos SAC (sistemas adaptativos complexos) a autora Márica Agostinho descreve bem (de acordo com o ponto de vista dela) o que significa este termo. Vale lembrar que o livro de Agostinho se intitula Complexidade e Organizações, mas ao leitor que tem alguma bagagem sobre complexidade, fica uma sensação de que algo não está batendo, faltam ligações e argumentos convincentes que remetam esta obra ao termo complexidade, na sua essência.
Concordo contigo e compartilho sua preocupação em relação ao risco frente ao fato de atualmente o termo “complexidade” ter virado rótulo da moda, e muitos autores querem parecer complexos, mas não conseguem reproduzir esse querer em algo consistente.

Comentário de Vítor Alberto Klein em 12 março 2010 às 1:34

Olá,
Valeram as dicas, as explicações e o cuidado que tenhamos que ter (em relação à escolha das obras realmente pertinentes) consideradas pelo Sérgio.

Comentário de Sérgio Luís Boeira em 12 março 2010 às 2:04

Darlan
Conheço bem o livro de Márcia Agostinho. Nem se compara à obra que citei de Guerreiro Ramos, A Nova Ciência das Organizações. Não importa se um autor usa ou não o termo “complexidade”. Isso é secundário. O que importa é a contribuição efetiva que ele oferece. Não devemos seguir rótulos, apenas. Não devemos nos deixar impressionar por rótulos. Isso seria modismo. O conceito de sistemas adaptativos complexos é mais apropriado ao pensamento sistêmico do que ao pensamento complexo, que vai além, que inclui o sistêmico, mas não se limita a ele. A teoria da delimitação de sistemas sociais de Guerreiro Ramos vai além da teoria sistêmica de base estrutural-funcionalista, vai além da teoria comportamentalista e outras, e faz uma contribuição original ao que ficou conhecido como “estudos críticos” mais tarde. Não é exatamente a continuidade da teoria crítica que surgiu na Alemanha, porque se refere ao ambiente organizacional, mas também não se limita ao pensamento organizacional. Guerreiro Ramos introduz o chamado paradigma paraeconômico, que compreende diversas categorias, especialmente a isonomia, a fenonomia e a economia, afirmando que esta última tem encoberto a existência das outras duas dimensões e, com isso, tem provocado o atraso do pensamento organizacional, uma simplificação, poderíamos dizer. Guerreiro Ramos não era insensível à economia, mas era crítico do determinismo econômico nas organizações e na sociedade. Não queria substituir a economia pela fenonomia e pela isonomia, mas possibilitar a articulação complexa delas, liberar e atualizar as potencialidades humanas. Ele foi um dos primeiros a conceber a sociedade “reticular”, ou seja, em redes. Para que esta sociedade humana voltasse a evoluir, a fenonomia e a isonomia deviam ser reconhecidas e estimuladas nas organizações. Isso seria feito de maneira política, epistemológica, artística. O sistema social organizacional era concebido como epistemológico, sistema que incute uma determinada política cognitiva. O mercado tem imposto a política cognitiva mercadocêntrica, estendendo a economia sobre as demais dimensões das organizações e da sociedade.
O reconhecimento das faces fenonômica e isonômica das organizações é um processo que requer a crítica da economia, mas não a separação desta das demais dimensões. A fenonomia refere-se à criatividade, basicamente, enquanto a isonomia refere-se à igualdade, ao que atualmente vem sendo chamado de capital social. Todo o pensamento de Guerreiro Ramos é complexo, especialmente na sua última obra. É preciso fazer uma leitura prudente, cuidadosa, porque o texto é bastante denso, transdisciplinar, conjugando psicologia profunda, ecologia, sociologia, administração e filosofia. Já no caso da obra de Márcia Agostinho não existe esta riqueza transdisciplinar. O que existe é a teoria administrativa guiada por conceitos inovadores, como o de sistemas adaptativos complexos, auto-organização, cooperação, autonomia, agregação. Mas não vai muito além disso. É uma obra bem simples, que qualquer um compreende sem dificuldade, inclusive porque não tem muitas pretensões. A noção de complexidade dela é em parte baseada em Morin, em parte em autores norte-americanos, que não têm a mesma riqueza transdisciplinar de Morin. É uma obra de introdução à abordagem da complexidade nas organização. Já a obra de Guerreiro Ramos é um clássico traduzido em diversas línguas e reconhecida internacionalmente.

