Vítor Alberto Klein's Blog

02/04/2011

VOTO DE CASTIDADE

Filed under: Gestão Empresarial — vitoralbertoklein @ 11:30

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Fonte:  http://jeffersonws.blogspot.com/2011/04/voto-de-castidade.html

Para purgar uma década de desvarios e de excessos, as empresas devem voltar ao básico.
Por Thomaz Wood Jr.
Para purgar uma década de desvarios, as empresas devem adotar um rigoroso código de conduta. Objetivo: purgar os excessos e voltar ao básico.
O exemplo vem do Norte, frio e bem-criado. Em 1995, um grupo de jovens cineastas dinamarqueses lançou o irônico Dogma-95. Considerado como golpe publicitário pelos mais ranzinzas, o manifesto propunha salvar o cinema do artificialismo e dos efeitos especiais. Nobre causa! Para garantir a recuperação da Sétima Arte, foi criado um “voto de castidade”, com uma série de regras éticas e estéticas. Alguns exemplos: a filmagem deve ser feita em locações – nada de estúdios; o som deve ser gravado junto à imagem; a película tem de ser colorida e não se utiliza iluminação artificial; efeitos ópticos e filtros são proibidos; filmes de gênero – policial, romance, por exemplo – não são aceitos; e o diretor não deve ter seu crédito destacado, porque as obras são coletivas. O movimento promoveu talentos, como Thomas Vinterberg e Lars von Trier, e gerou obras de grande força dramática, como Os Idiotas e Mifune.
Vencida uma década, esse escriba crê que é chegada a hora de a Administração também adotar um código de conduta. Afinal, depois de anos de introdução de novidades e pirotecnias diversas, a gestão de empresas continua uma lástima, um verdadeiro filme B, com canastrões interpretando roteiros inverossímeis e finais vez por outra escabrosos. A máquina de relações públicas tenta preservar marcas e reputações. No entanto, das entranhas corporativas continuam a brotar histórias de horror, a envolver tramas palacianas, prolongadas crises, patologias diversas, pequenos e grandes delitos, barões abusivos e profissionais aviltados. Cumpre, portanto, lançar um voto de castidade empresarial, a ser adotado como base para a superação do estado das coisas:
– Toda a retórica corporativa deve ser depurada, a fim de se recuperar o realismo na comunicação. A linguagem deve ser simples e direta. Ficam proibidas declarações de missão e visão, assim como expressões vazias, tais como classe mundial, proatividade, sinergia, vantagem competitiva, capital intelectual e solução holística.
– As próprias empresas devem encontrar soluções para seus problemas. São, portanto, proibidos o uso de pacotes, a adoção de panacéias gerenciais e as certificações de qualidade e congêneres para promoção da imagem corporativa.
– A tecnologia da informação deve ser usada apenas para o bem. São proibidos projetos grandiosos, de ambições desmedidas e escopo incerto.
– Os executivos passam a exercer atividades executivas. Devem, portanto, ser evitadas as contratações indiscriminadas de consultores e assessores, assim como a terceirização inconseqüente de atividades estratégicas. Pelo mesmo motivo, é também banido o uso de telefones celulares no ambiente de trabalho. Executivos devem estar presentes de corpo e cérebro em suas empresas, não a flanar em ondas eletromagnéticas.
– É proibido o uso de recursos de apelo fácil para fins de manipulação e controle dos quadros profissionais. São banidos o curandeirismo, o esoterismo e os livros e as revistas de auto-ajuda empresarial.
– São também proibidas as práticas destinadas a motivar os funcionários. O trabalho passa a ter (ou não) sentido em função de suas características intrínsecas. Devem ser, portanto, banidas as palestras motivacionais e as dinâmicas de grupo, especialmente aquelas que terminam em catarse coletiva ou em declarações de “descobertas profundas” e encontro do “verdadeiro eu”.
– É banida a maquiagem de currículo. Os históricos profissionais deverão conter apenas informações factuais, sem uso de hipérboles destinadas a inflar artificialmente as qualidades dos candidatos.
– É suspensa a contratação de MBAs e assemelhados. Esses atores, de excessiva ambição e pouco pendor para o trabalho, deverão ser mantidos a distância ou em funções estritamente controladas.
– São suspensos os programas de polimento social de executivos: degustação de vinho, etiqueta social, como combinar a gravata com o suspensório, como falar em público e congêneres.
– São suspensas as atividades de relações públicas para a promoção de executivos. Publicações de casos de sucesso, acompanhadas por fotos dos grandes timoneiros são proibidas. O reconhecimento deve ser coletivo.
Em tempo: o manifesto Dogma-95 foi revogado em junho de 2002, no momento em que seus proponentes consideraram sua missão cumprida e superada. Em seu lugar, apostaram na volta à “anarquia básica”. Fica determinado que o presente voto terá validade até 2012. Até lá, poderá ser utilizado pelas empresas de boa vontade para normalizar suas práticas gerenciais.
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Por Vítor Alberto Klein

Caracas……Chutou o balde…….rsrsrsrsrsrssss
Logicamente que não concordo com todas estas colocações, por serem extremamente radicais.  As organizações são “entes vivos”, necessitando constantemente se adaptar ou buscar novos modelos, conceitos, programas e planos de gestão que façam frente a um mercado e realidades sempre mutantes, exigentes e incertas.
No entanto, acredito que existam realmente exageros por parte de algumas organizações. Simultaneamente, lançam programas e projetos de profunda repercussão organizacional, por simples “capricho”, porque o vizinho do lado já tem, porque é a “moda” e etc. etc.
Sempre me coloquei numa situação de empatia, colocando-me no lugar daquele gestor que tenha que tomar as decisões quanto a quais programas, projetos, modelos e sistemas são realmente prioritários, em termos de alinhamento, integração, melhor gestão, competitividade, rentabilidade, valor agregado, efetivas melhorias e etc. etc. A “cada dia” surgem novos “modismos”. Sejamos sinceros, não há quem agüente…
Assim, os executivos, o corpo gerencial e o quadro funcional acabam ficando totalmente exacerbados com tantas reuniões com consultores, assessores, implantadores, enfim, que, metade de seus tempos acabam sendo dedicados a estes assuntos, enquanto a atividade rotineira da organização acaba carecendo dos devidos cuidados.
Acredito que a maturidade em gestão seja uma escada, galgada degrau a degrau. Não adianta subir dois ou tres degraus ao mesmo tempo, pois o problema se apresentará logo ali na frente, e põe problema nisso !
A organização possui limites. As pessoas possuem limites. Creio que todo este processo deva ser muito bem planejado, a fim de não causar mais prejuízos do que benefícios.

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