Vítor Alberto Klein's Blog

01/03/2011

Carta aberta ao BRADESCO

Filed under: Variedades — vitoralbertoklein @ 18:52

FonteRecebido por e-mail (desconheço a autoria da carta).

Por Vítor Alberto Klein

Apenas cumprindo para com o meu papel de cidadão, que visa ao bem-comum (e não apenas ao “Bem” de alguns privilegiados), publico este interessante mail.

—-  Não possuo nada contra os banqueiros, nem tampouco, nada a favor. —–

Alguns dirão: “” …mas a garantia de um sistema financeiro forte (subentenda-se “lucrativo”) trata-se de um dos alicerces ao desenvolvimento do País “”.  Concordo com esta premissa, óbvio, mas……, menos, menos…. Todos nós sabemos que os bancos possuem um papel social.  Eita !  Claro que sim !  O próprio banco em questão possui uma excelente FUNDAÇÃO.  Mas talvez, alguma reflexão seja necessária….

Às vezes, ao invés apenas de imaginar que sejamos ainda uma “República das Bananas”, acredito também que sejamos muito mais uma “República de Bananas”.

Existe um antigo ditado que diz mais ou menos assim (não me recordo bem dos termos, mas sim, da essência):

” O que garante a sustentação do Mal, não é a euforia e a dinâmica dos maus, e sim, o silêncio dos bons “. (Acho que é mais ou menos isso…)


PS: Se ser “politicamente correto” signifique ser conivente ou favorável ao abuso, à falsidade, à mentira, à falta de ética, à irresponsabilidade, à “situação”, à usurpação, à indignidade e à imoralidade, eu acho então, que sou politicamente “incorreto”.

Posso ser politicamente “incorreto”, mas coloco a cabeça no travesseiro e durmo como uma “pedra”.

Politicamente corretos podem ser aqueles que eventualmente vão dizendo: AMÉM, AMÉM e na hora “H” dão o golpe fatal naqueles que antes, tanto os admiravam por suas “corretas posturas políticas”.

 

Este artigo possui como título exatamente o da carta encaminhada pela autora da mesma, mas poderia ser: “CARTA ABERTA AO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL”. Creio que a mensagem sirva a todos os bancos.


Segue a carta.  Que se trata de uma boa sátira, com certeza….

——

A carta foi enviada ao Banco Bradesco, porém devido à criatividade com que foi redigida, deveria ser direcionada a todas as instituições financeiras. Tenho que prestar reverência a(o)  brasileira(o) que, apesar de ser altamente explorada(o), ainda consegue manter o bom humor.


CARTA ABERTA AO BRADESCO

Senhores  Diretores do Bradesco,

Gostaria de saber se os  senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do  posto de gasolina ou da farmácia ou da feira, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria assim: todo mês os senhores, e  todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira, farmácia etc).. Uma taxa que não garantiria  nenhum direito extraordinário ao pagante.

Existente  apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade.

Por qualquer produto adquirido (um pãozinho, um remédio, uns litros de combustível etc) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um pouquinho acima. Que tal?

Pois, ontem saí de seu Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade.

Minha certeza  deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho.  O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o pãozinho. Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e qualquer serviço..

Além disso,  me impõe taxas. Uma ‘taxa de acesso ao pãozinho’, outra  ‘taxa por guardar pão quentinho’ e ainda uma ‘taxa de abertura da padaria’. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu Banco.

Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto de seu negócio. Os senhores me  cobraram preços de mercado.  Assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pãozinho.

Entretanto, diferentemente do padeiro, os  senhores não se satisfazem me cobrando apenas pelo produto que adquiri.

Para ter acesso ao produto de seu negócio, os senhores me cobraram uma ‘taxa de abertura de crédito’  – equivalente  àquela hipotética ‘taxa de acesso ao pãozinho’, que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.

Não satisfeitos, para ter acesso ao pãozinho, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente em seu Banco.

Para que isso fosse possível, os senhores me cobraram uma ‘taxa de abertura de conta’.

Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa ‘taxa de abertura de conta’ se assemelharia a uma ‘taxa de abertura da padaria’, pois, só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a  padaria.

Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como papagaios’…. para liberar o ‘papagaio’, alguns Gerentes inescrupulosos cobravam um ‘por fora’, que era devidamente  embolsado.

Fiquei  com a impressão que o Banco resolveu se antecipar aos gerentes inescrupulosos.

Agora ao invés de um ‘por fora’ temos muitos ‘por dentro’.
–  Tirei um extrato de minha conta – um único extrato no mês – os senhores me cobraram uma taxa de R$ 5,00.
–  Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de R$ 7,90 ‘para a manutenção da conta’  semelhante  àquela ‘taxa pela existência da padaria na esquina da rua’.
–  A surpresa não acabou: descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada trimestre –  uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros (preços) mais altos do mundo.
– Semelhante àquela ‘taxa por guardar o pão quentinho’.
– Mas, os senhores são insaciáveis. A gentil funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer movimentação que eu fizer.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza,  gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto  estive nas instalações de seu Banco.

Por favor, me  esclareçam uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?

Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que sua responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências  governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados etc e tal. E, ademais, tudo o que estão cobrando está  devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco Central.

Sei disso. Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem seu negócio  de todo e qualquer risco.

Presumo que os riscos de uma  padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados..

Sei que são legais. Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam garantidas em lei, voces concordam o quanto são abusivas….!?!

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