Comentário de Regina Stella Spagnuolo em 24 maio 2010 às 21:38

Adorei o contexto da cultura organizacional. Trabalhei muitos anos em organizações de saúde onde seus colaboradores incansáveis pouco conheciam/conhecem sobre cultura organizacional. Não há espaço-tempo na maioria dessas organizações para reflexões/discussões sobre clima-cultura organizacional. Os grupos dominantes sempre gastam muita energia para manter as equipes atarefadas o suficiente e como meras reprodutoras de tarefas parcelares e fragmentadas, comprometendo o resultado do cuidado humano que deve ser integral. Parabéns por abordar temas sempre tão bons e que nos fazem refletir em nosso campo de atuação!

Comentário de Antônio Sales em 3 janeiro 2011 às 14:52

Olá, amigos e amigas.

Primeiro gostaria de desejar a todos um ano de 2011 de muita paz, grandes mudanças e boas realizações na vida de cada um de nós.

Quero também dar boas-vindas aos últimos colegas que se integraram a nossa equipe. Aproveitem e revejam as conversas (comentários abaixo e diálogos acima) que já rolaram por aqui. Temos muitas idéias desenvolvidas que nos ajudam a entender e a aplicar as novas abordagens da complexidade ao mundo organizacional.

E aproveitando para contribuir com os diálogos da nossa equipe, gostaria de sugerir a todos a leitura de um livro lançado recentemente por Humberto Mariotti chamado “PENSANDO DIFERENTE: PARA LIDAR COM A COMPLEXIDADE, A INCERTEZA E A ILUSÃO”. É o livro que estou lendo atualmente e, em suma, o autor traz situações e reflexões muito úteis para sabermos lidar com o intangível, o erro, a incerteza e a ilusão que são inerentes a nossa realidade cotidiana e que comumente negamos. Fala também da necessidade de pensar diferente diante dos problemas que enfrentamos, sobre nossa resistência à mudança na forma de pensar e agir, sobre construção social da realidade, dentre outros pontos.

A propósito, a seguir compartilho um artigo sobre esse livro publicado recentemente no Valor Econômico.

Abraço a todos

 

Intuição, caminho para aprender e criar

Edson Pinto de Almeida – Valor Econômico
19/10/2010
“Pensando Diferente” Humberto Mariotti. Editora Atlas 320 páginas, R$ 55,00

“Você não é pago para pensar, mas para fazer.” Se essa frase lhe soa familiar no ambiente de trabalho, não fique irritado se depois de ouvi-la receber por e-mail um comunicado incentivando todos a trabalhar pela inovação e para gerar novas idéias.

O que parece confuso e paradoxal no universo das organizações nada mais é do que reflexo de uma cultura utilitária e quantificadora. “É assim que as coisas funcionam”, explica Humberto Mariotti, psicoterapeuta, consultor na área de desenvolvimento pessoal e organizacional, professor da Business School São Paulo (BSP), em “Pensando Diferente”. Sua proposta é alentadora, pois pretende livrar-nos do conformismo e mostrar caminhos para lidar com a incerteza e a complexidade. Ele faz um convite à reflexão e mostra que é possível combinar atitudes de filósofo, aquele que pensa, com a de tecnocrata, o que realiza.

Não é tarefa fácil, na medida em que as organizações buscam reforçar o que o jargão administrativo chama de “melhores práticas”. Para Mariotti, trata-se de pura ideologia, que reduz tudo a uma lógica que confunde utilitarismo com competência profissional. O argumento para comportar-se segundo a regra do “faça e não pense” é manter a objetividade e, portanto, a eficiência. De fato, numa atitude de buscar segurança e evitar a incerteza, as pessoas gostam de seguir o manual de melhores práticas para não ter que pensar. Mas, como nota Mariotti, “deixam de perceber que as ditas melhores práticas em geral são ações repetitivas que não produzem inovação”.
Exemplo bem simples é o do médico que trata seus pacientes utilizando os melhores recursos, mas não leva em consideração as diferenças de cada pessoa na forma de se relacionar com a doença. A eficiência do método, nesse caso, não leva necessariamente aos melhores resultados.
O livro de Mariotti não se propõe ser um manual sobre como pensar diferente. Faz refletir e mostra como construímos armadilhas que nos aprisionam a atitudes simplificadoras. Ele valoriza a intuição, como meio de conhecimento e fonte de criatividade, ao demonstrar que a lógica linear-cartesiana (a que compreende o todo pelas partes que o compõem) não é a única a ser levada em conta.
O pensar diferente de Mariotti está muito próximo do que a Apple faz para se diferenciar e manter-se na ponta da inovação. O design dos produtos iPad, iPod e computadores Macs não é aleatório e muitas vezes determina sua funcionalidade. No livro, o autor menciona o exemplo dos relógios Swatch, no final da década de 1970, para mostrar como romper a limitação da cultura vigente, que vê o conhecimento como utilidade e não como valor. A inovação da indústria relojoeira suíça, ao enfrentar a dura competição japonesa, foi muito mais filosófica do que resultado de tecnologia ou qualidade dos produtos. O mundo da indústria suíça, até então regido pela lógica imutável da precisão, foi alterado em sua essência. O sucesso do Swatch é produto do subjetivo – aspectos emocionais, artísticos, ligados à moda- em complemento a características objetivas.
A alusão aos relógios não é acidental. Serve para distinguir sistemas complexos de sistemas complicados. Nestes últimos, elimina-se a incerteza e o erro – como a precisão mecânica. Os sistemas complexos embutem a natureza humana e toda ambiguidade inerente a ela. Para Mariotti, os gestores erram ao não aceitar um certo nível de erro e a incerteza no mundo real – esse nível sempre é maior do que se pensa. A falta de consciência sobre esse fato causa a ilusão de que é possível suprimir a complexidade da natureza para poder dominá-la.
A repetição de crises econômicas, por mais que revelem a irracionalidade do componente humano, não é suficiente para evitar a ilusão de que os mercados podem se comportar de forma perfeita, como relógios. Racionalizar a perfeição dos mercados é agir como a raposa que desdenha das uvas por acreditar que estejam verdes. “Esquecêmo-nos do que nos convém esquecer e só nos lembramos do que convém lembrar.” Segundo ele, essa é a razão pela qual “a ortodoxia é vista com bons olhos: ela nos proporciona a ilusão de que pouco ou nada mudará, o que alivia nossa insegurança”.
Pensar diferente, na visão do autor, é lidar com o intangível. Nossa cultura, porém, estaria mais voltada para enxergar apenas o sólido e o concreto, ou tudo que pode ser mensurado. A mudança que ele propõe está relacionada a um princípio básico da ciência da complexidade: um sistema é complexo não pelo número de elementos que o compõem, mas pelo número de conexões entre eles. Exemplo? Cinco meses antes dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, vários relatórios apontavam sinais de que Osama Bin Laden planejava alguma coisa relacionada a Nova York. Embora tenham recebido os documentos, CIA, FBI e Departamento de Estado agiram de forma burocrática e passaram adiante os relatórios sem que as informações fossem cruzadas. Uma providência que parece óbvia não foi tomada. Para Mariotti, sem o cruzamento dos dados, as informações não tinham valor como conhecimento. “A interação faz a inteligência. E isso é intangível.”

Comentário de Sérgio Luís Boeira em 18 janeiro 2011 às 10:33

Pessoal

Para quem não conhece a revista Organizações & Sociedade, com muitos artigos disponíveis na internet, e para quem pretende ter acesso ao número especial dedicado à obra de Alberto Guerreiro Ramos, aqui vai o link  http://www.revistaoes.ufba.br/viewissue.php?id=54

1 Comentário »

  1. […] link:  https://vitoralbertoklein.wordpress.com/2011/04/04/uma-discussao-na-escola-da-complexidade/ Gostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso post. Deixe um comentário […]

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